BorgWarner vê baterias LFP dominando mercado antes da chegada do sódio
No E-Days, Marcelo Rezende afirmou que a química LFP ainda liderará a evolução das baterias
Durante o E-Days, Marcelo Rezende, diretor para Sistemas de Baterias da BorgWarner, afirmou que as baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP) ainda devem permanecer como a principal tecnologia para veículos elétricos antes que novas químicas, como as baterias de sódio, alcancem maior participação no mercado.
Segundo o executivo, embora as células de sódio despertem grande interesse por seu potencial de reduzir custos e diminuir a dependência do lítio, a indústria ainda tem um amplo caminho de evolução para as baterias LFP, cuja escala de produção e ganhos tecnológicos continuam avançando.
"A LFP ainda tem muito espaço para evoluir. A indústria investiu fortemente nessa tecnologia e ela continuará sendo protagonista antes de uma migração mais ampla para outras químicas, como o sódio", afirmou Rezende.
Na avaliação do executivo, a evolução das baterias não acontece por substituições imediatas, mas por ciclos de amadurecimento tecnológico. Por isso, diferentes químicas deverão coexistir por vários anos, atendendo aplicações distintas conforme requisitos de autonomia, custo, peso e desempenho.
Rezende lembrou que as baterias NMC continuam relevantes para veículos que exigem maior densidade energética, enquanto as LFP ganharam espaço nos últimos anos graças ao menor custo, à elevada durabilidade e aos avanços na eficiência das células.
"Não existe uma química única capaz de atender todas as aplicações. Cada tecnologia ocupa um espaço específico dentro da estratégia das montadoras."
Segundo o diretor da BorgWarner, as baterias de sódio representam uma tecnologia promissora, principalmente para veículos de menor custo e aplicações estacionárias. No entanto, ele acredita que ainda será necessário ampliar a escala de produção e evoluir aspectos como densidade energética antes que elas alcancem uma participação significativa no mercado automotivo.
Durante o painel, Rezende também destacou que a BorgWarner acompanha essa evolução tecnológica por meio do desenvolvimento de diferentes soluções para sistemas de baterias. A empresa produz packs no Brasil desde 2022 e trabalha com múltiplas químicas para atender diferentes necessidades da indústria automotiva.
"A transição tecnológica não acontece de uma vez. As químicas convivem durante bastante tempo, e cada uma encontra seu espaço conforme o mercado evolui."
Na avaliação do executivo, essa convivência entre diferentes tecnologias deverá marcar os próximos anos da eletrificação, com as baterias LFP consolidando sua posição em grande parte dos veículos elétricos enquanto novas soluções, como o sódio, continuam avançando em desenvolvimento e escala industrial.
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