Com tarifa dinâmica, carros elétricos podem ajudar o sistema elétrico
Especialistas explicam como preços de energia adequados permitem que EVs contribuam para a rede
O crescimento da frota de veículos elétricos no Brasil desperta debates sobre seu impacto na operação do Sistema Interligado Nacional (SIN). Especialistas ouvidos pela Agência iNFRA destacam que os carros elétricos poderiam contribuir para a rede elétrica ao consumir o excesso de energia durante o dia, especialmente a solar, mas isso depende de sinais de preço adequados, como tarifas horárias que incentivem o carregamento nos momentos de maior oferta.
O professor Edvaldo Santana, da UFSC e ex-diretor da ANEEL, explica que o ideal é aproveitar o excedente de energia solar do meio do dia, permitindo que os veículos elétricos carreguem suas baterias nesse período. Já Luiz Barroso, CEO da PSR e ex-presidente da EPE, reforça que os carros conectados à rede podem atuar como baterias distribuídas, armazenando energia gerada por solar ou eólica e liberando-a nos horários de maior demanda, ajudando a reduzir picos de consumo.
Atualmente, entretanto, a maioria dos proprietários carrega seus veículos à noite, motivados principalmente pela comodidade, como destaca a BYD Brasil. No cenário ideal, diz Barroso, os donos de veículos poderiam responder automaticamente às variações de preço, carregando ou devolvendo energia ao sistema conforme o custo da eletricidade, tecnologia já aplicada em alguns países por meio de aplicativos.
Para que os carros elétricos realmente contribuam com o SIN, é preciso planejar não apenas a geração, mas também a distribuição da energia. A economista Joisa Dutra, da FGV-Ceri e ex-diretora da ANEEL, destaca que a capacidade de ajudar depende de flexibilidade da demanda e de incentivos adequados, citando mecanismos como a Resposta da Demanda, já utilizada por grandes consumidores industriais.
No debate sobre armazenamento, os veículos elétricos surgem como complemento às baterias estacionárias (BESS), oferecendo soluções descentralizadas para equilibrar a rede. Tecnologias como o V2G (Vehicle to Grid) permitem que a energia armazenada nos carros seja injetada de volta na rede nos horários de pico, otimizando o uso de energia renovável.
Com a criação da Secretaria de Eletromobilidade no MME, anunciada pelo ministro Alexandre Silveira, o Brasil pretende acompanhar experiências internacionais, adotando equipamentos e regras que permitam maximizar o uso inteligente dos carros elétricos, aproveitando momentos de preço baixo e contribuindo para a estabilidade da rede elétrica.
Fonte: Agência Infra
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