Elon Musk condena fim de incentivos a carros elétricos sob Trump
Tesla teme impacto do fim de subsídios a elétricos e energia limpa nos EUA
Demorou, mas o CEO da Tesla, Elon Musk, começou a reconhecer publicamente que o governo de Donald Trump e o Partido Republicano podem prejudicar bastante os negócios da empresa nos Estados Unidos. A preocupação está relacionada à retirada de incentivos fiscais voltados à energia limpa e à mobilidade elétrica, setores diretamente ligados às operações da Tesla.
O Congresso norte-americano, sob controle republicano, aprovou um novo orçamento que revoga diversas políticas de estímulo adotadas durante o governo Biden. Entre as mudanças, destaca-se o fim do crédito fiscal de US$ 7.500 (R$ 42.700) na compra de veículos elétricos, considerado fundamental para a competitividade da Tesla no mercado local.
Tesla Cybercab, Salão do Automóvel de Los Angeles de 2024
Outros cortes incluem a eliminação do crédito de 30% para projetos de armazenamento de energia e sistemas solares, afetando diretamente a divisão de energia da Tesla. Além disso, também foram extintos incentivos à produção de baterias nos Estados Unidos, o que impacta a cadeia de suprimentos da montadora.
Em resposta, a Tesla divulgou um comunicado sugerindo que os incentivos sejam eliminados de forma gradual, para evitar riscos à segurança energética e à estabilidade da rede elétrica do país. A empresa defende que a retirada abrupta das medidas comprometerá a expansão de capacidade energética necessária para setores estratégicos, como a inteligência artificial e a indústria doméstica.
Musk compartilhou a nota da Tesla e destacou que, enquanto o governo elimina incentivos à energia limpa, continua a conceder subsídios bilionários ao setor de petróleo e gás. Antes de apoiar Trump, o empresário havia afirmado que só seria favorável ao fim dos incentivos aos veículos elétricos caso os subsídios aos combustíveis fósseis também fossem encerrados.
Recentemente, Musk confirmou sua saída oficial da administração Trump, mas segue sob escrutínio por ter doado cerca de US$ 300 milhões ao ex-presidente. A decisão agora parece ter consequências diretas: os EUA são hoje o último grande mercado onde a Tesla ainda mantém vendas lucrativas. A perda de apoio institucional pode comprometer essa vantagem, especialmente diante da crescente concorrência na China e na retração da demanda no Canadá e Europa.
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