BYD aposta alto no Atto 2 e já abre reservas antes da produção nacional
Marca abre reservas antes da produção nacional e aposta em forte demanda pelo SUV híbrido flex
O lançamento do BYD Atto 2 DM-i Flex nesta semana vai além da chegada de mais um híbrido plug-in ao mercado brasileiro. Com preços entre R$ 149.990 e R$ 169.990, o novo SUV é responsável pela entrada da fabricante chinesa em uma das faixas mais disputadas da indústria automotiva nacional: a dos SUVs compactos.
Embora a produção nacional completa do modelo ainda dependa das próximas etapas de expansão da fábrica de Camaçari (BA), a BYD já abriu reservas e iniciou a comercialização do veículo. Segundo executivos da marca ouvidos pelo InsideEVs Brasil durante o evento de apresentação, o objetivo é despertar o interesse do consumidor antes que ele opte por modelos concorrentes e, ao mesmo tempo, medir o potencial de demanda do novo produto.
Grandes expectativas
Internamente, a expectativa é que o Atto 2 se torne um dos modelos mais vendidos da BYD no Brasil, repetindo parte do impacto observado anteriormente com o Dolphin e, mais recentemente, com o Song Pro.
Questionados pelo InsideEVs Brasil sobre o risco de canibalização dentro da própria gama, executivos da companhia minimizaram o tema. A avaliação é que eventuais casos de "fogo amigo" são menos relevantes do que a oportunidade de ampliar a presença da marca e atrair novos consumidores para dentro das concessionárias.
Ainda que o preço inicial seja o mesmo de um BYD Dolphin GS, o Atto 2 não foi posicionado para disputar compradores de outros modelos eletrificados da própria marca. Seu alvo está fora da rede BYD. Com preços próximos aos de versões intermediárias e superiores de Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta, Chevrolet Tracker, Honda HR-V e outros líderes do segmento, o SUV tenta apresentar uma alternativa eletrificada para consumidores que tradicionalmente escolheriam um modelo flex convencional.
Nesse contexto, a tecnologia é apenas parte da história. O Atto 2 estreia como o primeiro híbrido plug-in flex da BYD no mundo e combina bateria, motor elétrico e propulsor capaz de operar com etanol ou gasolina. A autonomia combinada supera os 1.000 km no ciclo NEDC e o alcance em modo elétrico chega a 110 km na versão GS - os números oficiais pelo padrão Inmetro ainda não foram anunciados.
Preço é diferencial
Até pouco tempo atrás, os híbridos plug-in vendidos no Brasil estavam concentrados em faixas acima dos R$ 200 mil. Ao posicionar o Atto 2 abaixo desse patamar, a BYD aproxima a tecnologia de um público muito maior e entra diretamente na disputa pelo segmento mais importante do mercado brasileiro de automóveis.
Galeria: Lançamento BYD Atto 2 DM-i Flex (BR)
Ao antecipar a abertura das reservas e iniciar a captação de clientes antes da ampliação definitiva da produção nacional, a BYD busca não apenas gerar visibilidade para o modelo, mas também entender o tamanho real da demanda por um híbrido plug-in flex nessa faixa de mercado e se preparar melhor para esse novo passo.
Os próximos meses mostrarão se a estratégia da BYD está correta. Se a recepção do público acompanhar o entusiasmo demonstrado pela empresa durante o lançamento, o Atto 2 pode representar um teste real para saber até que ponto os híbridos plug-in conseguem avançar sobre o território hoje dominado pelos SUVs compactos a combustão.
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