BYD alerta que nem todas as novas marcas chinesas ficarão no Brasil
VP da BYD no Brasil afirma que aumento da concorrência deve levar à consolidação do mercado
Nem todas as novas montadoras chinesas que estão chegando ao Brasil devem permanecer no mercado. A avaliação é do vice-presidente sênior da BYD no país, Alexandre Baldy, que vê uma fase de consolidação à medida que a concorrência aumenta.
A rápida chegada de novas montadoras chinesas ao Brasil deve tornar o mercado automotivo ainda mais competitivo nos próximos anos. Mas, segundo executivos da BYD, esse movimento também pode levar a uma fase de consolidação, em que nem todas as marcas conseguirão se estabelecer no país.
“Tem muita marca chegando ao Brasil, mas acredito que algumas não vão ficar”, afirmou o executivo ao comentar o cenário competitivo do setor.
A declaração ocorre em um momento de expansão acelerada da presença chinesa na indústria automotiva brasileira. Dados apresentados pela própria BYD indicam que o país já conta atualmente com 35 marcas atuando no mercado, sendo 11 delas chinesas.
Nos últimos anos, fabricantes como BYD, GWM, Chery, Omoda e Jaecoo ampliaram suas operações no país, enquanto outras empresas também avaliam entrada ou expansão no mercado brasileiro.
Para Baldy, a sobrevivência dessas montadoras dependerá principalmente da capacidade de atingir escala de vendas e consolidar operações locais.
“Para uma montadora, é muito importante atingir escala. Sem escala, você não gera benefícios e não justifica o investimento em uma fábrica”, afirmou.
Produção em Camaçari avança
Parte dessa estratégia passa pela operação industrial da BYD no Brasil. A empresa já iniciou a montagem de veículos em Camaçari, na Bahia, em regime SKD (semi knocked down), etapa inicial que utiliza kits importados para montagem local.
Segundo a empresa já havia anunciado, e Baldy reforçou na apresentação, o projeto prevê um avanço gradual da produção nos próximos meses, com a inclusão de processos industriais completos na planta baiana.
“A fábrica já está montando carros em Camaçari e, muito em breve, teremos também as etapas de estamparia, solda e pintura”, afirmou Baldy durante o evento.
A expectativa da empresa é ampliar gradualmente o nível de nacionalização dos veículos produzidos no Brasil, incluindo também a integração de fornecedores locais.
“Queremos desenvolver fornecedores brasileiros e aumentar cada vez mais o conteúdo local dos carros produzidos aqui”, acrescentou o executivo.
Galeria: BYD - carros elétricos em Camaçari
A BYD acredita que alcançar escala rapidamente será decisivo em um mercado que deve se tornar ainda mais disputado com a chegada de novas montadoras. Hoje, a empresa já figura entre as maiores do setor no país. Em 2025, a marca ultrapassou 112 mil carros emplacados, resultado que a colocou na sétima posição entre as montadoras do mercado brasileiro.
Com a ampliação da produção local e a chegada de novos modelos, a BYD tenta consolidar sua posição antes que a nova onda de fabricantes chinesas intensifique ainda mais a disputa por participação no setor automotivo nacional.
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