BYD e grandes fabricantes de baterias na lista negra do Greenpeace
Sete dos dez maiores fabricantes de baterias não têm metas climáticas ou de emissões
Falta de exemplo? A organização ambiental Greenpeace divulgou um novo relatório que coloca a BYD e outros seis grandes fabricantes de baterias de íons de lítio na chamada “lista negra” por não apresentarem metas específicas para reduzir sua pegada de carbono. O levantamento avaliou os dez maiores produtores globais do setor e concluiu que apenas três possuem compromissos concretos com a descarbonização.
Segundo a ONG, a produção de baterias, especialmente para veículos elétricos, é altamente intensiva em energia e responde por emissões significativas de gases de efeito estufa. As duas principais fontes de emissões são o consumo de eletricidade e a fabricação do material catódico. Mesmo com a expansão da mobilidade elétrica, Greenpeace alerta que a ausência de metas pode ampliar a dependência de combustíveis fósseis nos próximos anos.
Galeria: BYD Blade Battery
Atualmente, a BYD ocupa a segunda posição global na produção de baterias, com 16,5% de participação no mercado, atrás apenas da chinesa CATL, que lidera com 38,2%. Apesar da liderança em vendas de carros elétricos e híbridos plug-in, a BYD ainda não definiu metas para adotar energia 100% renovável em suas operações e na cadeia de fornecimento.
Avaliação dos compromissos climáticos dos principais fabricantes de baterias
|
Fabricante |
Participação de mercado |
Compromisso com eletricidade 100% renovável |
Metas de redução na cadeia de suprimentos |
|
CATL |
38,18% |
Sim |
Sim |
|
LG Energy Solution (LGES) |
12,02% |
Sim |
Sim |
|
Panasonic Energy |
4,01% |
Sim |
Sim |
|
CALB |
4,41% |
Sem informação |
Sim |
|
Gotion |
3,21% |
Sem informação |
Sim |
|
Samsung SDI |
3,81% |
Sim |
Sem informação |
|
SK On |
3,11% |
Sim |
Sem informação |
|
Sunwoda |
2,10% |
Sim |
Sem informação |
|
BYD |
16,53% |
Sem informação |
Sem informação |
|
EVE Energy |
2,81% |
Sem informação |
Sem informação |
Entre os fabricantes avaliados, empresas como CATL, LG Energy Solution e Panasonic já estabeleceram compromissos tanto para o uso de energias renováveis quanto para reduzir a pegada de carbono dos fornecedores. Por outro lado, além da BYD, marcas como SK On, Samsung SDI, CALB e EVE Energy aparecem sem metas claras em nenhuma dessas frentes.
O Greenpeace destaca ainda que boa parte da produção de baterias ocorre em países como China e Polônia, onde a matriz energética ainda depende fortemente de carvão e gás natural. Isso aumenta o desafio de garantir que o crescimento da indústria de baterias acompanhe a transição energética global.
“O fornecimento de energia renovável é a ferramenta mais eficaz para dissociar a produção de baterias das redes elétricas poluentes. Sem metas concretas, fica difícil saber se os principais fabricantes estão realmente comprometidos com a descarbonização”, conclui o relatório.
O documento reforça a importância de políticas ambientais mais rígidas e maior transparência no setor, especialmente em um momento de expansão acelerada da eletromobilidade em todo o mundo.
Fonte: Greenpeace
RECOMENDADO PARA VOCÊ
Nem todo híbrido reduz CO₂ no Brasil, mostra estudo do ICCT
CATL e BYD aceleram baterias de estado sólido, mas 2027 será só o começo
Elétricos emitem 87% menos CO2 que carros a combustão no Brasil
Leapmotor A05 mira EX2 e Dolphin Mini por menos de R$ 50 mil
Alemanha se rebela e tenta barrar veto aos motores a combustão na UE
Kombi elétrica da VW finalmente vira motorhome e chega em 2028
Europa acelera na eletrificação para cumprir metas de CO2 – e o Brasil?