Renault R-Space Lab: muito mais que um Mégane do futuro
Conceito tem ‘bafômetro sem sopro’ e o mais versátil dos porta-luvas
À primeira vista, pode parecer uma prévia da 6ª geração do Mégane. A Renault, porém, diz que o carro-conceito R-Space Lab vai bem além disso: segundo a marca francesa, a ideia é “investigar novas abordagens para o design do interior e o uso dos veículos".
O projeto foi revelado hoje, durante o futuREady, evento corporativo realizado na França (e com transmissão online global), em que o grupo apresenta seus planos estratégicos, novos produtos e visões para a mobilidade futura.
O R-Space Lab é um dos conceitos criados no laboratório Garage Futurama, onde equipes multidisciplinares (design, engenharia, software, experiência de usuário e estratégia) imaginam projetos de médio e longo prazo — livres das amarras da produção imediata no mundo real.
De acordo com a Renault, o R-Space Lab não está diretamente ligado ao futuro de algum modelo, embora apresente ideias centrais da filosofia “Voitures à vivre” (“carros para se viver”). São automóveis espaçosos, versáteis e tecnológicos, pensados para as necessidades cotidianas dos usuários de hoje e de 2030.
Detector tátil de álcool
O carro adota uma arquitetura monovolume relativamente compacta, com cerca de 4,5 metros de comprimento e 1,5 metro de altura. É propositalmente mais baixo que um SUV médio (para melhorar a aerodinâmica) mas, ainda assim, oferece ótimo espaço interno.
Um dos destaques do interior é o cockpit fortemente digitalizado — uma tela panorâmica curva OpenR se estende por toda a largura do painel e reúne informações de condução, funções multimídia e alertas dos sistemas de assistência ao motorista. A operação ocorre principalmente por meio de uma tela central sensível ao toque. Trata-se de uma evolução radical do sistema já visto no Mégane E-Tech.
Em vez de um volante convencional, o conceito utiliza um controle mais compacto, que lembra o dos Fórmula 1 ou mesmo o manche de um avião. No lugar da coluna de direção tradicional, há um sistema steer-by-wire com atuadores eletrônicos. Assim, a relação de direção é ajustada automaticamente conforme a situação. Além de aumentar a precisão para o motorista, o sistema libera espaço sob o painel, ampliando a cabine.
A Renault também avalia novas funções de segurança, como um detector tátil de álcool. Em vez de um bafômetro para soprar, o sistema utiliza sensores integrados a superfícies de contato frequente, como o volante ou o botão de partida. A tecnologia analisa a concentração de álcool no sangue através da pele do motorista (provavelmente por espectroscopia infravermelha ou análise de suor), permitindo uma medição passiva e instantânea.
Se o sensor detectar a presença de álcool, o sistema de IA emite recomendações no painel, sugerindo que o motorista não dirija ou ativando modos de assistência à condução mais restritivos, dependendo do nível detectado e das condições externas. De acordo com a Renault, o objetivo não é apenas bloquear o veículo, mas sim “educar e apoiar” os motoristas, especialmente os mais jovens.
Galeria: Renault R-Space Lab
Novo lugar para o airbag
Como o airbag frontal do passageiro saiu do painel e foi integrado à estrutura do banco, o porta-luvas torna-se gigantesco e configurável. Pode ser aberto como uma gaveta profunda para guardar objetos ou estendido como uma mesinha para apoiar um laptop.
Como o banco do passageiro pode deslizar bastante para trás, a parte inferior do porta-luvas foi projetada para servir também como apoio para os pés, permitindo que o passageiro relaxe em viagens longas, como se estivesse na classe executiva de um avião.
Tem mais: sensores detectam o que está dentro do compartimento (alimentos, eletrônicos) e a IA do carro ajusta a temperatura ideal. Dispositivos por indução permitem carregar múltiplos aparelhos eletrônicos de forma organizada, mantendo o habitáculo livre de cabos visíveis e reforçando a estética minimalista.
Enquanto os SUVs modernos trazem bancos 60/40, o R-Space Lab oferece três poltronas de mesma largura na traseira, todas com trilhos independentes e função de massagem. Os encostos podem ser rebatidos, enquanto os assentos podem ser levantados. Em combinação com o assoalho plano, forma-se um interior de grande flexibilidade de uso.
Dependendo da configuração, é possível ampliar o volume do porta-malas - por exemplo, para acomodar uma bicicleta - ou liberar espaço adicional na área traseira para objetos ainda maiores. As portas traseiras se abrem até um ângulo de 90 graus, facilitando o acesso.
A sensação de espaço é reforçada por amplas superfícies envidraçadas. As colunas finas da carroceria e as portas sem moldura contribuem para ampliar visualmente o interior e permitir maior entrada de luz natural. Com esse conceito, a Renault investiga como a percepção de espaço, as possibilidades de uso e as funções digitais podem ser combinadas em futuros projetos de veículos.
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