Híbridos crescem na preferência global e elétricos perdem ritmo
Estudo de consultoria global aponta alta na intenção de compra de veículos híbridos
O interesse por veículos híbridos está em alta em diversos países, enquanto a popularidade dos modelos 100% elétricos parece ter desacelerado. É o que aponta o estudo Global Automotive Consumer, elaborado anualmente pela Deloitte. A pesquisa, feita com 30 mil consumidores em 30 países, revelou que mais consumidores estão buscando uma solução intermediária entre eficiência energética e conveniência de uso – representada pelos veículos com motorização dupla, elétrica e a combustão.
Nos Estados Unidos, 26% dos entrevistados afirmaram que devem optar por um carro híbrido na próxima compra, um aumento de seis pontos percentuais em relação ao levantamento anterior. Ao mesmo tempo, o percentual de consumidores que pretendem comprar um carro com motor exclusivamente a combustão caiu de 67% para 62%. Já os veículos totalmente elétricos aparecem com apenas 5% da intenção de compra no país.
A preferência pelos híbridos é associada à praticidade e à autonomia superior, o que ajuda a contornar limitações da infraestrutura de recarga pública, ainda considerada insuficiente em muitos mercados. Para Paulo de Tarso, sócio-líder da Indústria de Consumo da Deloitte no Brasil, os híbridos oferecem “o melhor dos dois mundos”, combinando emissão reduzida em trajetos urbanos com a segurança de abastecimento tradicional em longas distâncias.
Em mercados asiáticos, a preferência pelos híbridos também se destaca. No Japão, 43% dos consumidores entrevistados demonstraram intenção de adquirir um híbrido, contra 41% que optariam por um modelo a combustão – este último número representa um crescimento de 7 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Na China, a divisão é semelhante: 33% pretendem comprar híbridos e 38% seguem preferindo carros a combustão, também com aumento da participação em relação à pesquisa anterior.
Mesmo com os apelos ambientais e os avanços na tecnologia das baterias, a intenção de compra de veículos elétricos permanece relativamente estável em diversos mercados. A limitação da infraestrutura de recarga e o tempo necessário para abastecimento completo ainda são barreiras citadas por consumidores.
O estudo também investigou como a tecnologia embarcada influencia as decisões de compra. Recursos como Inteligência Artificial, conectividade e assistentes de condução são vistos como diferenciais por uma parcela crescente do público. Na China e na Índia, por exemplo, mais de 75% dos entrevistados consideram a presença de IA nos veículos um benefício relevante. Já em países como Estados Unidos e Reino Unido, essa aceitação é mais baixa, com menos da metade do público demonstrando entusiasmo com a tecnologia.
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Ainda segundo a Deloitte, itens relacionados à segurança e à integração digital são os preferidos entre os consumidores dispostos a pagar mais por veículos com tecnologia adicional. Isso tem orientado o planejamento das montadoras em diversos mercados, desde a concepção dos modelos até sua comercialização.
Apesar da crescente valorização de atributos ligados à sustentabilidade e à inovação, os fatores tradicionais continuam a pesar mais na decisão final de compra. Preço, qualidade e desempenho seguem como os três principais critérios apontados por aproximadamente metade dos consumidores entrevistados.
A pesquisa também identificou diferenças geracionais e culturais no comportamento dos consumidores. Na Índia, 70% dos jovens da geração Y (entre 18 e 34 anos) estariam dispostos a abrir mão da posse de um carro em favor de soluções integradas de mobilidade, como aplicativos de transporte e redes públicas. Na Alemanha, por outro lado, esse número cai para cerca de 33%.
A tendência de crescimento dos híbridos pode ter reflexo direto no Brasil, onde a infraestrutura para carros elétricos ainda é incipiente e os modelos híbridos ganham popularidade entre consumidores que buscam mais eficiência sem abrir mão da conveniência. Embora o país não tenha sido incluído nesta edição do estudo, uma pesquisa recente conduzida pela Abeifa/X mostrou resultados semelhantes quanto às intenções de compra, com preferência crescente pelos híbridos — ainda que o interesse pelos elétricos siga elevado. Nos próximos anos, o avanço da infraestrutura, a ampliação da oferta e a redução de preços devem impulsionar os modelos 100% elétricos.
Fonte: Deloitte
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