Primeiro caminhão de bombeiros elétrico supera 700 atendimentos
Veículo da brigada de Londres opera desde outubro de 2025 e atende mais de duas ocorrências por dia
O primeiro caminhão de bombeiros eletrificado em operação no Reino Unido já participou de mais de 700 ocorrências desde que entrou em serviço ativo, em outubro de 2025. O número mostra que veículos de emergência também começam a avançar na transição energética, inclusive em aplicações nas quais confiabilidade e disponibilidade são fatores críticos.
Batizado de ZEPA1, o modelo faz parte da frota da London Fire Brigade, corporação responsável pelo combate a incêndios na capital britânica. Segundo dados divulgados pelo newsletter britânico The Fast Charge, o veículo respondeu a mais de 700 chamados em cerca de nove meses de operação - média superior a duas ocorrências por dia.
ZEPA é a sigla para Zero Emission Capable Pumping Appliance, algo como “veículo de combate a incêndio com capacidade de emissão zero”. Apesar do nome, o caminhão não é um elétrico puro. Tecnicamente, trata-se de um veículo eletrificado com extensor de autonomia, já que conta com motorização elétrica como sistema principal, mas mantém um motor a combustão como backup para situações específicas.
Na prática, a configuração busca combinar as vantagens da eletrificação com a redundância exigida por veículos de emergência. Em deslocamentos urbanos e operações rotineiras, o caminhão pode rodar em modo elétrico, reduzindo ruído e emissões locais. Já em cenários mais extremos, o sistema auxiliar garante segurança operacional.
O veículo tem bateria de 280 kWh e pode ser recarregado por corrente alternada (AC) ou contínua (DC). Sua base, localizada em Hammersmith, em Londres, conta com um carregador dedicado de 150 kW para atender a operação diária. A autonomia declarada é de aproximadamente 200 milhas, ou cerca de 320 quilômetros.
Como qualquer caminhão de bombeiros convencional, o ZEPA1 também precisa cumprir exigências operacionais específicas. O modelo transporta 1.750 litros de água e pode levar ainda 100 litros de espuma para combate a incêndios.
A adoção de eletrificação em veículos de emergência chama atenção porque esse tipo de aplicação possui características particularmente favoráveis à tecnologia. Diferentemente de caminhões rodoviários, por exemplo, viaturas de bombeiros costumam operar em ciclos urbanos curtos, permanecem longos períodos estacionadas em bases e frequentemente retornam ao mesmo ponto de origem - fatores que facilitam recarga e planejamento energético.
Além da redução de emissões, a operação silenciosa também pode ser uma vantagem. Em modo elétrico, há menor ruído mecânico em deslocamentos sem uso de sirene, o que pode melhorar o ambiente operacional em áreas densamente urbanizadas.
O caso britânico replica a tendência de outras frotas especiais, como ônibus urbanos, caminhões de coleta e veículos municipais. Em vez de a eletrificação avançar primeiro em todos os segmentos pesados de longa distância, a transição pode começar justamente em aplicações urbanas de uso previsível, onde a infraestrutura de recarga é mais fácil de implementar.
A expectativa é que a brigada de Londres divulgue uma atualização pública sobre o desempenho do ZEPA1 em setembro, quando o veículo completará um ano de operação. Mantido o ritmo atual, ele deverá ultrapassar com folga a marca de 1.000 atendimentos.
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