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Ford compartilha linha de produção de baterias com a Nissan

Fábrica no Kentucky será compartilhada em meio à retração da Ford nos EVs

BlueOvalSK Battery Park em Kentucky (plano)

A Ford decidiu compartilhar uma de suas fábricas de baterias nos Estados Unidos com a Nissan, em mais um sinal de mudança em sua estratégia para veículos elétricos. A decisão ocorre após a montadora acumular prejuízos bilionários no segmento e reflete o cenário atual de menor demanda por elétricos e aumento de custos. A unidade em questão faz parte do complexo BlueOval SK Battery Park, localizado em Glendale, no estado do Kentucky.

O projeto BlueOval SK é uma joint venture entre a Ford e a empresa sul-coreana SK On, voltada para a produção de baterias de íon-lítio com células tipo pouch de alto teor de níquel. A iniciativa previa a construção de duas fábricas, cada uma com capacidade anual de 43 GWh. O investimento total anunciado em 2021 foi de US$ 7 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 39 bilhões na cotação atual. No entanto, apenas uma das fábricas entrou parcialmente em operação. A outra permanece inativa.

Renderização do Centro de Treinamento BlueOval SK da Faculdade Técnica e Comunitária de Elizabethtown (ECTC)

Agora, a fábrica ativa também será utilizada para produzir baterias para a Nissan, que busca alternativas de produção nos EUA para mitigar os impactos de tarifas sobre veículos e componentes importados. A operação ainda não foi oficialmente confirmada pelas empresas envolvidas, mas fontes ligadas ao assunto indicam que a Nissan começará a utilizar parte da capacidade da planta.

Em março, a SK On anunciou um acordo para fornecimento de aproximadamente 100 GWh em baterias para a Nissan entre 2028 e 2033. Esses componentes devem equipar a próxima geração de veículos elétricos da montadora japonesa, cuja produção será concentrada na fábrica de Canton, no estado do Mississippi, a partir de 2028. 

Produção piloto das baterias de estado sólido da Nissan

A medida representa uma reconfiguração significativa da estratégia da Ford, que havia projetado uma expansão agressiva na eletromobilidade. A divisão de elétricos da empresa, conhecida como Model e, registrou prejuízo de US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,8 bilhões) no último trimestre. Em 2024, as perdas acumuladas com veículos elétricos somam US$ 5 bilhões (aproximadamente R$ 26,5 bilhões), e a empresa estima repetir esse resultado em 2025.

A retração da Ford no setor também acompanha movimentos semelhantes de outras montadoras. A General Motors, por exemplo, transferiu uma fábrica de baterias em construção no estado de Michigan para sua parceira LG Energy Solution. Já a Honda reduziu seus investimentos planejados em elétricos e software de € 61 bilhões para € 43 bilhões (de R$ 389 bilhões para R$ 274 bilhões, aproximadamente), além de suspender a construção de uma nova planta no Canadá por dois anos.

O que você pensa sobre isso?

No caso da Nissan, a decisão de utilizar a infraestrutura da Ford representa uma resposta rápida à crise financeira que a empresa enfrenta. Nos primeiros três meses de 2025, a Nissan registrou prejuízo de US$ 4,5 bilhões (R$ 25,5 bilhões), anunciou a demissão de 20 mil funcionários e cancelou os planos de uma nova fábrica de baterias no Japão.

A parceria logística entre Ford e Nissan ocorre em um momento em que o mercado norte-americano de veículos elétricos apresenta desaceleração. Um fator adicional é a proposta do Partido Republicano de revogar o crédito fiscal de US$ 7.500 oferecido a compradores de elétricos, medida apoiada pelo ex-presidente Donald Trump.

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