Novo BMW iX5 quer reinventar os carros da alemã; veja o que muda
Quinta geração irá apostar em multienergia e será SUV com linha mais ampla de opções, indo desde diesel até hidrogênio
A BMW inicia uma nova fase para um de seus modelos mais importantes. Depois de quase três décadas mantendo a mesma fórmula, o SUV X5 chega à sua quinta geração inaugurando uma plataforma preparada para diferentes formas de propulsão, baseada na filosofia Neue Klasse.
Do tipo multienergia, a nova arquitetura foi desenvolvida para receber motores a gasolina, diesel, híbridos plug-in, elétricos a bateria e, futuramente, célula de combustível a hidrogênio. Mais do que ampliar a oferta de versões, a estratégia mostra que a fabricante alemã ainda acredita na convivência entre diferentes tecnologias durante a transição para a eletrificação.
Essa mudança também altera a forma como a BMW organiza sua gama. Até agora, os modelos elétricos da família iX ocupavam um espaço próprio dentro do portfólio, enquanto os veículos a combustão evoluíam em uma linha paralela.
Com a nova geração do X5, essa separação começa a desaparecer. A mesma arquitetura passa a servir de base para diferentes sistemas de propulsão, reduzindo a distância entre as famílias da marca e oferecendo maior flexibilidade para mercados que avançam em ritmos distintos rumo à eletrificação.
Nova plataforma e nova geração de baterias
O iX5 é a principal vitrine tecnológica dessa nova fase. O SUV estreia a arquitetura elétrica de 800 volts da BMW em um modelo de maior porte, elevando a potência de recarga e permitindo maior eficiência energética. Mais do que simplesmente aumentar a capacidade da bateria, a fabricante redesenhou todo o conjunto para aproveitar melhor o espaço disponível.
O pacote utiliza células cilíndricas maiores do que as apresentadas recentemente no iX3. Segundo a BMW, o aumento nas dimensões das células resulta em cerca de 30% mais energia utilizável. A fabricante também abandona a construção tradicional por módulos e adota o conceito cell-to-pack, no qual as células passam a integrar diretamente a estrutura da bateria. A solução reduz componentes internos, melhora a densidade energética e simplifica a construção do conjunto.
Raio-X do BMW IX5 a hidrogênio
A primeira versão totalmente elétrica utiliza uma bateria de 141 kWh e dois motores elétricos, um em cada eixo, entregando 578 cv e 81,9 kgfm de torque. A autonomia chega a até 845 km pelo ciclo europeu WLTP. A arquitetura de alta tensão também permite elevar significativamente a potência de recarga em corrente contínua, reduzindo o tempo necessário em carregadores ultrarrápidos.
Cinco formas de propulsão, uma única base
Enquanto diversas fabricantes optaram por separar plataformas dedicadas para veículos elétricos e modelos a combustão, a BMW segue um caminho diferente. O novo X5 será oferecido com cinco tipos de propulsão utilizando a mesma arquitetura.
Além da versão elétrica, o SUV terá opções equipadas com motor a gasolina, híbridas plug-in, diesel e, futuramente, célula de combustível a hidrogênio, prevista para chegar em 2028. A proposta permite adaptar o mesmo projeto às necessidades de diferentes mercados sem desenvolver plataformas completamente independentes.
Em alguns países, como os Estados Unidos, a gama contará inicialmente com o X5 40 a gasolina, equipado com motor seis-em-linha 3.0 de 406 cv e 59,1 kgfm. As versões híbridas plug-in X5 50e e X5 M60e utilizarão o mesmo seis cilindros associado a uma bateria de 26,5 kWh para entregar 496 cv e 621 cv, respectivamente. Já entre os elétricos, ao menos por enquanto, o iX5 60 será a única configuração disponível.
Software ganha papel central
As mudanças do novo X5 vão além do conjunto mecânico. O SUV também estreia uma evolução do Heart of Joy, controlador eletrônico responsável por gerenciar aceleração, frenagem, regeneração de energia e distribuição de torque de forma integrada.
Na prática, a BMW substitui diversas unidades eletrônicas independentes por um único cérebro de processamento, capaz de coordenar praticamente toda a dinâmica do veículo. A integração reduz o tempo de resposta dos sistemas e permite controlar com mais precisão a entrega de potência, a regeneração e a atuação da tração integral, especialmente nas versões elétricas.
Essa transformação também se reflete no interior. O painel adota a linguagem inaugurada pela Neue Klasse e combina a central multimídia de 17,9'' com o Panoramic Vision, sistema que projeta informações ao longo da base do para-brisa para reduzir a necessidade de o motorista desviar o olhar da estrada. Há ainda uma tela opcional para o passageiro dianteiro, enquanto praticamente todas as funções do veículo passam a ser centralizadas na nova arquitetura digital.
A estratégia acompanha uma tendência cada vez mais presente na indústria: transformar o automóvel em uma plataforma definida por software. Para isso, o novo X5 estreia o Operating System X, desenvolvido sobre a base Android Open Source Project, permitindo atualizações remotas frequentes e maior integração entre os diferentes módulos eletrônicos do veículo.
Outro destaque é o assistente virtual baseado em inteligência artificial. Além de comandos de voz mais naturais, o sistema poderá aprender os hábitos do motorista e automatizar determinadas rotinas, como ajustes de climatização, posição dos bancos e outras funções da cabine de acordo com o uso diário.
2027 BMW iX5 60
Um exterior totalmente novo
Embora a tecnologia seja a grande protagonista desta geração, o novo X5 também estreia uma identidade visual completamente diferente. A dianteira adota os novos faróis "Double-X", que podem - ou não - lembrar o logotipo de um certo aplicativo de rede social. Ao acionar um comando, eles ficam amarelos, em uma referência aos clássicos modelos BMW M. Caso o proprietário prefira um visual mais discreto, há um botão na cabine que desativa a barra luminosa da esquerda.
Na lateral, outra novidade chama atenção: desapareceram as maçanetas convencionais. A BMW seguiu o caminho de marcas como Ford e Volvo e adotou maçanetas "em asa", acionadas por botão. Além de deixar o desenho mais limpo, a solução foi apresentada pela marca como um exemplo da sua "competência de engenharia". As portas também podem ser abertas e fechadas pela chave ou pelo aplicativo da BMW no smartphone, recurso semelhante ao já visto na Série 7.
Na traseira está, talvez, a mudança mais polêmica - ou seria uma subtração? A tradicional tampa bipartida do X5, presente desde a primeira geração, deixou de existir. Segundo a BMW, a decisão foi tomada com base no feedback dos clientes e também para melhorar a aerodinâmica do SUV. Seja qual for o motivo, é o fim de uma das características mais marcantes da história do modelo.
Independentemente das escolhas de design, a quinta geração do X5 representa uma mudança muito maior do que uma simples reestilização. Ao combinar uma nova arquitetura multienergia, uma geração inédita de baterias, uma plataforma eletrônica mais sofisticada e cinco opções de propulsão, a BMW transforma um de seus modelos mais tradicionais na vitrine tecnológica da marca para os próximos anos.
Os preços do novo X5 ainda não foram divulgados, mas a expectativa é de um aumento em relação ao modelo atual. A chegada às concessionárias está prevista para o fim de 2026.
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