Ir para o conteúdo principal

Elétricos e híbridos pagam 35% de imposto no Brasil; preços vão subir?

Nova alíquota para importados entra em vigor, mas concorrência e produção local devem limitar reajustes

Geely: desembarque de carros elétricos em Paranaguá
Foto de: Governo do Paraná

A partir desta quarta-feira (1º), carros elétricos e híbridos importados passaram a pagar 35% de Imposto de Importação no Brasil, encerrando o cronograma de reoneração iniciado em janeiro de 2024 após anos de alíquota zerada.

Apesar da nova taxa, o mercado não trabalha com expectativa de uma alta generalizada de preços no curto prazo. O cenário atual é bastante diferente daquele de 2023, quando a retomada da tributação foi anunciada, principalmente por conta da concorrência mais intensa entre fabricantes, estoques já internalizados e do avanço dos planos de produção local.

BYD Song Pro - Porto de Suape

Também é importante destacar que os 35% incidem sobre o valor de importação do veículo e não diretamente sobre o preço final ao consumidor. Na prática, isso significa que o repasse ao mercado depende de fatores como margem comercial, estratégia de preço e nível de estoque de cada fabricante.

Evolução do imposto para veículos importados (CBU)

O cronograma de reoneração foi escalonado de forma gradual até atingir o teto atual:

Categoria

Até dez/2023

Jan/2024

Jul/2024

Jul/2025

Jul/2026

Elétrico (BEV)

0%

10%

18%

25%

35%

Híbrido plug-in (PHEV)

0%

12%

20%

28%

35%

Híbrido (HEV)

0%

15%

25%

30%

35%

Mesmo com o fim da fase de transição, o mercado brasileiro de eletrificados vive um momento de forte expansão, com maior oferta de modelos e uma disputa de preços mais agressiva entre marcas, sobretudo as chinesas. 

Concorrência e produção local reduzem pressão sobre preços

Nos últimos meses, várias montadoras aceleraram seus planos industriais no Brasil, reduzindo a dependência de veículos totalmente importados (CBU).

Após a Caoa Chery na década passada, BYD e GWM foram as primeiras da nova fase com estrutura local e já avançam em suas operações de montagem local e nacionalização de componentes.

Chevrolet Captiva EV no PACE
Foto de: Motor1 Brasil

Na semana passada, a MG Motor anunciou produção em regime SKD no Polo Automotivo de Pecém, no Ceará, enquanto a Chevrolet já está montando dois modelos elétricos na mesma unidade. 

Também com estratégia agressiva, marcas como GAC Motor e Omoda & Jaecoo Brasil afirmaram que terão produção nacional em breve.

Outro movimento importante vem da Geely Auto, que confirmou o início de sua operação industrial na fábrica da Renault Brasil, em São José dos Pinhais (PR). A empresa afirmou que sua produção local começará com índice de nacionalização superior ao observado em operações iniciais das concorrentes chinesas.

Galeria: Geely - desembarque de carros elétricos no PR

SKD e CKD também seguem no debate

A discussão tributária sobre os eletrificados importados ganhou novo capítulo na semana passada, quando o governo anunciou a prorrogação do regime escalonado para kits SKD e CKD, usados na montagem local de veículos.

Embora esses sistemas também estejam sujeitos à tributação, a carga é inferior à aplicada aos veículos totalmente montados, o que ajuda a viabilizar a produção nacional em fase inicial.

O que você pensa sobre isso?

A medida foi duramente criticada pela ANFAVEA, que argumenta que o regime favorece montadoras ainda em processo de industrialização no país.

Na prática, a entrada da alíquota de 35% sobre elétricos e híbridos importados marca o fim de uma etapa importante da eletrificação no Brasil. A medida gera debates, mas mostra um cenário que tende a acelerar a transição do mercado da importação para a industrialização local, algo que as principais marcas chinesas já estão fazendo. 

Compartilhe este artigo