Leapmotor diz que preço deixará de ser principal arma das chinesas
CEO da marca diz que software e condução inteligente ganharão mais peso
A ofensiva das montadoras chinesas no mercado global pode estar entrando em uma nova fase. Depois de ganhar espaço apostando em preços agressivos, fabricantes como a chinesa Leapmotor acreditam que o diferencial competitivo daqui para frente será outro: tecnologia.
A avaliação é de Zhu Jiangming, fundador e CEO da marca chinesa que hoje opera globalmente em parceria com a Stellantis. Em entrevista recente, o executivo afirmou que o baixo preço deixará gradualmente de ser o principal argumento de venda das fabricantes chinesas, dando lugar a recursos tecnológicos, especialmente sistemas avançados de assistência à condução.
A declaração ganha peso extra no Brasil justamente porque a Leapmotor já deixou de ser apenas uma promessa local. A marca iniciou operações no país com os SUVs B10 BEV e C10, incluindo a versão REEV de autonomia estendida, e já prepara a chegada do B03X para o próximo ano.
Mais recentemente, a empresa também confirmou a montagem nacional da dupla B10 e C10 na fábrica da Stellantis em Goiana, reforçando que a estratégia brasileira vai além da simples importação de veículos chineses. O plano envolve nacionalização gradual, desenvolvimento de tecnologias locais e adaptação ao mercado brasileiro, incluindo estudos ligados a sistemas híbrido-flex.
Esse contexto ajuda a explicar por que a fala do CEO da Leapmotor vai além de uma simples mudança de discurso comercial. A empresa entende que, conforme a eletrificação amadurece globalmente, apenas oferecer carros mais baratos não será suficiente para sustentar crescimento e diferenciação.
No mercado brasileiro, esse movimento já começa a aparecer de forma clara. Se há poucos anos as marcas chinesas chamavam atenção principalmente pelo preço agressivo e alto nível de equipamentos, agora o foco migra cada vez mais para software, conectividade, atualizações remotas e pacotes avançados de assistência à condução.
Na Europa, os primeiros modelos da Leapmotor, como o compacto T03 e o SUV C10, ganharam espaço justamente pela relação custo-benefício. Depois vieram os novos B05 e B10, ampliando a presença da marca nos segmentos mais relevantes do continente, especialmente entre SUVs médios.
Mas a própria empresa admite que essa vantagem baseada apenas em preço tende a diminuir com o tempo. Segundo Zhu Jiangming, o próximo diferencial competitivo estará na inteligência embarcada e nas tecnologias de condução.
A mudança também interessa diretamente ao Brasil porque a Stellantis vem aprofundando sua integração com a Leapmotor. O grupo controla 51% da joint venture Leapmotor International, responsável pelas operações globais da marca chinesa, além de deter participação direta na fabricante.
Na prática, isso abre espaço para uma aproximação tecnológica cada vez maior entre a engenharia chinesa e as marcas tradicionais do conglomerado. Rumores na Europa indicam inclusive que futuras plataformas e sistemas da Leapmotor poderão ser aproveitados por fabricantes como Opel, Fiat e Alfa Romeo.
Galeria: Leapmotor no Salão do Automóvel
Para o mercado brasileiro, o cenário reforça uma transformação importante. A disputa entre montadoras chinesas e fabricantes tradicionais começa a deixar de ser apenas uma guerra de preços. O próximo campo de batalha tende a envolver software, experiência digital, conectividade e inteligência embarcada, áreas em que as marcas chinesas avançam rapidamente.
Fonte: Elektroauto
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