GWM anuncia supercarro híbrido para 2026 e mira Ferrari pela metade do preço
Modelo com até 1.000 cv marca virada estratégica da GWM e segue tendência chinesa nos supercarros
A GWM, conhecida no Brasil por modelos como o Haval H6, o elétrico Ora 03 e o recém-lançado Tank 300, prepara um movimento ousado para 2026. A marca chinesa anunciou o desenvolvimento de seu primeiro supercarro, um híbrido plug-in com desempenho estimado em 1.000 cv e preço projetado em cerca da metade do que custa uma Ferrari SF90. A iniciativa marca uma guinada estratégica para uma montadora que até então se consolidava no mercado com SUVs e picapes.
O modelo que aparece na imagem de destaque é uma projeção baseada no projeto vem sendo conduzido há cinco anos e ganhou forma com a criação do “Ultra Luxury Vehicle Business Group”, uma divisão interna voltada exclusivamente a modelos de ultraluxo. O grupo é liderado pelo próprio presidente da GWM, Wei Jianjun, que descreveu a novidade como “o primeiro esportivo verdadeiro da China”. Para reforçar o desenvolvimento, a empresa trouxe profissionais internacionais de design e engenharia, além de colocar nomes experientes em cargos de comando, como o ex-vice-presidente de tecnologia Song Dongxian (CEO) e Zhang Xiaobo (CTO).
Os primeiros indícios de que a GWM trabalhava em um supercarro surgiram em julho de 2025, durante uma sessão de fotos que celebrava os 35 anos da empresa. À época, chamou a atenção a presença de um veículo coberto, com proporções baixas e largas, remetendo a um esportivo de alto desempenho. Mais tarde, executivos da marca confirmaram que o modelo está sendo desenvolvido tendo a Ferrari SF90 como referência.
Embora os detalhes técnicos ainda não tenham sido confirmados oficialmente, especulações da imprensa chinesa apontam que o supercarro deve adotar um motor V8 4.0 biturbo combinado a um propulsor elétrico em configuração híbrida plug-in. O conjunto entregaria potência combinada em torno de 1.000 cv, aceleração de 0 a 100 km/h em menos de três segundos e velocidade máxima superior a 350 km/h. Caso os números se confirmem, o desempenho colocaria o GWM lado a lado com os principais supercarros europeus.
BYd Yangwang U9
O preço, no entanto, é o que mais chama a atenção. Estimado em cerca de 2 milhões de yuans (aproximadamente US$ 280 mil), o supercarro da GWM custaria praticamente metade do valor de uma Ferrari SF90 no mercado chinês. A estratégia da marca combina foco em desempenho e uso de materiais avançados com rígido controle de custos, buscando entregar uma proposta competitiva sem abrir mão da exclusividade.
Xiaomi SU7 Ultra
A entrada da GWM nesse segmento acompanha um movimento mais amplo da indústria automotiva chinesa, que nos últimos anos passou a investir em veículos de altíssimo desempenho. Modelos como o Yangwang U9, da BYD, e o SU7 Ultra, da Xiaomi, mostram que os fabricantes locais já não se contentam em disputar apenas os mercados de volume, mas querem também rivalizar no território simbólico dos supercarros.
No Brasil, sequer podemos falar de chegada dessa novidade, mas a iniciativa pode ter reflexos indiretos. A presença consolidada da GWM no país, agora com três linhas distintas de produtos (Haval, Ora e Tank), ganha um reforço importante em termos de imagem global. Se até recentemente a marca era associada exclusivamente a SUVs e picapes, a entrada no universo dos supercarros pode ajudar a reposicionar a fabricante no imaginário do consumidor.
Mais do que o lançamento de um novo produto, o supercarro da GWM simboliza o avanço tecnológico da indústria chinesa. A estratégia deixa claro que os fabricantes locais buscam não apenas competir em preço ou volume, mas também conquistar espaço em segmentos tradicionalmente dominados por marcas europeias de prestígio. Agora é aguardar pelos próximos desenvolvimentos e o resultado final desse projeto.
Fonte: CarNewsChina
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