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Royal Enfield prepara a chegada de sua primeira moto elétrica ao Brasil

Historiador inglês virá ao Festival Interlagos para falar da Flying Flea

Flying Flea C6, a primeira RE elétrica (5)
Foto de: Royal Enfield

Em novembro do ano passado, a Royal Enfield apresentou no Salão de Milão os protótipos de sua primeira motocicleta elétrica, a C6. E não parou por aí: a companhia indo-britânica também anunciou o lançamento de uma submarca exclusiva para seus modelos elétricos, a Flying Flea (“Pulga Voadora”), cujo nome é inspirado em uma moto levíssima que era lançada de aviões na Segunda Guerra Mundial — daí o logotipo da nova divisão trazer a imagem de um paraquedas. Os modelos da nova marca ainda nem começaram a ser vendidos no exterior, mas a RE já começa a traçar estratégias para seu desembarque no Brasil, previsto para o ano que vem.

Uma das primeiras iniciativas será mostrar aos brasileiros a relevância simbólica do nome Flying Flea. Isso acontecerá durante o Festival Interlagos 2025, Edição Moto, entre os dias 29 de maio e 1º de junho. Gordon May, historiador da Royal Enfield, virá da Inglaterra para falar ao público sobre as origens militares da “Pulga Voadora”. A data provável do bate-papo é 29/5.

Flying Flea C6, a primeira RE elétrica (6)
Foto de: Royal Enfield

No ano passado, Gordon veio ao Brasil trazendo a réplica de uma Royal Enfield 1901 (primeiro modelo da marca). Quem sabe, desta vez, ele não traz uma Flying Flea veterana de guerra?

Oficialmente, contudo, a Flying Flea C6 ainda não está confirmada para o Brasil. “Não há nenhuma data planejada nem confirmada”, diz a assessoria. O destaque da Royal Enfield já revelado para o evento será o Ride de Interlagos, que espera reunir mil motos da marca para uma volta pela pista do autódromo no dia 31 de maio (um sábado), às 16 horas.

O que já se sabe da nova “Pulga Voadora”

A urbana Flying Flea C6 será o modelo de estreia da divisão elétrica da Royal Enfield. Trata-se de um marco importante para a ortodoxa fabricante sediada em Chennai, na Índia, que, até 2020, ainda produzia motos inglesas modelo 1947… No Salão de Milão, a “Pulga Voadora” foi apresentada também na configuração S6, uma scrambler.

Os modelos de produção serão bem semelhantes aos protótipos mostrados em Milão. Uma das características mais marcantes é a suspensão dianteira do tipo girder (garfo de viga) — versão do sistema utilizado na Flying Flea original e em muitas motos inglesas até os anos 1940.

Flying Flea S6 Scrambler - suspensão dianteira diferente

Flying Flea S6 Scrambler - suspensão dianteira diferente

Foto de: Royal Enfield

Garfos de viga reduzem a tendência de afundar a frente durante a frenagem. Em alguns projetos, esse tipo de suspensão representa uma redução no peso não suspenso em comparação aos garfos telescópicos, melhorando a dirigibilidade (especialmente em superfícies irregulares). Sua geometria também pode ser ajustada com mais facilidade. O grande inconveniente da suspensão girder é a complexidade, o que pode tornar sua manutenção e reparo mais difíceis e caros que nos garfos telescópicos convencionais, daí terem caído em desuso.

O quadro é de alumínio e traz, integrado, o compartimento da bateria, feito de magnésio — o que ajuda a manter o peso reduzido. Esse conjunto é instalado logo abaixo do falso tanque e tem aletas funcionais para o resfriamento da bateria. Sua aparência lembra a de um motor a gasolina refrigerado a ar.

Flying Flea C6, a primeira RE elétrica

Flying Flea C6, a primeira RE elétrica

Foto de: Royal Enfield

Os para-lamas reforçam a inspiração no design militar da década de 1940. Farol e espelhos redondos, piscas montados no guidão e “tanque” em gota contribuem para o visual retrô.

Há, contudo, muitos toques de modernidade. Nos protótipos, o painel traz uma tela redonda de TFT sensível ao toque, com 3,5” e conectividade Bluetooth, Google Maps, monitoramento de pressão dos pneus, alertas de mensagens, previsão do tempo e até comandos por voz. 

