Estudo mostra que carros da China já superam EUA em preferência na Europa
Pesquisa indica que 47% dos europeus considerariam um carro chinês, contra 44% para os americanos
A presença das marcas chinesas na Europa vem crescendo a passos largos e começa a mudar a percepção do consumidor no continente. Um levantamento da consultoria Escalent revela que, pela primeira vez, os carros chineses superaram os americanos em interesse entre os europeus.
De acordo com a pesquisa, realizada entre maio e julho de 2025 no Reino Unido, Alemanha, França, Espanha e Itália, 47% dos entrevistados disseram considerar a compra de um carro chinês. Já os modelos americanos foram apontados por 44% do público, mostrando uma inversão em relação a 2024, quando 51% dos consumidores estavam dispostos a considerar um carro dos EUA, contra 31% que cogitavam marcas chinesas.
Galeria: BYD Dolphin Surf (2025)
O estudo também mostra um avanço na confiança nos produtos chineses. Embora ainda baixa, a taxa subiu de 12% para 19% em apenas um ano, aproximando-se dos 24% registrados pelos americanos, que caíram em relação aos 31% do ano passado. Para os analistas, fatores geopolíticos, como disputas comerciais e tensões diplomáticas, ajudam a explicar a queda na percepção sobre os Estados Unidos.
Apesar do ganho de espaço, as marcas chinesas ainda enfrentam barreiras. Uma ampla maioria dos entrevistados — 72% — acredita que os carros chineses devem custar menos do que os modelos já comprados, enquanto apenas 13% estariam dispostos a pagar mais por um produto chinês, mesmo que tivesse desempenho ou qualidade superiores. Isso indica que fabricantes como MG e BYD, que oferecem modelos mais acessíveis, como MG 4 e Dolphin, têm mais chances de conquistar mercado. Já iniciativas de luxo, como a da Aito com o SUV M9, avaliado em até US$ 80 mil, podem encontrar resistência diante de concorrentes consolidados, como Mercedes-Benz e BMW.
GAC Aion V na Europa
Os dados reforçam a importância do Salão de Munique (IAA), que em 2025 voltou a ser palco para uma série de estreias chinesas na Europa. GAC, por exemplo, anunciou planos de lançar o Aion V no continente, ampliando a lista de fabricantes que enxergam oportunidade em mercados maduros.
Nio Firefly EV
Embora a pesquisa não explique por completo a perda de interesse pelos carros americanos, a falta de opções acessíveis também pesa. Com exceção da Tesla, as marcas dos Estados Unidos têm portfólio limitado na Europa, o que reduz sua visibilidade em segmentos estratégicos.
O estudo completo da Escalent será divulgado até o fim do trimestre, mas já deixa claro que a balança começa a pender a favor das montadoras chinesas em um dos mercados mais competitivos do mundo.
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