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BYD considera fábrica no Canadá e não descarta comprar montadora

Executiva diz que empresa analisa produção local e possível aquisição de fabricante tradicional

BYD Atto 8 - lançamento (BR)
Foto de: InsideEVs Brasil

A BYD avalia ampliar sua presença internacional com a possível construção de uma fábrica de veículos eletrificados no Canadá e não descarta adquirir uma montadora tradicional no futuro. A possibilidade foi mencionada pela vice-presidente executiva da companhia, Li Ke, em entrevista citada por veículos de imprensa chineses, entre eles o portal tecnológico IThome.

Segundo a executiva, a empresa estuda a viabilidade de instalar uma operação industrial no país norte-americano. Caso avance, a preferência seria por uma unidade totalmente controlada pela própria BYD, modelo que a fabricante considera mais eficiente em termos de gestão tecnológica e cadeia de suprimentos. A companhia tem priorizado estruturas industriais próprias em vez de joint ventures, reforçando uma estratégia de forte integração vertical que inclui produção interna de baterias e sistemas eletrônicos.

BYD - produção na fábrica de Camaçari (BA)
Foto de: BYD

A análise ocorre em um momento de mudanças na política comercial canadense. O governo do país introduziu tarifas de 100% para veículos elétricos importados da China em 2024, mas criou um regime de exceção que permite a entrada de até 49 mil unidades por ano com isenção tarifária. A medida abriu espaço para fabricantes chineses avaliarem novas formas de presença no mercado local.

Durante a mesma entrevista, Li Ke afirmou que a empresa também estaria aberta a avaliar a aquisição de uma montadora tradicional, caso surja uma oportunidade que fortaleça a competitividade global da marca. A executiva não mencionou negociações em andamento nem possíveis alvos, ressaltando apenas que a BYD acompanha a transformação estrutural da indústria automotiva, na qual fabricantes históricos precisam lidar simultaneamente com investimentos em motores a combustão e eletrificação.

Movimentos desse tipo já ocorreram no passado recente. Um dos exemplos mais conhecidos foi a compra da Volvo Cars pela Geely em 2010, marco que consolidou a expansão global das montadoras chinesas.

BYD Atto 8 - lançamento (BR)
Foto de: InsideEVs Brasil

Estratégia global inclui Europa e América Latina

A avaliação de uma fábrica no Canadá surge em meio a um processo mais amplo de expansão internacional da BYD. A empresa tem priorizado regiões consideradas mais abertas aos veículos eletrificados chineses, com novos projetos industriais confirmados na Hungria e na Turquia, além de investimentos relevantes na Brasil.

No mercado brasileiro, a companhia já iniciou a montagem de veículos em regime SKD desde 2025, enquanto avança com os investimentos para estruturar a produção local em maior escala no complexo industrial de Camaçari. A fábrica ocupa a antiga planta da Ford no estado e deve evoluir gradualmente para um modelo de produção mais nacionalizado, com expansão de capacidade ao longo dos próximos anos.

A estratégia brasileira inclui ainda o desenvolvimento de infraestrutura de recarga. A empresa anunciou planos de investir mais de R$ 500 milhões para instalar até mil carregadores ultrarrápidos no país até 2027, iniciativa confirmada pelo vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy.

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Ao mesmo tempo, a companhia mantém distância do mercado dos Estados Unidos, ao menos para veículos de passeio, onde tarifas elevadas e restrições regulatórias dificultam a entrada de carros elétricos chineses. Nesse contexto, a estratégia global da BYD tem priorizado mercados onde investimentos locais podem facilitar a expansão comercial.

A eventual instalação de uma fábrica no Canadá seguiria essa lógica. Ainda sem decisão final, o projeto indica como a montadora chinesa avalia diferentes caminhos para ampliar sua presença fora da China em meio à rápida transformação da indústria automotiva global e ampliação de capacidades industriais fora do mercado de origem. 

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