Toyota diz que só o elétrico não basta para atingir neutralidade de carbono
Montadora mantém estratégia multialimentação e aposta também em híbridos, hidrogênio e combustão eficiente
A Toyota reforçou mais uma vez que, para atingir a neutralidade de carbono, não acredita que a eletrificação total seja a única solução viável. A montadora japonesa mantém a estratégia multialimentação, combinando veículos elétricos a bateria (BEV), híbridos, movidos a hidrogênio e até modelos a combustão, mas com nova geração de motores mais eficientes e sustentáveis, além de combustíveis alternativos.
Na visão da marca, enquanto a União Europeia avança em regulamentações que priorizam os elétricos como principal resposta para reduzir as emissões de CO₂ no setor de transportes, o cenário global é mais complexo. Como maior fabricante de automóveis do mundo, a Toyota precisa atender às particularidades de cada mercado.
Toyota RAV4 GR-Sport 2026
Akio Toyoda, presidente do grupo, já defende há anos a diversificação tecnológica, apesar das críticas recebidas. Em participação no congresso da Automotive News Europe, Andrea Carlucci, vice-presidente de Estratégia de Produto e Marketing da Toyota Europa, reafirmou a posição: “Não devemos excluir nada. Vamos explorar tecnologias novas, como o hidrogênio líquido. Há clientes que não querem abrir mão do som e da adrenalina de um motor a combustão”.
Por ora, o híbrido segue como carro-chefe da marca. Na Europa, cerca de 80% das vendas da Toyota são de modelos híbridos, percentual que deve subir para 90% com a chegada do Aigo X híbrido. A empresa também busca ampliar as vendas de elétricos puros no continente, mas reconhece que há grandes diferenças entre mercados — enquanto no norte da Europa a adoção é alta, países como Itália e Espanha ainda têm números baixos. “É nosso dever atender à demanda de cada mercado, mas não promoveríamos elétricos onde não há procura”, afirmou Carlucci.
Galeria: Toyota Kenshiki Forum 2023
Além da estratégia comercial, existe um fator regulatório: evitar multas pesadas da União Europeia por emissões acima do limite. Para isso, a Toyota firmou um acordo com a Tesla, comprando créditos de emissões para compensar sua média de CO2. A prática funciona no curto prazo, mas, segundo a própria empresa, não é uma solução permanente.
Toyota Prius 2025
Outro desafio vem da China, onde as fabricantes locais apresentam um ritmo de inovação e lançamento de novos modelos muito mais rápido que o das marcas tradicionais. “Precisamos garantir que, com as próximas gerações de veículos, seremos competitivos e atenderemos às necessidades de um novo perfil de motorista”, disse Carlucci. No caso da Toyota, a resposta passa por investir em tecnologia, serviços digitais e múltiplas opções de propulsão.
No Brasil, a estratégia multialimentação da Toyota tem se materializado principalmente na expansão dos híbridos flex. O exemplo mais recente é o Yaris Cross, que será apresentado em outubro com motor híbrido flex e produzido em Sorocaba (SP). A empresa também anunciou novos investimentos na fábrica, reforçando o foco nessa tecnologia, que combina a eficiência elétrica com a versatilidade dos biocombustíveis, sem previsão de apostar em carros elétricos puros no curto prazo.
RECOMENDADO PARA VOCÊ
Depois do bZ4X, Toyota pode apostar em outros elétricos no país; veja as opções
Novo Smart #2 elétrico é flagrado na China antes do lançamento
Toyota desmonta uma das maiores críticas aos híbridos plug-in
ID.4: dias após lançamento no Brasil, VW já detalha seu sucessor
Toyota insiste no hidrogênio, mas abandona carros de passeio
Novo VW Polo elétrico mais barato é apresentado por R$ 149 mil
Toyota quer repensar onde fica a bateria nos carros elétricos