Brasil terá 1º megaleilão de baterias e pode mudar mercado de elétricos
Estreia em abril deve marcar criação de mercado bilionário de storage no sistema elétrico nacional
O Brasil está prestes a realizar seu primeiro leilão de sistemas de armazenamento em baterias em escala de rede, com estreia prevista para abril de 2026. Indo além de um movimento regulatório, o certame já é tratado pelo mercado como o ponto de partida de um novo segmento bilionário no setor elétrico.
Segundo a Strategic Energy, o leilão seguirá o modelo de reserva de capacidade (LRCAP), com contratação de projetos a partir de 30 MW e contratos de cerca de 10 anos. Na prática, as baterias serão remuneradas pela disponibilidade de potência, entrando em operação em momentos críticos do sistema, como picos de demanda ou oscilações na geração renovável.
As projeções já apontam para uma estreia em grande escala. Estimativas indicam demanda entre 2 GW e quase 3 GW, enquanto o pipeline de projetos supera dezenas de gigawatts. Ainda em 2025, durante missão oficial à Ásia, o governo brasileiro apresentou o leilão a empresas como Huawei, BYD e CATL, em busca de investimentos e tecnologia, em um movimento que antecipava o tamanho da disputa.
O potencial econômico é enorme: projeções discutidas com o próprio governo indicam que a contratação de cerca de 2 GW em baterias pode mobilizar investimentos próximos de R$ 10 bilhões, valor que tende a crescer conforme novas rodadas sejam estruturadas. Na prática, o leilão funciona como porta de entrada para um mercado que já nasce com escala relevante.
A expansão acelerada de fontes renováveis, especialmente solar e eólica, aumentou a exposição do sistema elétrico a variações de oferta ao longo do dia. Hoje, a garantia de potência em momentos críticos ainda depende majoritariamente de usinas térmicas, que têm custo mais elevado e dependem de combustíveis. As baterias entram nesse espaço oferecendo resposta quase instantânea e maior previsibilidade operacional.
Galeria: BESS - sistemas de armazenamento
Com isso, o Brasil começa a se alinhar a um movimento global. Em mercados como Estados Unidos, China e Europa, o armazenamento em larga escala já se consolidou como peça central para viabilizar a expansão das renováveis e reduzir a dependência de fontes mais caras ou poluentes. A entrada do país nesse segmento ocorre com atraso, mas já em escala relevante.
Além de resolver um gargalo técnico, o leilão começa a desenhar uma cadeia de baterias no país. Projetos industriais recentes, como a fábrica da WEG voltada a armazenamento estacionário, e o interesse de fabricantes globais como CATL, Huawei e BYD, em produzir localmente, ganham sentido dentro desse novo ambiente de demanda garantida.
E aqui tem um ponto importante: o impacto não deve se limitar ao setor elétrico. Ao criar escala e atrair fornecedores, o movimento tende a acelerar o desenvolvimento de um ecossistema de baterias no Brasil. Ainda que o foco inicial seja o armazenamento na rede, esse avanço dialoga diretamente com a mobilidade elétrica, onde as baterias concentram a maior parte do custo dos veículos.
Se as projeções se confirmarem, o leilão de abril não será apenas o primeiro. Ele marca o início de uma disputa industrial que vai além da energia e se conecta diretamente ao futuro da eletrificação no país, podendo ajudar a construir uma indústria de baterias, que serve tanto ao mercado de energia quanto ao de mobilidade.
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