Novo BYD Dolphin no flagra: todas as mudanças que chegam no ano que vem
Modelo vendido na China já tem ADAS de última geração e nova opção de motor
Na última sexta-feira, nosso piloto de testes, David Costa, flagrou um BYD Dolphin renovado, ainda coberto por camuflagem, na Rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo. Esse facelift, que chegará ao Brasil em 2026 (com direito à montagem do carro na Bahia), já não é novidade na China, onde estreou em março passado. E foi numa concessionária na cidade de Zhengzhou que pudemos conhecê-lo de perto e sem disfarces.
Os faróis e o “bigode” dianteiro — que eram a parte mais acanhada do Dolphin original, lançado em 2021 — cresceram. Perderam um pouco de originalidade, mas ganharam muito em presença, impondo-se mais. A parte central de plástico transparente agora abriga um radar (falaremos disso adiante) e se projeta um pouquinho abaixo da base dos faróis.
Outro ponto que perdeu um pouco da originalidade foi o para-choque dianteiro. Aquelas pequenas abas coloridas, que remetiam a elementos de uma asa dianteira de Fórmula 1, saíram de cena, dando lugar a um desenho simplificado, meio sem sal.
E repare que, no alto do para-brisa, ali atrás do retrovisor, há três câmeras — indicando que esse Dolphin traz assistentes semi-autônomos bem evoluídos. Mas espere mais um pouco que trataremos desse assunto mais adiante.
No perfil, o desenho não foi modificado. O que se vê de novidade são sensores de estacionamento nas laterais dos para-choques, bem como pequenas peças em preto brilhante nos para-lamas, abrigando câmeras laterais. Não pense que acabou: na base dos retrovisores externos há mais câmeras!
As rodas mantêm o desenho que já conhecemos. As medidas de pneus tampouco mudaram: 195/60 R16 nas configurações de entrada e 205/50 R17 na topo de linha (na China são três versões, pela ordem: Zìyóu, Shíshàng e Qíshì — algo como “Livre”, “Estilo” e “Cavaleiro”, daqueles de armadura medieval…).
Traseira chata
Na traseira, sai de cena o “Build your dreams” por extenso e entra o logotipo BYD. A tampa do porta-malas está menos abaulada e mais chata, enquanto as lanternas passam a ter um desenho mais irregular em sua parte inferior. O para-choque também está diferente, com menos elementos verticais e com os refletores de uso obrigatório no país.
Agora, todas as versões na China têm as mesmas dimensões: 4,28 m de comprimento, 1,77 m de largura e 1,57 m de altura, além do entre-eixos de 2,70 m — as mesmas do Dolphin Plus já vendido aqui. Para o público chinês, porém, isso significou um aumento do comprimento externo, já que antes o modelo só era oferecido por lá em configurações mais curtas (equivalentes ao Dolphin básico que temos no Brasil).
Por dentro, o Dolphin mudou mais do que por fora. Aquela prateleira no centro do painel, logo abaixo da central multimídia, foi eliminada, facilitando o acesso ao console e abrindo espaço para os comandos dos ADAS e um carregador de celular por indução.
Com isso, o botão do seletor da transmissão foi trocado por uma alavanquinha mais convencional, na coluna de direção. No console agora também há espaço para uma geladeirinha que mantém temperaturas de até -6 ºC.
A telinha do quadro de instrumentos, que era de 5”, cresceu para 8,8”, mas a tela central continua a ser de 12,8 polegadas. A parte superior do tablier recebeu materiais mais suaves ao toque. Já o volante parece o mesmo de antes, mas suas teclas de comando estão diferentes e há mais capricho na forração do aro.
Os bancos são novos, com apoios de cabeça separados dos encostos e muito bem forrados. O material imita couro, tem tons claros (ao menos no carro que examinamos na loja) e é todo furadinho para evitar a transpiração. Falando nisso, o topo de linha agora traz saídas de ar-condicionado para o banco traseiro.
Aos motores que já conhecemos aqui — de 95 cv no Dolphin básico e 204 cv na versão Plus — foi acrescentada uma opção intermediária, de 176 cv e 29,5 kgfm de torque. Mas ainda não foi desta vez que o hatch ganhou a tão falada versão híbrida.
As baterias continuam basicamente as mesmas que conhecemos aqui, com capacidade de 45 kWh nas duas versões mais simples e 60,5 kWh no topo de linha. A potência máxima de recarga (DC) dessas baterias é que melhorou: dos atuais 60 e 80 kW para 80 e 110 kW, respectivamente.
Olho de Deus
A novidade mais significativa está no pacote de assistência à condução, forma de superar as reiteradas críticas em relação aos ADAS da BYD. Batizado de God’s Eye C (ou DiPilot 100), o sistema tem como base um conjunto de 29 sensores que trabalham de forma integrada a um processador NVIDIA Drive Orin-N (84 TOPS) de última geração.
Um destaque é o módulo de três câmeras instalado atrás do para-brisa, arranjo que permite detecção de longo alcance, leitura de sinais de trânsito e percepção de profundidade. O pacote inclui ainda quatro câmeras de visão periférica com lente olho-de-peixe, responsáveis pela visão em 360 graus para manobras de baixa velocidade, além de outras câmeras laterais e traseiras que monitoram pontos cegos e faixas adjacentes.
A parte de radar integra cinco sensores de ondas milimétricas — um frontal de longo alcance e quatro posicionados nos cantos dos para-choques, úteis para alertas de tráfego cruzado e detecção lateral. Somam-se a eles 12 sensores ultrassônicos, distribuídos ao redor do carro para medições precisas de distância durante estacionamento.
Galeria: Novo BYD Dolphin 2027 na China
Mais que um simples assistente de faixa ou controle de cruzeiro adaptativo (ACC), a função NOA (Navigation on Autopilot) é um sistema de condução assistida ponto a ponto em rodovias. Em vias mapeadas, o God’s Eye C é capaz de entrar ou sair de acessos conforme o trajeto definido no navegador, mudar de faixa automaticamente para ultrapassar veículos mais lentos e até fazer pequenos desvios dentro da própria faixa para contornar caminhões grandes ou cones de obras — sempre com supervisão do motorista, que permanece responsável pela condução.
Para uso urbano ou manobras de garagem, o pacote inclui estacionamento automático em vagas perpendiculares, paralelas ou em ângulo. Em segurança ativa, o AEB (frenagem autônoma de emergência) foi aprimorado para atuar em velocidades mais altas e reconhecer ciclistas e pedestres com mais precisão, até mesmo à noite. O sistema também identifica semáforos e exibe sua situação no painel, alertando o condutor caso esteja prestes a avançar um sinal vermelho.
Um espanto, em se tratando de um carrinho popular para os padrões chineses. E aí chegamos à parte que mais dá inveja a quem está aqui do outro lado do mundo. A versão básica não teve aumento de preço na China e continua a custar 99.800 yuans (ou R$ 75.200 na conversão direta). O Dolphin intermediário, que usa o novo motor de 176 cv, sai por 109.800 yuans (R$ 82.750). Já o topo de linha ficou até um pouco mais barato que antes: 125.800 yuans (R$ 94.800). Não à toa, os chineses estão aderindo em massa aos elétricos.
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