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Incentivo fiscal acabou, mas carros elétricos ainda têm futuro nos EUA

Corte no crédito de US$ 7.500 deve frear o ritmo de adoção nos EUA, mas não impedir a transição energética

Parte dianteira externa do Chevrolet Blazer EV 2024

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou a agenda doméstica do presidente Donald Trump, que inclui o fim do crédito fiscal federal de US$ 7.500 (R$ 40 mil) para veículos limpos e uma série de incentivos à produção. A medida deve entrar em vigor no fim de setembro, tornando os veículos elétricos consideravelmente menos acessíveis. É um golpe para o avanço da mobilidade elétrica no país, mas não será suficiente para detê-la.

A substituição dos carros a combustão por modelos elétricos é inevitável — e já está em andamento. O pico de vendas de veículos puramente a combustão nos EUA ficou para trás: foi em 2017. Desde então, os volumes vêm caindo, e o crescimento recente se deve apenas a híbridos, híbridos plug-in e elétricos.

Tesla Model Y
Foto de: Tesla

Mesmo com a retirada de incentivos em mercados importantes como Alemanha e China, os carros elétricos seguem avançando. Nos Estados Unidos, a retirada dos subsídios parece descompassada, já que a adoção ainda está nos estágios iniciais em muitas regiões. Ainda assim, há exemplos de mercados bem-sucedidos sem incentivos — e o principal motivo é simples: os elétricos são carros melhores.

Eles são mais silenciosos, suaves e, nos casos de modelos bem integrados por software (como os da Tesla e Rivian), oferecem funcionalidades que deixam os veículos convencionais para trás. Plataformas elétricas maduras também têm se mostrado confiáveis e exigem menos manutenção ao longo do tempo. Casos como o do Tesla Model 3 ou Model Y, que podem ultrapassar facilmente os 480 mil km, comprovam isso.

Toyota BZ4x 2024

Por essas e outras razões, donos de EVs raramente voltam aos carros a combustão. A combinação entre operação quase sem custos, ausência de ruído e ótima experiência de uso é difícil de superar.

Desafios persistem

Claro, essa experiência ainda não é acessível a todos. A infraestrutura de recarga nos EUA ainda é desigual — razoável em algumas regiões e muito limitada em outras. A evolução é constante, mas levará tempo até que a rede esteja plenamente confiável para todos.

O preço também continua sendo um obstáculo. Os carros elétricos ainda são mais caros, pois dependem de cadeias de suprimento em fase de maturação, o que encarece a produção. O corte do incentivo fiscal pode, a princípio, dificultar ainda mais a competitividade dos elétricos, mas há quem veja nisso uma oportunidade para a indústria se reinventar.

Quarto traseiro externo do Chevrolet Blazer EV 2024

Muitos dos modelos atualmente encalhados nas concessionárias — como Toyota bZ4X, Volkswagen ID.4 ou mesmo o Chevrolet Blazer EV — são resultado de estratégias ainda imaturas. A ausência dos subsídios pode forçar as montadoras a criar produtos que o público realmente deseje, em vez de depender exclusivamente da disputa por preço.

O sucesso global do Tesla Model Y em 2023 é prova disso: quando bem feitos, os elétricos conquistam o consumidor.

Galeria: Tesla Model Y (2025)

O que você pensa sobre isso?

Embora os recuos regulatórios aliviem a pressão sobre as montadoras americanas, a competição global segue firme. Fabricantes como BMW, Mercedes-Benz e Toyota já enfrentam a concorrência direta de marcas chinesas, até mesmo em seus próprios mercados.

A resposta deve vir em forma de elétricos mais completos, desejáveis e acessíveis, como o novo Mercedes-Benz CLA, o BMW iX3 da plataforma Neue Klasse ou a linha renovada de elétricos da Toyota. Ao mesmo tempo, mais consumidores nos EUA devem se convencer dos benefícios econômicos e da experiência de uso dos elétricos. Pode levar tempo, mas a transformação é inevitável.

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