BYD cria duas baterias Blade: carga em 5 min ou maior autonomia
Arquitetura separa células curtas para carga ultrarrápida e longas para maior densidade energética
A segunda geração da bateria Blade da BYD chega com uma mudança conceitual importante. Em vez de uma única configuração, a Blade 2.0 passa a ser dividida em duas arquiteturas diferentes, cada uma otimizada para um objetivo específico: potência de recarga ou autonomia.
A estratégia foi apresentada durante um evento técnico da marca em Shenzhen no início de março. Na prática, a fabricante chinesa criou duas variações da nova bateria, chamadas de Short Blade e Long Blade, que utilizam a mesma base química, mas com características e aplicações distintas.
A lógica é semelhante à de motores com diferentes calibrações: uma configuração prioriza desempenho e recarga rápida, enquanto a outra foca em eficiência energética e maior alcance.
Short Blade aposta em recarga ultrarrápida
A chamada Short Blade 2.0 é a versão voltada para aplicações de alta potência. As células são mais curtas, com comprimento entre aproximadamente 450 mm e 580 mm, e foram projetadas para suportar taxas de carregamento muito mais elevadas.
Segundo dados técnicos divulgados pela BYD, essa arquitetura suporta taxa de carregamento de até 8C, além de descarga de até 16C. Na prática, isso permite recarregar a bateria de 10% a 70% em cerca de cinco minutos, desde que conectada a carregadores de altíssima potência.
Para suportar essas taxas extremas, a empresa desenvolveu um sistema interno de condução de íons de alta velocidade. O cátodo utiliza partículas de diferentes tamanhos organizadas em múltiplas camadas, solução que melhora a mobilidade iônica e ajuda a controlar a geração de calor durante a recarga.
Esse tipo de célula deve aparecer principalmente em plataformas elétricas de 800V e 1000V, além de híbridos plug-in de alto desempenho.
Long Blade prioriza autonomia
A segunda arquitetura segue uma lógica diferente. A Long Blade 2.0 foi projetada para maximizar densidade energética e autonomia.
Nesse caso, as células são significativamente mais longas, chegando a cerca de 960 mm, e utilizam química LMFP (lítio-manganês-ferro-fosfato). Com isso, a densidade energética pode atingir até 210 Wh/kg em nível de sistema, valor cerca de 40% superior ao da primeira geração da Blade.
Essa configuração já aparece em modelos mais sofisticados do grupo, como o Denza Z9 GT e o Yangwang U7. No caso do sedã da Yangwang, um pacote de 120 kWh permite autonomia declarada de 1.036 km no ciclo CLTC.
A Blade 2.0 também passa a utilizar a arquitetura Cell-to-Body (CTB) de segunda geração, na qual as células da bateria são integradas diretamente à estrutura do veículo. Segundo a BYD, a solução eleva o aproveitamento volumétrico do conjunto para 76%, reduzindo peso estrutural e aumentando a rigidez da carroceria.
A divisão da Blade em duas arquiteturas indica uma mudança importante na estratégia da BYD. Em vez de tentar criar uma única bateria capaz de atender todos os cenários, a marca passa a especializar suas células de acordo com o tipo de veículo.
|
Especificação |
Short Blade 2.0 |
Long Blade 2.0 |
|
Química |
LMFP (alta potência) |
LMFP (alta energia) |
|
Densidade energética da célula |
160 Wh/kg |
210 Wh/kg |
|
Taxa máxima de recarga |
8C (flash charge) |
3C |
|
Taxa máxima de descarga |
16C |
8C |
|
Aplicação ideal |
Veículos de alto desempenho e híbridos plug-in |
Elétricos focados em longa autonomia |
Obs: Uma bateria com capacidade de 100 kWh operando a 1C pode receber até 100 kW de potência.
Se a mesma bateria suportar 8C, teoricamente poderia aceitar até 800 kW de potência de recarga.
Modelos voltados a desempenho e recarga rápida tendem a utilizar a Short Blade, enquanto veículos de maior autonomia devem adotar a Long Blade. A nova geração já estreia em modelos premium da empresa e deve chegar gradualmente a veículos mais acessíveis das linhas Ocean e Dynasty nos próximos anos.
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