Move Brasil pode impulsionar carros elétricos para motoristas de app
Programa do governo inclui eletrificados e pode ampliar adoção entre táxis e aplicativos
O lançamento do programa Move Brasil – Táxi e Aplicativos, anunciado pelo governo federal nesta terça-feira (19), pode impulsionar a adoção de carros elétricos entre motoristas de aplicativo e taxistas no Brasil. Voltada à renovação de frota, a iniciativa inclui veículos eletrificados entre os beneficiários e pode ampliar o acesso à tecnologia por profissionais que passam muitas horas ao volante.
A inclusão dos eletrificados foi celebrada pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), que vê no programa um reconhecimento do papel crescente dos veículos de baixa emissão no transporte urbano. Em nota, a entidade afirmou que o governo demonstrou “sensibilidade” ao contemplar carros elétricos e híbridos em uma política voltada a categorias profissionais que dependem diretamente do automóvel para geração de renda.
Segundo o presidente da ABVE, Ricardo Bastos, o programa reconhece uma transformação já em curso no mercado. Para a entidade, motoristas de aplicativo e taxistas têm adotado, cada vez mais, veículos eletrificados devido à combinação entre menor custo operacional e maior previsibilidade de despesas no dia a dia.
Para quem roda centenas de quilômetros por semana, a conta costuma pesar menos no bolso quando comparada a um carro movido apenas a gasolina ou etanol. Além do custo por quilômetro geralmente mais baixo, veículos elétricos também exigem menos manutenção, já que dispensam itens como troca de óleo do motor e apresentam menor desgaste em alguns componentes mecânicos.
Carros de até R$ 150 mil
Há, porém, um limitador importante. O programa prevê financiamento para veículos novos de até R$ 150 mil, incluindo modelos elétricos, híbridos a etanol e flex. Na prática, isso abre uma janela para alguns elétricos de entrada, ao mesmo tempo em que restringe a participação de modelos mais caros, hoje predominantes no mercado nacional.
Outro fator que ajuda a explicar o interesse crescente do setor é o avanço da oferta de modelos mais acessíveis no Brasil. Nos últimos dois anos, marcas chinesas ampliaram significativamente a presença no segmento de compactos e SUVs elétricos, tornando a tecnologia menos distante para profissionais que dependem do veículo como ferramenta de trabalho.
Hoje, modelos como o Renault Kwid E-Tech, BYD Dolphin Mini, BYD Dolphin e Geely EX2 já aparecem com frequência crescente entre motoristas de aplicativo, especialmente em grandes centros urbanos, onde a infraestrutura de recarga começa a avançar e o volume de deslocamentos diários favorece a economia operacional dos elétricos.
Apesar do potencial, ainda é cedo para medir o impacto real do Move Brasil sobre a eletromobilidade. Isso porque detalhes do programa, como condições de financiamento, critérios de elegibilidade e possíveis vantagens específicas para determinadas tecnologias, ainda precisarão ser melhor esclarecidos.
Por enquanto, o principal sinal dado pelo governo é simbólico, mas relevante: os veículos eletrificados passaram a fazer parte da discussão sobre renovação de frota em categorias profissionais de grande circulação. Dependendo das regras e incentivos envolvidos, o programa pode acabar funcionando como um novo vetor de expansão para os carros elétricos no país.
RECOMENDADO PARA VOCÊ
Sem Parar adiciona busca de eletropostos e rotas para EVs no ChatGPT
Scout revela dois novos conceitos de SUV 'Traveler' à medida que a produção se aproxima
Primeiro caminhão de bombeiros elétrico supera 700 atendimentos
Tesla decepciona em estudo sobre durabilidade das baterias; entenda
SP adiciona 500 ônibus elétricos e encerra era do diesel; BYD lidera entregas
Elétricos chineses vão perder vantagem? China começará a taxar baterias
Brasil ganha órgão federal dedicado a carros elétricos e recarga