Toyota não dá conta da demanda por híbridos em vários países
Espera de até nove meses em alguns mercados revela gargalo na produção
Quem tentou comprar um Toyota híbrido recentemente em mercados como Estados Unidos, Europa ou Ásia, deve ter percebido que é quase tão difícil quanto conseguir uma audiência particular com o Papa. Enquanto no Brasil a procura por híbridos da marca cresce de forma mais moderada, em outros países a demanda explodiu—e a Toyota está tendo dificuldades para manter seus veículos eletrificados (e peças) em estoque.
De acordo com uma nova apuração da Reuters, a demanda por híbridos da Toyota disparou, resultando em longas filas de espera para novos modelos híbridos convencionais e plug-in. O problema não se restringe aos carros: fornecedores também enfrentam dificuldades para atender à necessidade crescente de peças essenciais.
A situação é crítica globalmente. Na Índia, a espera pode chegar a nove meses. No Japão, os clientes aguardam até cinco meses, enquanto na Europa, o prazo ultrapassa dois meses. Nos Estados Unidos, especialmente na Costa Oeste, encontrar um híbrido disponível em concessionárias tornou-se um desafio.
O aumento da demanda não é novidade. Há meses consumidores relatam dificuldades para conseguir um Toyota híbrido. Até mesmo o novo Prius, que foi atualizado recentemente, esgotou antes mesmo de chegar às lojas. Mas desta vez, a culpa não é da pandemia—então, o que está causando esse gargalo?
Galeria: Toyota RAV4 Hybrid Plug-in (BR)
O principal motivo é o crescimento explosivo do mercado de híbridos. Nos últimos cinco anos, as vendas globais desse tipo de veículo (incluindo híbridos plug-in) triplicaram, passando de 5,7 milhões para 16,1 milhões de unidades por ano. Esse boom é um ótimo negócio para a Toyota, mas também representa um grande desafio para atender à demanda.
A falta de alguns componentes essenciais está travando a produção. A Aisin, fornecedora de peças para os sistemas híbridos da Toyota, enfrenta escassez de ímãs de alta qualidade, afetando a fabricação de rotores e estatores para motores elétricos. A Denso, maior fornecedora da montadora, também sofre com gargalos, prejudicando a produção de inversores. Como muitas dessas peças são fabricadas no Japão antes de serem enviadas para outras fábricas da Toyota ao redor do mundo, qualquer atraso no fornecimento gera impactos em mercados como Detroit, Nova Déli e além.
A Toyota não está parada diante do problema. A empresa avalia novos fornecedores e até mesmo a fabricação local de alguns componentes em países como a Índia. Além disso, vem investindo bilhões na eletrificação para mitigar gargalos, especialmente na produção de baterias.
A montadora já foi criticada por sua estratégia "multi-caminho", que aposta nos híbridos enquanto outras marcas aceleram a transição para os elétricos. Mas essa crise logística reforça seu argumento: os consumidores querem híbridos, e não apenas elétricos puros. Agora, a Toyota precisa garantir que consiga produzir o suficiente para atender a essa demanda.
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