BYD vence processo recorde contra influenciador por vídeos falsos
Justiça chinesa determinou indenização milionária após vídeos sobre supostos defeitos da marca
A BYD venceu na China uma ação judicial contra um influenciador automotivo acusado de divulgar informações falsas sobre defeitos nos veículos da marca. A Justiça determinou o pagamento de uma indenização de 2,01 milhões de yuans, cerca de R$ 1,49 milhão na cotação atual, no que foi descrito pela imprensa local como um valor recorde para casos desse tipo no país.
O caso envolve um vlogger do setor automotivo, conhecido por publicar vídeos sobre manutenção e reparos de carros, que teria disseminado conteúdos considerados enganosos sobre supostas falhas em componentes centrais dos modelos da fabricante chinesa. Segundo a decisão judicial, o influenciador e contas ligadas a ele teriam promovido uma campanha prolongada de desinformação, prejudicando a reputação comercial da BYD.
Print do vídeo com o pedido de desculpas.
A ação foi aberta pela montadora em outubro de 2023. De acordo com a empresa, os vídeos apresentavam alegações fabricadas sobre defeitos em sistemas considerados estratégicos nos carros da marca. O tribunal concluiu que houve divulgação de informações falsas e classificou a prática como concorrência desleal.
Após a decisão, o influenciador publicou um vídeo de retratação em sua conta pessoal no último dia 16 de maio, confirmando a sentença e pedindo desculpas. Uma imagem do pedido de desculpas também passou a circular em veículos locais.
O episódio ocorre em meio a um movimento mais amplo das montadoras chinesas para combater o chamado “black PR”, termo usado no país para descrever campanhas coordenadas de ataques à reputação de empresas, muitas vezes com informações manipuladas ou fora de contexto.
Segundo relatos da imprensa chinesa, o mesmo criador de conteúdo já enfrentou ações semelhantes movidas por outras fabricantes. A Seres, por exemplo, também venceu recentemente um processo após a Justiça concluir que o influenciador induziu consumidores ao erro por meio de edição seletiva de vídeos, obtendo uma indenização equivalente a cerca de R$ 118 mil. A marca informou ainda que outra ação contra ele segue em análise judicial.
A Xpeng também obteve decisão favorável anteriormente. Em outro caso, a Justiça entendeu que comentários considerados maliciosos publicados por empresa ligada ao influenciador ultrapassaram os limites de críticas razoáveis a produtos, determinando compensação financeira.
O endurecimento contra esse tipo de prática ganhou força na China nos últimos meses. Em setembro do ano passado, seis órgãos do governo chinês, incluindo o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, lançaram uma ação conjunta para combater publicidade enganosa e ataques maliciosos dentro da indústria automotiva.
No mercado chinês, onde a disputa entre fabricantes de veículos elétricos se tornou uma das mais intensas do mundo, montadoras vêm ampliando a vigilância sobre conteúdos publicados nas redes sociais, especialmente diante do impacto que rumores sobre falhas técnicas podem causar nas vendas e na percepção do consumidor. Ao mesmo tempo, cresce o debate sobre até que ponto ações judiciais ajudam a combater desinformação ou podem gerar pressão sobre críticas públicas às marcas.
Fonte: CNEVPost
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