Nissan pode fabricar carros da Dongfeng em fábricas ao redor do mundo
Montadora japonesa avalia ceder unidades para produção de veículos da parceira chinesa
A Nissan estuda compartilhar parte de sua capacidade industrial global com a parceira chinesa Dongfeng para produzir veículos fora da China. A informação foi confirmada por Ivan Espinosa, executivo-chefe de planejamento da montadora japonesa, no momento em que a empresa passa por uma reestruturação profunda, com fechamento de fábricas e demissões em diversos países.
A cooperação entre Nissan e Dongfeng não é nova. As duas montadoras mantêm uma joint venture há mais de 20 anos para fabricar veículos no mercado chinês. O novo passo, no entanto, indica a possibilidade de uso das instalações da Nissan para apoiar a expansão internacional da Dongfeng, especialmente na Europa.
Galeria: Nissan N7 no Salão de Xangai 2025
Segundo Espinosa, a ideia é ampliar a parceria para além do território chinês. “Podemos explorar a colaboração fora da China, convidando-os a participar do nosso ecossistema produtivo. Estamos abertos à cooperação”, afirmou o executivo. A decisão sobre quais fábricas seriam utilizadas, porém, depende da aprovação da montadora chinesa.
A iniciativa pode beneficiar a Dongfeng em um momento em que diversos fabricantes chineses, como BYD e Chery, enfrentam dificuldades para viabilizar operações industriais na Europa. A produção local, além de facilitar a logística e reduzir custos, pode ajudar as empresas a contornar eventuais barreiras comerciais, como tarifas sobre importações.
Entre as unidades da Nissan cotadas para esse tipo de cooperação está a fábrica de Sunderland, no Reino Unido — atualmente a única instalação da marca na Europa. Apesar de não haver confirmação oficial, essa planta é uma das que devem permanecer ativas após a reestruturação anunciada pela Nissan, que prevê o fechamento de 7 das suas 17 unidades e a demissão de cerca de 20 mil funcionários globalmente.
Além da estratégia industrial, a colaboração também se reflete no desenvolvimento de produtos. Um exemplo recente é o sedã elétrico Nissan N7, criado a partir da aliança com a Dongfeng. Lançado na China, o modelo superou 10 mil pedidos nos primeiros 18 dias após sua apresentação. O N7 utiliza plataforma desenvolvida pela joint venture e está disponível com baterias LFP de 58 e 73 kWh, oferecendo até 625 km de autonomia no ciclo CLTC.
O N7 ainda conta com recursos de assistência avançada à condução, como o sistema Momenta, que inclui funções como navegação autônoma em rodovias (NOA) e estacionamento automático. O desempenho comercial do modelo é visto como um sinal positivo em meio ao momento delicado enfrentado pela Nissan, que busca recuperar competitividade e reposicionar sua atuação global.
A eventual produção de veículos Dongfeng em fábricas da Nissan também se insere em um contexto mais amplo de transformação na indústria automotiva, marcada pela eletrificação e por novas alianças estratégicas. A parceria pode representar uma alternativa eficiente para otimizar a capacidade instalada da Nissan e, ao mesmo tempo, acelerar a internacionalização de marcas chinesas no setor de veículos elétricos.
Um exemplo recente de cooperação envolvendo grupos chineses e montadoras tradicionais no Brasil é a joint venture entre Renault e Geely, confirmada recentemente. A parceria prevê a produção de veículos eletrificados com foco em mercados emergentes, e inclui a possibilidade de trazer ao país modelos da marca chinesa por meio da rede da Renault.
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