CATL derruba custo da bateria de sódio e pode baratear carros elétricos
Ao atingir US$ 51 por kWh, tecnologia da CATL se aproxima do lítio e avança entre carros de entrada
A CATL anunciou um avanço importante no desenvolvimento de baterias de sódio, química vista como alternativa ao lítio em carros elétricos de entrada. Segundo dados divulgados pelo CarNewsChina com base em um relatório da CIConsulting, o custo de produção das novas células caiu para o equivalente a US$ 0,051-0,059/Wh, ou cerca de US$ 51-59 por kWh.
Em conversão direta isso representa aproximadamente R$ 264 a R$ 306 por kWh, valor que já se aproxima do custo das baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP), hoje entre as químicas mais baratas da indústria. Como comparação, células LFP atualmente giram em torno de 0,34 yuan/Wh, ou cerca de US$ 50/kWh.
Na prática, a diferença de custo entre as duas químicas praticamente desapareceu. A expectativa do setor é que ganhos adicionais de escala e eficiência permitam que as baterias de sódio fiquem até mais baratas que as de lítio a partir de 2027.
Além do custo, a CATL também avançou em um dos principais desafios da tecnologia: a densidade energética. As células fornecidas para modelos da Changan Automobile já alcançam 175 Wh/kg, com autonomia declarada próxima de 400 km no ciclo chinês.
Esse número é relevante porque aproxima a bateria de sódio do patamar de soluções já usadas em veículos elétricos atuais. Para efeito de comparação, a primeira geração da Blade Battery da BYD - presente em modelos vendidos no Brasil como BYD Dolphin, BYD Dolphin Mini e BYD Yuan Plus - opera em uma faixa próxima de 140 a 150 Wh/kg.
Isso mostra que a bateria de sódio já deixou de ser apenas uma solução voltada para armazenamento estacionário ou veículos de baixa velocidade. Embora ainda fique abaixo das químicas de lítio mais avançadas, seu desempenho já entrou em uma faixa compatível com carros de entrada e compactos urbanos.
A nova química também oferece vantagens em baixas temperaturas. Segundo a CATL, as células conseguem manter mais de 90% da capacidade nominal a -20°C, além de operar em condições de até -40°C - um diferencial importante para mercados frios como China, Europa e Canadá.
Para o mercado brasileiro, porém, o principal atrativo não está no desempenho térmico, mas no potencial de redução de custos. Com a bateria ainda representando uma das partes mais caras de um veículo elétrico, qualquer avanço nesse componente pode acelerar a chegada de modelos mais acessíveis nos próximos anos.
Embora a tecnologia de sódio ainda esteja no início da adoção em escala, o avanço da CATL indica que a disputa entre diferentes químicas de bateria começa a se concentrar menos em viabilidade técnica e cada vez mais em custo, eficiência industrial e aplicação comercial.
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