Tesla some do Salão de Xangai e marcas chinesas roubam a cena
Salão atrai 1 milhão de pessoas e consagra avanço dos elétricos da China
Nesta semana, quase um milhão de pessoas devem visitar o maior salão automotivo da China, em Xangai. No evento, mais de mil empresas exibem seus lançamentos e novas tecnologias, com uma presença forte das marcas locais, como BYD, Nio e Zeekr. Montadoras ocidentais como General Motors e Volkswagen tentam acompanhar o ritmo. Mas uma ausência chamou a atenção: a Tesla ficou de fora mais uma vez.
Assim como aconteceu na edição de 2023, a maior fabricante de carros elétricos do mundo optou por não participar do principal evento de seu segundo maior mercado. Embora tenha escolhido a China como país de estreia para o Model Y Juniper, o modelo mais importante de seu portfólio no momento, a presença da Tesla no mercado chinês tem perdido força frente à concorrência local, que cresce com portfólios mais amplos e tecnologias cada vez mais avançadas.
Tu Le, fundador da consultoria Sino Auto Insights, afirma que a ausência representa uma oportunidade desperdiçada. "Não é surpreendente. A Tesla não tem novidades para mostrar e, mesmo que participasse, seria difícil se destacar em meio à enxurrada de lançamentos chineses. O declínio da Tesla na China é um problema de produto — ou da falta dele", diz.
A Tesla não costuma responder a pedidos de comentário da imprensa americana e tem adotado uma postura inconsistente em relação aos grandes salões internacionais. Mostrou o protótipo do Cybercab sem volante no Salão de Los Angeles e levou o Model 3 Highland ao IAA de Munique, ambos em 2023. No entanto, também pulou o Salão de Xangai naquele ano, mesmo com uma fábrica operando nas proximidades.
A edição de 2023 foi a primeira grande mostra automotiva na China desde o fim dos lockdowns da pandemia e mostrou o quanto o mercado chinês avançou em mobilidade elétrica. Muito disso, ironicamente, se deve à própria Tesla. Como vários entrevistados disseram ao InsideEVs, Elon Musk ajudou a tornar os EVs “legais” na China, mas também desencadeou uma onda de concorrência que aprendeu com seu modelo e o superou.
Hoje, muitos carros elétricos chineses seguem a cartilha da Tesla: produção eficiente, software conectado e telas gigantes ao centro do painel. Mas vão além. O Onvo L60, da Nio, custa bem menos que o Model 3 ou o Model Y. Outros modelos da Nio trazem troca rápida de bateria. E a BYD, que superou a Tesla em volume de produção no ano passado, apresentou modelos com carregamento Megawatt, capazes de recuperar 400 km de autonomia em apenas cinco minutos.
Enquanto clientes nos EUA e Europa se perguntam quando a Tesla vai responder à nova concorrência, o público chinês parece já ter migrado para outras opções. Segundo Tu Le, mesmo o Model Y Juniper, lançado em janeiro, já precisou de incentivos agressivos, como cinco anos de financiamento sem juros — um sinal preocupante para a empresa.
Além disso, os planos da Tesla em direção à condução autônoma enfrentam obstáculos. Um acidente fatal com um Xiaomi SU7 em modo de assistência semiautônoma colocou o tema em pauta no Salão de Xangai. Em resposta, o governo chinês apertou a regulamentação da publicidade sobre sistemas “autônomos”, o que pode atrasar os planos de Musk para o Full Self-Driving no país.
Com isso, a Tesla parece competir na China apenas com base nos méritos de seus produtos — que, ironicamente, não foram exibidos no palco mais importante do ano.
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