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MG Cyber X: carro-conceito inusitado mostra que o passado ficou para trás

Protótipo com faróis escamoteáveis estreia em fase de crescimento da marca

O MG Cyber X no Salão de Xangai (3)
Foto de: MG

Cecil Kimber era o gerente-geral de uma concessionária chamada Morris Garages, em Oxford, na Inglaterra. Loja e oficina pertenciam ao lorde Nuffield — que era também fundador e principal acionista da fábrica de automóveis Morris Motors. 

Apaixonado por carros esportivos, Kimber ganhou, em 1924, carta branca para customizar os automóveis Morris da clientela com carrocerias especiais. Assim nasceu a MG, marca especializada em esportivos leves e relativamente baratos, que alcançou seu apogeu entre o pós-guerra e o início da década de 1970.

Kimber, contudo, não pôde experimentar o auge desse sucesso mundial, já que foi afastado da empresa em 1941 e morreu em um desastre ferroviário quatro anos depois.

MG Cyber X Concept (1)
MG Cyber X Concept (3)
MG Cyber X Concept (2)
Fotos de: MG

UM SALTO NO TEMPO

Desde 2005, a MG é uma das divisões do grupo SAIC Motor, controlado pelo governo de Xangai. As atividades industriais na Inglaterra foram encerradas, e hoje a marca do octógono produz principalmente hatches, crossovers e SUVs (elétricos, híbridos ou a combustão) em quatro fábricas na China. Há também unidades na Índia e na Tailândia.

Ao vermos o novo carro-conceito da MG, recém-apresentado no Salão de Xangai, é inevitável pensar no pobre Cecil Kimber e seus esportivos baixos e leves: o parrudo MG Cyber X, com sua cara de robô, é a antítese da filosofia original da marca britânica.

Cecil Kimber com seu elegante MG K Magnette 1934 equipado com supercharger

Cecil Kimber com seu elegante MG K Magnette 1934 equipado com supercharger

Foto de: MG

O projeto marca mais um passo da SAIC Motor em direção ao segmento de veículos elétricos premium. O conceito apresentado no salão é o segundo integrante da linha MG Cyber, que estreou com o roadster elétrico Cyberster no fim de 2023. A proposta agora é aplicar a mesma ousadia de design e inovação tecnológica em um utilitário esportivo voltado para o uso urbano, com 4,30 m de comprimento e jeitão jovem.

O Cyber X exibe formas angulosas e ousadas, além de trazer de volta os faróis escamoteáveis. O visual é complementado por uma faixa de LEDs que percorre toda a dianteira (ouvi Cybertruck?), pintura em cinza-chumbo fosco, rodas de 20” com acabamento bitom e iluminação no tradicional emblema octogonal da MG — tamanha originalidade contrasta com o estilo meio genérico dos atuais modelos da marca.

O MG Cyber X no Salão de Xangai (5)
Foto de: MG

O design é assinado pelo eslovaco Jozef Kabaň, que tem no currículo o desenho da carroceria do Bugatti Veyron, além de ter chefiado os departamentos de design da BMW e da Rolls-Royce. No ano passado, Kabaň assumiu a vice-presidência de Design da MG Motor.

Outra curiosidade do projeto é a colaboração com a Oppo, gigante chinesa do setor de smartphones. A parceria resultou em um pacote tecnológico avançado para o interior do SUV, com foco em conectividade e na “experiência do usuário”. Pena que o conceito esteja sendo exibido com os vidros escurecidos, sinal de que a cabine ainda não está pronta.

Galeria: MG Cyber X - Xangai 2025

A base do Cyber X é a nova plataforma E3, desenvolvida pela SAIC para atender aos modelos elétricos mais sofisticados do grupo. A ideia é que essa arquitetura permita ao novo modelo brigar com Kia EV3, Smart #1, Skoda Elroq e Opel Frontera no mercado europeu.


O que você pensa sobre isso?

O lançamento do Cyber X integra uma estratégia ambiciosa da MG para os próximos dois anos: a marca promete apresentar oito novos modelos elétricos até 2027. Entre eles haverá um SUV grande e um sedã compacto, reforçando a ofensiva global da marca chinesa.

Os primeiros resultados já são animadores: no ano passado, a marca vendeu 507 mil carros em todo o mundo, sendo que 243 mil foram comercializados na Europa — onde a MG é a líder entre as chinesas. Já se fala até em abrir duas linhas de produção da MG no Velho Continente e em chegada ao mercado brasileiro. Cecil Kimber jamais poderia imaginar algo assim.