SUVs elétricos atrapalham, sedãs ganham: VW explica segredo da aerodinâmica
Engenheiros mostram por que soluções simples são mais eficientes que maçanetas retráteis e câmeras de retrovisores
A aerodinâmica sempre foi um elemento essencial para tornar os carros mais eficientes, mas no caso dos elétricos seu papel é ainda maior. Segundo engenheiros da Volkswagen, cerca de 42% do consumo de energia de um veículo depende de como o ar se comporta em torno da carroceria. Por isso, a marca alemã abriu pela primeira vez os laboratórios de Wolfsburg para explicar como trabalha na redução do arrasto aerodinâmico e quais escolhas toma diante das soluções adotadas pela concorrência.
Na prática, a forma da carroceria é responsável por 47% da resistência ao ar, seguida das caixas de roda (31%), fluxo sob o carro (12%), motor e grade dianteira (7%) e retrovisores externos (3%). Embora detalhes como limpadores de para-brisa e calhas de escoamento de água também impactem, o desafio é equilibrar custo, design e eficiência.
Galeria: Volkswagen ID.7 2025
Nada de maçanetas retráteis
Enquanto rivais como Tesla e outras marcas apostam em maçanetas retráteis e câmeras no lugar dos retrovisores, a Volkswagen prefere manter soluções convencionais. De acordo com o chefe de pesquisas Waldemar Maister, os espelhos ainda oferecem melhor percepção de profundidade para o motorista e evitam o consumo extra de energia dos sistemas de câmeras. Já as maçanetas embutidas trazem pouco ganho real de autonomia — no máximo algumas centenas de metros — ao custo de portas mais espessas e complexas.
Outro ponto é a altura do veículo. Quanto mais baixo, menor a resistência ao ar. Porém, os SUVs dominam o mercado global, e essa preferência do consumidor vai contra os princípios da aerodinâmica. “Do ponto de vista técnico, uma frente baixa é o ideal, mas é justamente o oposto do que acontece com os SUVs”, admite Maister.
O desenvolvimento de novos modelos passa por várias etapas. Primeiro, protótipos em argila são moldados e constantemente ajustados. Em paralelo, softwares de simulação avaliam o fluxo de ar. Mas o trabalho principal continua sendo feito na gigantesca túnel de vento da VW, equipada com ventilador de oito metros de altura e capaz de simular velocidades de até 250 km/h. A atual instalação entrou em operação em 2020 e já ajudou a criar o ID.7, sedã elétrico que alcança coeficiente aerodinâmico (Cx) de apenas 0,23.
Esse trabalho foi fundamental para atingir a meta de 709 km de autonomia no ciclo WLTP, a maior já registrada em um modelo da Volkswagen. “Queríamos pela primeira vez superar a barreira dos 700 km, e conseguimos graças à eficiência aerodinâmica”, explica o engenheiro.
Se em carros a combustão a aerodinâmica ajuda a reduzir o consumo de combustível, nos elétricos o efeito é ainda mais evidente: menos arrasto significa mais quilômetros com a mesma carga de bateria. É por isso que fabricantes como Mercedes-Benz (com o EQS, Cx 0,20) e Tesla (Model S, Cx 0,208) também investem pesado nessa área.
Para a Volkswagen, a disputa é encontrar soluções que equilibrem custo, praticidade e eficiência. Mesmo que espelhos convencionais e calhas de escoamento de água pareçam antiquados, a marca garante que ainda são o melhor compromisso entre conforto, durabilidade e preço. Afinal, o objetivo é que os veículos permaneçam acessíveis e com desempenho sólido por mais de uma década.
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