A turbulência criada pelo COVID-19 continua a ter um grande impacto na indústria automotiva

  • Enquanto os emplacamentos na China caíram 68% no primeiro trimestre, na Europa eles aumentaram 56%
  • Europa se beneficia com o crescimento da demanda interna e exportações
  • China sofreu maior impacto por depender mais do mercado interno

Como já mencionamos várias vezes, é inegável o efeito da pandemia de coronavírus na indústria automotiva. Segundo o relatório mensal da Jato Dynamics, as vendas globais caíram 43% em abril e 28% entre janeiro e abril, na comparação com os mesmos períodos de 2019. E nesse cenário adverso, uma das mudanças que mais chamam a atenção é a nova liderança da Europa no segmento de veículos elétricos

Parece que os efeitos dos amplos incentivos concedidos pelos governos da União Europeia começaram a surtir efeito. Isso somado ao grande número de lançamentos, aumento de consciência ambiental e das vantagens desse tipo de veículo ajudaram muitos consumidores decidirem pela compra de um veículo elétrico pela primeira vez.

Galeria: Renault Zoe 2020

Dessa forma, a Europa passa à frente da China, até então líder absoluta de vendas desse tipo de veículo. Durante o isolamento social imposto pela pandemia, o mercado chinês de carros elétricos caiu 55% no primeiro trimestre de 2020, um total de 81.800 emplacamentos - no ano de 2019 o país asiático vendeu nada menos que 694 mil unidades, o que correspondia a 51% do total global.  

O crescimento da Europa se deu em um momento de isolamento rigoroso na China, que afetou bastante as atividades industriais. Naturalmente, o Velho Continente também sofreu com os bloqueios, mas de forma mais heterogênea, o que amenizou seu impacto. Outra vantagem da União Europeia é uma parcela maior de vendas para mercados externos, ao contrário do país asiático, com uma produção mais voltada ao mercado local.

De janeiro a março de 2020 a Europa respondeu por 31% das vendas globais de veículos elétricos. Para efeito de comparação, no primeiro trimestre do ano passado essa participação estava abaixo de 15%.

Tendo como carro chefe a Alemanha, o aumento da demanda interna fez a produção europeia de veículos de emissões zero subir 81%, ficando à frente dos EUA/Canadá, que registrou aumento de 72% e um pouquinho abaixo da China, com avanço de 83%.

Fonte: Jato Dynamics

Galeria: Volkswagen e-up! 2020