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Montadoras chinesas têm 10% do mercado e já são a 4ª força no Brasil

Fenabrave e Bright Consulting mostram avanço chinês, que supera Hyundai e Toyota e ameaça a GM no Brasil

BYD Song Plus vs. GWM Haval H6 PHEV19
Foto de: Motor1.com

A presença das montadoras chinesas no Brasil deixou há tempos de ser uma tendência para se tornar uma realidade consolidada. Uma análise dos dados de agosto de 2025 da Fenabrave e da Bright Consulting mostra que, somadas, as fabricantes da China já representam a quarta maior força no mercado nacional de automóveis e comerciais leves, superando marcas históricas como Hyundai e Toyota e ameaçando a General Motors pelo terceiro lugar.

Esse avanço é simbólico porque ocorre em um mercado tradicionalmente dominado pelas três grandes — Fiat, Volkswagen e GM — que, por décadas, dividiram o pódio quase sem contestação. Agora, um novo bloco começa a redesenhar esse equilíbrio, mas com novas estratégias e uma abordagem bem diferente.

Caoa Chery Tiggo 8 Pro Plug-in Hybrid (2)

O verdadeiro tamanho do “grupo China”

Ao reunir a participação individual das principais marcas chinesas, o resultado revela um desempenho expressivo:

  • BYD: 4,6% (Bright) | 4,58% (Fenabrave – leves)

  • CAOA Chery: 3,2% (Bright – estimativa) | 3,15% (Fenabrave – leves)

  • GWM: 2,1% (Bright) | 1,83% (Fenabrave – leves)

  • Outras (Jac, Omoda-Jaecoo, etc.): ~0,5% (estimativa)
Teste - Jaecoo 7 PHEV26
Foto de: Motor1 Brasil

No total, a participação fica entre 9,8% e 10,4% do mercado, praticamente empatada com a GM (10,2%). Mais do que apenas um número, trata-se de um sinal de maturidade: os chineses deixaram de ser vistos como “novatos” e agora disputam espaço com as marcas que moldaram a indústria automobilística brasileira ao longo do último século.

E esse avanço não pode ser explicado apenas por preços competitivos. Há uma estratégia clara, com duas frentes principais:

  • Eletrificação: as marcas chinesas construíram um domínio quase absoluto no segmento de eletrificados. A BYD responde sozinha por cerca de 74% das vendas de carros elétricos (BEVs), enquanto a GWM assumiu a dianteira entre os híbridos plug-in (PHEVs), com destaque para o sucesso do Haval H6. Na prática, foram elas que, junto com a Caoa Chery, criaram o mercado de eletrificação plug-in no Brasil e hoje colhem os frutos de terem saído na frente.

  • Produção local: a instalação de fábricas em território brasileiro foi decisiva para reduzir custos e consolidar a presença de longo prazo. A BYD em Camaçari (BA), a GWM em Iracemápolis (SP) e a Chery em Anápolis (GO) mostram que a estratégia vai muito além da importação de modelos prontos. Esses investimentos geram empregos, atraem fornecedores e transmitem confiança ao consumidor e ao governo.

Participação no mercado de eletrificados (agosto/2025)

  • BYD: 74% dos BEVs vendidos no Brasil

  • GWM: líder em PHEVs com o Haval H6

  • CAOA Chery: aposta no híbrido flex e prepara linha renovada

  • Omoda & Jaecoo, GAC, Zeekr e Geely: acelerando com modelos plug-in após a estreia
  • Outras (Leapmotor): início de operações previsto para 2025/2026

*No total, as chinesas respondem por mais de 8 em cada 10 veículos eletrificados vendidos no país.

Geely EX5 2025
Foto de: Divulgação

Ranking do mercado brasileiro (agosto/2025)

  1. Fiat – 21,2%
  2. Volkswagen – 18,3%
  3. General Motors – 10,2%
  4. “Grupo China” – 9,9-10,4%
  5. Hyundai – 7,9%
  6. Toyota – 7,3%

O ranking deixa claro que, se consideradas como um único grupo, as marcas chinesas já superam rivais tradicionais e se aproximam rapidamente do pódio.

Inauguração fábrica GWM em Iracemápolis (SP)
Foto de: GWM

Diferenças entre Fenabrave e Bright

A Bright Consulting apontou 9,9% para o conjunto de marcas chinesas em agosto, enquanto os dados da Fenabrave indicam 10,4%. A diferença, de cerca de 0,5 ponto percentual, pode ser explicada pela metodologia de cálculo — como a inclusão ou exclusão de algumas marcas de nicho. Apesar disso, as duas leituras convergem para a mesma conclusão: a força chinesa no nosso mercado automotivo já é impossível de ignorar.

Principais fábricas chinesas no Brasil

  • BYD — Camaçari (BA): produção de híbridos plug-in, elétricos; início em breve

  • GWM — Iracemápolis (SP): SUV híbrido Haval H6, H9 e futuros híbridos; expansão em andamento

  • CAOA Chery — Anápolis (GO): modelos a combustão, híbridos e previsão de novos eletrificados

*A produção local é parte central da estratégia: reduz custos de importação, fortalece a cadeia de fornecedores e mostra que a aposta chinesa é de longo prazo.

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O que vem pela frente

Com novos lançamentos e crescimento de marcas como GAC, Geely, Omoda-Jaecoo e Zeekr, nos próximos meses e fábricas ainda ampliando sua capacidade, a tendência é de crescimento acelerado. Além disso, a procura por eletrificados avança em ritmo mais acelerado que o mercado geral, o que favorece diretamente os chineses. A expectativa é que, em breve, o “grupo China” ultrapasse a GM e se consolide como a terceira maior força do mercado nacional, transformando de forma irreversível o cenário automotivo.

Fontes: Fenabrave e Bright Consulting

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