Flying Flea C6, a primeira RE elétrica (10)

Flying Flea C6, a primeira RE elétrica

Foto de: Royal Enfield

A Royal Enfield fez parceria com a Qualcomm Technologies para integrar o processador Snapdragon QWM2290, oferecendo conectividade com a plataforma Car-to-Cloud (ou melhor… Bike-to-Cloud!). Isso possibilitará personalização de uso, monitoramento remoto e ajustes de pilotagem, além de atualizações remotas. A segurança ativa incluirá controle de tração e ABS em curvas, novidades para a marca.

Entre os recursos adicionais estão: trava à distância por meio do smartphone, controle de cruzeiro regenerativo, controle de cruzeiro convencional, carregador de celular sem fio e uma porta USB. O piloto pode escolher entre cinco modos de condução: Eco, Chuva, Turismo, Performance e um modo personalizável via smartphone. Há também dois níveis de frenagem regenerativa, além de configurações ajustáveis de potência e torque. A Flying Flea C6 oferece três modos de recarga: lenta, padrão e rápida. O sistema de navegação é capaz de calcular o consumo de bateria com base no trânsito, distância e relevo.

Galeria: Flying Flea, a Royal Enfield elétrica

A C6 vem já sendo apresentada como uma moto elétrica para uso diário em percursos curtos, em cidades como Nova Déli a Londres. Segundo a fabricante, a Flying Flea “abre uma nova categoria no universo da mobilidade urbana”. O desempenho deve ser equivalente ao de uma moto convencional de 250 a 300 cm³, voltada para um uso mais tranquilo, garantindo boa autonomia mesmo com um pacote de baterias de tamanho moderado.

O peso em ordem de marcha declarado é de apenas 110 kg — mesmo assim, é quase o dobro do que pesava a Flying Flea da Segunda Guerra! Por enquanto, a Royal Enfield mantém outros detalhes técnicos de sua e-bike em segredo.

A produção da linha Flying Flea será em uma nova fábrica, só para motos elétricas, em Chennai. Seu lançamento mundial — que inclui Índia, Europa, EUA e Brasil — está previsto para o início de 2026.

A FLying Flea original pesava apenas 56 quilos (1)

A FLying Flea original pesava apenas 56 quilos

Foto de: Royal Enfield

A "Pulga Voadora" original

A Royal Enfield WD/RE, apelidada de Flying Flea, foi uma motocicleta militar desenvolvida para uso aerotransportado durante a Segunda Guerra Mundial (WD = War Department). Pesando cerca de 56 kg e equipada com um motorzinho monocilíndrico de 125 cm³ e 3,5 cv, a moto podia atingir até 70 km/h. Seu tamanho compacto e estrutura simples a tornaram viável para ser lançada de paraquedas junto com tropas britânicas. Para ajudar a silenciar o ruidoso motor de dois tempos, havia dois abafadores. O guidão e o pedal de partida eram dobráveis, para que a moto pudesse ser acomodada no menor espaço possível. O tanque tinha vedação especial, para evitar derramamento de combustível durante o “salto”.

Curiosamente, o projeto britânico copiava uma moto do lado inimigo: a alemã DKW RT 125. A Flying Flea era usada para estabelecer comunicações entre as tropas lançadas de paraquedas e as forças da linha de frente (que poderiam estar muito distantes ou fora do contato de rádio). As motos também serviam para fazer reconhecimento em terrenos onde veículos maiores não conseguiam operar. Se atolasse, o soldado a carregava nos braços… 

O que você pensa sobre isso?

Além das versões lançadas do ar (dentro de uma gaiola de tubos metálicos), outras eram levadas por jipes, caminhões, embarcações de desembarque ou mesmo planadores de transporte de tropas.

Foram produzidas cerca de 8 mil unidades da Flying Flea durante o conflito. Após o fim da guerra, muitas foram vendidas como excedente militar e adaptadas para uso civil. A Royal Enfield desenvolveu até versões civis no pós-guerra: eram as RE 125 (1946–1950) e RE2 (1951–1953). Alguns exemplares chegaram a ser vendidos no Brasil.

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