Europa acelera na eletrificação para cumprir metas de CO2 – e o Brasil?
Estudo do ICCT revela que, apesar de ainda acima da meta, montadoras europeias eletrificam para reduzir CO2
Um novo relatório do ICCT (International Council on Clean Transportation) revela que, mesmo com as emissões de CO2 dos carros novos vendidos na Europa ainda acima da meta estabelecida para 2025, as montadoras têm acelerado a eletrificação para evitar multas e manter a competitividade. No primeiro semestre do ano, a média das emissões de automóveis vendidos na União Europeia foi de 101 g/km de CO2, cerca de 9% acima do limite legal de 93 g/km, calculado com base nos testes WLTP.
Em teoria, esse excesso deveria gerar multas milionárias — cerca de 95 euros por grama excedente por carro vendido. No entanto, graças a mecanismos de flexibilização aprovados pela União Europeia, as fabricantes poderão compensar resultados abaixo da meta em 2025 com desempenho superior nos anos seguintes, até 2027.
Ford Ranger PHEV 2025 (Europa)
Outro fator-chave é a possibilidade de "pooling", ou seja, o agrupamento de emissões entre diferentes marcas. É o caso da aliança entre Tesla, Stellantis e Toyota, que compartilham seus resultados para reduzir o risco de penalidades. BMW, por sua vez, foi um dos destaques positivos: atingiu exatamente sua meta ajustada de 93 g/km, graças à forte presença de modelos elétricos e híbridos plug-in na sua linha.
Já o Grupo Volkswagen enfrenta desafios: suas emissões médias ficaram em 105 g/km, bem acima do seu limite individual de 92 g/km, mesmo com o crescimento das vendas de veículos elétricos de marcas como Audi, Cupra e Skoda. Isso indica que, apesar dos avanços, as vendas de modelos a combustão ainda puxam para cima as emissões médias da frota.
E o Brasil?
Enquanto a Europa avança com metas obrigatórias, penalidades e relatórios públicos detalhados, o Brasil ainda não possui uma política nacional de controle de emissões médias de CO2 por montadora. O que existe por aqui é o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), que informa os dados de consumo energético e emissões por modelo, mas não compila os dados por fabricante nem estabelece metas anuais de redução.
Também não há penalidades por excesso de emissões médias, nem sistemas de compensação ou agrupamento de resultados como ocorre na Europa. O resultado é um ritmo mais lento na transição energética do setor automotivo.
Segundo dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), a participação dos veículos elétricos (BEVs) nas vendas totais no Brasil gira em torno de 2,5% em 2025, com os híbridos plug-in e híbridos convencionais somando cerca de 6% do mercado. Números ainda distantes da realidade europeia, acima de 20% na soma dos eletrificados.
FAQ: Metas de Emissões de CO₂ na Europa e no Brasil
O que é o limite de emissões de CO₂ para carros na Europa?
A União Europeia estabeleceu um limite médio de emissões de 93 g de CO₂ por quilômetro para veículos novos vendidos a partir de 2025. Esse valor é medido pelo ciclo WLTP e é ajustado conforme o peso médio da frota de cada fabricante.
As montadoras estão cumprindo essas metas?
No primeiro semestre de 2025, a média das emissões de CO₂ dos carros novos na Europa foi de 101 g/km, ou seja, 9% acima do limite. No entanto, graças a regras de flexibilização, as fabricantes podem compensar resultados fracos em 2025 com desempenho melhor em 2026 e 2027, evitando multas imediatas.
O que é o sistema de "pooling" entre fabricantes?
"Pooling" permite que fabricantes agrupem suas emissões médias para cumprir as metas em conjunto. Por exemplo, Tesla, Stellantis e Toyota formaram um pool para equilibrar suas emissões. Isso ajuda marcas com maiores emissões a se beneficiarem do desempenho de fabricantes com frotas mais limpas.
Existe um sistema parecido no Brasil?
Não. O Brasil ainda não tem metas obrigatórias de emissões médias de CO₂ por fabricante nem sistema de penalidades. Os dados de emissões são divulgados por modelo no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), mas não há limite anual obrigatório para montadoras.
Qual a participação dos veículos elétricos no Brasil e na Europa?
Na Europa, a participação dos veículos 100% elétricos (BEVs) já ultrapassa 16% das vendas em 2025. No Brasil, os BEVs representam cerca de 2,5% do mercado total, com híbridos e plug-in somando cerca de 6%, refletindo o ritmo mais lento da eletrificação.
Por que o Brasil está atrás da Europa nessa transição?
A ausência de metas obrigatórias, penalidades e sistemas regulatórios específicos limita o avanço da eletrificação no Brasil. Além disso, o mercado nacional ainda tem forte presença dos veículos flex a combustíveis fósseis, o que mantém as emissões médias mais elevadas.
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