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Montadoras brasileiras preparam ação antidumping contra BYD e GWM

Anfavea questiona práticas comercias de empresas chinesas, incluindo fabricantes como GWM e BYD

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A representação das montadoras tradicionais instaladas no Brasil anunciou que, nos próximos dias, enviará ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) um pedido de investigação sobre práticas de dumping por parte de empresas chinesas que atuam no mercado automotivo nacional. Entre as principais alvos estão marcas como BYD e GWM, que vêm ampliando sua participação no mercado brasileiro com veículos importados e eletrificados.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o dumping ocorre quando produtos são vendidos a preços inferiores ao custo de produção, prática que pode prejudicar a competitividade e o equilíbrio do mercado local. Embora a investigação esteja focada principalmente no segmento de automóveis, também inclui caminhões, ônibus e máquinas agrícolas e rodoviárias.

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Foto de: InsideEVs Brasil

Chinesas avançam no Brasil

A crescente participação de empresas chinesas no Brasil tem gerado debates no setor automotivo. Em 2024, a BYD e a GWM foram responsáveis pela venda de 76,8 mil e 29,2 mil veículos eletrificados, respectivamente. Esses números representaram 60% de todos os modelos eletrificados importados para o país no período e 22,7% do total de veículos importados.

Ambas as montadoras anunciaram planos de produção local. A GWM pretende inaugurar sua fábrica em Iracemápolis (SP) em meados de 2025, enquanto a BYD iniciará operações em Camaçari (BA) ainda no primeiro semestre. A expansão das montadoras chinesas reflete um aumento na participação da China nas importações brasileiras de veículos, que subiu de 10% em 2023 para 26% em 2024.

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Foto de: InsideEVs Brasil

Em nota, a BYD negou qualquer prática de dumping e destacou seu compromisso com a legislação brasileira e as regras internacionais de comércio. Já a GWM afirmou que está tranquila quanto ao cumprimento das normas.

A Anfavea representa 25 montadoras, incluindo marcas como General Motors, Volkswagen, o grupo Stellantis e a Ford, e tem se mostrado preocupada com o impacto das práticas comerciais de empresas estrangeiras no mercado nacional. Segundo a entidade, o crescimento das importações de veículos chineses contribuiu para o aumento do déficit na balança comercial do setor, algo que não ocorria desde 2021.

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Foto de: InsideEVs Brasil

O presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, afirmou que a organização defende a livre concorrência, mas busca evitar práticas que possam prejudicar o mercado automotivo brasileiro. 

O debate sobre práticas de dumping ocorre em um momento de transformação no mercado automotivo, com avanços tecnológicos e mudanças na matriz energética global. O Brasil, como um dos principais mercados da América Latina, tem atraído investimentos de novas marcas, especialmente de origem chinesa. Além da BYD e GWM, outras montadoras, como GAC, Neta e Omoda/Jaecoo, já planejam iniciar produção local a partir de 2026, ampliando a participação desses grupos automotivos no país.

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Foto de: GAC

O processo de análise da Anfavea ainda está em andamento, mas já abriu um espaço para discussões sobre políticas de importação, regras comerciais e estratégias de adaptação ao novo cenário do setor automotivo brasileiro. A decisão do Mdic sobre o pedido de investigação poderá definir os rumos das relações comerciais no setor nos próximos anos.

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Oferta e demanda

Em que pesem os questionamentos sobre práticas comerciais, os fabricantes chineses, de modo geral, têm ampliado sua participação de mercado no Brasil com a oferta de veículos eletrificados, sobretudo elétricos a bateria (BEV) e híbridos plug-in, uma demanda que as "montadoras tradicionais" não conseguem atender com seu portfólio extremamente limitado de eletrificados, especialmente em um mercado consumidor cada vez mais exigente. Essa exigência abrange não apenas eficiência energética e menor custo de rodagem, mas também a incorporação de novas tecnologias. 

Fonte: Estadão

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