Geely desafia BYD com recarga de 1,5 MW e 10–80% em 7 minutos
Rede da Geely já supera 2 mil estações e valida recarga de megawatt com o Zeekr 001 na linha 2026
Depois da BYD, agora é a vez da Geely entrar na corrida da recarga megawatt. O grupo chinês anunciou a expansão de sua rede própria de carregadores, capaz de atingir 1.500 kW (1,5 MW), em mais um capítulo da disputa tecnológica entre as gigantes da mobilidade elétrica.
Segundo dados de infraestrutura divulgados pelo portal Autohome, a rede da Geely soma atualmente 2.103 estações distribuídas por 215 cidades da China, incluindo 6.269 pontos instalados em áreas de serviço de rodovias. O movimento reforça a estratégia da empresa de disputar diretamente com a BYD a liderança tecnológica na nova fase da recarga elétrica.
Zeekr - recarga megawatt de 1,5 MW
A potência máxima de 1,5 MW foi demonstrada usando o Zeekr 001 modelo 2026, equipado com a bateria própria da marca chamada Golden Battery, com taxa de recarga classificada em 12C.
Nos testes, o modelo conseguiu elevar o nível de carga de 10% para 80% em aproximadamente sete minutos, um tempo que começa a aproximar a experiência de recarga elétrica do reabastecimento de veículos a combustão em cenários ideais.
Para alcançar esse desempenho, o Zeekr utiliza uma arquitetura elétrica de 900 volts, permitindo corrente próxima de 1.488 amperes. Essa solução busca reduzir perdas térmicas e aumentar a eficiência em comparação com os sistemas de 800 volts que se tornaram referência recente no setor.
A expansão da rede também revela uma diferença importante na estratégia das duas empresas. Enquanto a BYD vem apostando em parcerias e modelos de expansão compartilhada, a Geely decidiu investir em uma infraestrutura totalmente proprietária, mantendo controle direto sobre o hardware, o software e os protocolos de comunicação entre carro e carregador.
Cada carregador de 1,5 MW foi projetado para atender entre 50 e 60 veículos por dia, considerando sessões médias de recarga de cerca de 50 kWh.
Para evitar sobrecarga na rede elétrica, as estações contam com sistemas de armazenamento de energia entre 300 e 500 kWh, que funcionam como buffers. Essas baterias estacionárias permitem manter sessões consecutivas de recarga ultrarrápida mesmo em locais onde a infraestrutura elétrica é limitada.
A infraestrutura também faz parte do plano tecnológico da Geely para sua próxima geração de veículos eletrificados premium. A empresa trabalha em uma arquitetura elétrica de até 1.500 volts, que servirá de base para novos modelos do grupo. O sistema será combinado com um conjunto de propulsão 16-em-1, integrado a uma unidade elétrica de 900 volts e 370 kW (503 cv).
A energia será armazenada nas baterias Aegis de lâmina curta em LFP, além de versões híbridas sólido-líquido em desenvolvimento. Segundo dados da própria Geely, essas baterias conseguem reter cerca de 90,5% da capacidade a -30 °C e mantêm 92,1% de saúde após 1.500 ciclos completos, números relevantes diante das exigências térmicas da recarga de altíssima potência.
Rivalidade com a BYD
A movimentação acontece em meio a uma disputa cada vez mais direta entre os dois maiores grupos automotivos da China no campo dos veículos eletrificados. Nos dois primeiros meses de 2026, o grupo Geely registrou 476.327 veículos vendidos, superando o volume da BYD no período em cerca de 76 mil unidades.
A BYD, por sua vez, anunciou planos de ampliar sua rede por meio de um modelo de “estação dentro da estação”, com meta de alcançar 20 mil pontos de recarga até o fim do ano. Já a Geely aposta em densidade e controle tecnológico. Atualmente, a empresa afirma operar 1.216 estações de ultrarrecarga, garantindo prioridade de acesso às marcas do grupo, incluindo Zeekr, Lynk & Co e Lotus.
Mesmo com o foco crescente nos elétricos, a Geely também vem diversificando sua estratégia de propulsão. O grupo lançou recentemente o sistema híbrido Thor 2.0, com eficiência térmica declarada de 46,5%, uma das mais altas entre motores de produção.
O sistema utiliza algoritmos de inteligência artificial para monitorar microcorrentes dentro da bateria, abordagem que a empresa afirma ser capaz de aumentar a vida útil do conjunto em cerca de 15%, ao reduzir a formação de dendritos.
Combinando a plataforma elétrica SEA, infraestrutura própria de recarga e novas arquiteturas de alta tensão, a Geely tenta construir um ecossistema tecnológico independente para enfrentar a BYD na corrida global pela liderança na mobilidade elétrica.
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