Mahle lança sistema de recarga no Brasil e mira gargalo em condomínios
Sistema chargeBIG propõe solução para limitações elétricas em prédios
A expansão dos carros elétricos no Brasil começa a esbarrar em um problema cada vez mais concreto: instalar pontos de recarga em condomínios não é simples. Limitações da rede elétrica, custo elevado e exigências de segurança vêm travando projetos em prédios residenciais e comerciais. É nesse cenário que a Mahle traz ao país uma solução que tenta contornar justamente esses obstáculos.
Batizado de chargeBIG, o sistema foi lançado oficialmente no Brasil no fim de março, com a primeira unidade inaugurada em Jaguariúna, no interior de São Paulo.
A proposta foge do modelo tradicional. Em vez de vários wallboxes independentes, cada um operando com potência própria, o chargeBIG funciona a partir de uma central que distribui energia entre diferentes pontos conectados. Com isso, vários veículos podem recarregar ao mesmo tempo sem sobrecarregar a rede elétrica do local.
A central administra a energia disponível e ajusta a distribuição conforme a demanda. Se há apenas um carro conectado, ele pode usar toda a capacidade. Com mais veículos plugados, o sistema divide a carga automaticamente.
Segundo a Mahle, a solução opera entre 7 kW e 22 kW, adaptando-se à infraestrutura existente. Isso reduz a necessidade de intervenções mais pesadas na rede elétrica, um dos principais entraves em prédios mais antigos.
A escalabilidade também entra como ponto-chave. Uma única central pode alimentar de seis a dezenas de pontos de recarga, reduzindo o custo por vaga e simplificando a instalação. Em vez de múltiplos equipamentos completos, cada ponto funciona como uma interface conectada ao hub.
Nos últimos meses, a discussão sobre segurança ganhou peso adicional. Normas mais rígidas para garagens e sistemas elétricos, especialmente em grandes centros, aumentaram a cautela de síndicos e administradoras.
Nesse contexto, um dos diferenciais do chargeBIG é a possibilidade de integração com sistemas prediais, incluindo alarmes de incêndio. Em caso de acionamento, o sistema pode interromper automaticamente o fornecimento de energia para todos os pontos de recarga, algo que conversa diretamente com as exigências que começam a aparecer em projetos e regulamentações.
Do improviso à infraestrutura compartilhada
Hoje, em muitos condomínios, a instalação de carregadores ainda acontece de forma individual. Cada morador busca sua própria solução, o que frequentemente resulta em adaptações pouco padronizadas e aumento da complexidade do sistema elétrico.
A proposta da Mahle segue outro caminho. Em vez de múltiplas instalações independentes, o chargeBIG sugere uma infraestrutura única e compartilhada, com gestão centralizada e possibilidade de cobrança individual por uso. Na prática, isso muda a lógica de implantação, aproximando o modelo de recarga de outros serviços coletivos do prédio.
Entrada pelo mercado corporativo
Neste primeiro momento, a estratégia está voltada ao segmento B2B. Frotas, estacionamentos e condomínios estão no foco inicial, especialmente em regiões como o interior e a Grande São Paulo.
Segundo a empresa, o sistema já soma cerca de 3 mil pontos instalados na Europa. A chegada ao Brasil acontece num momento em que a discussão sobre recarga deixa de ser apenas técnica e passa a envolver viabilidade dentro de estruturas já existentes.
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