BYD investe R$ 500 mi em baterias para armazenar energia no Brasil
Investimento em sistemas BESS pode aliviar gargalos da rede elétrica e abrir novo mercado de baterias
Avançando além dos carros eletrificados, a BYD anunciou um investimento de R$ 500 milhões para produzir no Brasil sistemas de armazenamento de energia em baterias, conhecidos como BESS (Battery Energy Storage Systems). O aporte será feito em etapas, com definição da localização da futura operação prevista para os próximos 90 dias.
A fabricante avalia duas possibilidades: ampliar sua planta de Manaus (AM), onde já produz baterias para ônibus elétricos, ou construir uma nova fábrica em outra região do país. Segundo a empresa, a operação deve gerar inicialmente entre 300 e 400 empregos diretos.
Embora a BYD tenha se consolidado no mercado brasileiro principalmente por seus carros elétricos e híbridos plug-in, o novo investimento indica uma expansão estratégica para além do setor automotivo. O foco agora inclui uma área que tende a ganhar relevância com o avanço da eletrificação: o armazenamento de energia em larga escala.
Sistemas BESS funcionam como grandes bancos de baterias capazes de armazenar eletricidade para uso posterior. Na prática, eles ajudam a equilibrar a oferta e a demanda do sistema elétrico, absorvendo energia excedente em momentos de baixa demanda e devolvendo-a à rede nos horários de pico.
Esse tipo de solução pode ganhar papel importante no Brasil, especialmente diante do crescimento acelerado da geração solar e eólica. Apesar de o país ter uma matriz elétrica majoritariamente renovável, a expansão dessas fontes também trouxe desafios operacionais para o sistema.
Em determinadas regiões, principalmente no Nordeste, a geração de energia renovável já supera em alguns momentos a capacidade de absorção da rede. Isso obriga operadores a limitar a produção - processo conhecido como curtailment -, reduzindo a eficiência econômica de usinas solares e eólicas.
É nesse contexto que o investimento da BYD se insere. Em entrevista à Reuters, Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD Brasil, afirmou que a companhia busca ampliar sua nacionalização industrial e reforçar sua presença na cadeia energética brasileira.
“Estamos ampliando a nacionalização para que possamos realmente nos tornar uma fabricante brasileira. A bateria é mais um item, um componente importante”, disse Baldy à Reuters.
Além dos sistemas estacionários, a BYD também vem ampliando a produção local de baterias para veículos. Esse movimento faz parte do plano de R$ 5,5 bilhões já anunciado para sua operação em Camaçari (BA), principal polo industrial da marca no país.
Segundo Baldy, a montadora também trabalha para elevar o conteúdo nacional dos veículos produzidos no Brasil para 50% até o início de 2027. A estratégia ajuda a reduzir exposição tarifária e aumenta a competitividade da operação local.
Para o mercado de eletrificação, o movimento da BYD sinaliza claramente que as baterias deixam de ser vistas apenas como componentes de carros elétricos e passam a ocupar papel central em toda a infraestrutura energética.
No médio prazo, isso pode beneficiar não apenas a integração de energias renováveis, mas também aplicações como redes privadas de energia, projetos industriais e até hubs de recarga ultrarrápida para veículos elétricos, que exigem alta disponibilidade de potência da rede.
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