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China bate recorde de exportações; Brasil ganha papel estratégico

Recorde mostra a expansão global das montadoras chinesas e ajuda a explicar seus investimentos no Brasil

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Foto de: BYD

A China alcançou um marco inédito em junho de 2026. Pela primeira vez, o país exportou mais de 1 milhão de veículos em um único mês, impulsionado principalmente pelos modelos eletrificados. O resultado confirma uma mudança que já vinha ganhando força nos últimos anos: elétricos e híbridos plug-in deixaram de ser apenas uma aposta para se tornar o principal motor da expansão internacional das montadoras chinesas.

Segundo dados divulgados pela Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM), foram exportados 1,037 milhão de veículos em junho, alta de 11,6% em relação a maio e de 75,1% na comparação com o mesmo mês de 2025.

Galeria: BYD Shenzhen

Desse total, 523 mil unidades eram veículos de nova energia (NEVs), categoria que reúne elétricos a bateria, híbridos plug-in e modelos com extensor de autonomia. Pela primeira vez, os NEVs responderam por mais da metade das exportações mensais da China, com participação de aproximadamente 50,4%.

No acumulado do primeiro semestre, as exportações somaram 5,096 milhões de veículos, crescimento de 65,3% sobre o mesmo período do ano passado. Os eletrificados responderam por 2,355 milhões de unidades, ou 46,2% do total.

Mais mudança estrutural do que volume

Os números mostram uma transformação importante no perfil das exportações chinesas. Há poucos anos, a expansão internacional era puxada principalmente por veículos a combustão destinados a mercados emergentes. Agora, são justamente os eletrificados que lideram esse crescimento.

A mudança acompanha o avanço tecnológico das fabricantes chinesas, que passaram a competir globalmente não apenas pelo custo de produção, mas também por soluções como arquiteturas elétricas de 800 volts, baterias próprias, sistemas avançados de assistência ao motorista e desenvolvimento de software embarcado.

Leapmotor: navio para transporte de veículos
Foto de: Leapmotor

Segundo Cui Dongshu, secretário-geral da Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros (CPCA), a combinação entre uma cadeia de fornecimento consolidada, escala industrial e evolução tecnológica permitiu às montadoras chinesas ampliar sua competitividade em diferentes mercados.

Ao mesmo tempo, regiões como Sudeste Asiático, Oriente Médio e Rússia continuam puxando a demanda por veículos produzidos na China, enquanto as fabricantes aceleram sua presença em novos mercados.

Geely EX2 desembarca no Brasil e será lançado em novembro
Foto de: Geely

O Brasil faz parte desse movimento

Embora represente uma parcela pequena das exportações chinesas, o Brasil passou a ocupar uma posição estratégica nesse processo de internacionalização.

Nos últimos anos, o mercado brasileiro recebeu uma sucessão de novas marcas chinesas, entre elas BYD, GWM, Geely, GAC, MG Motor, Omoda & Jaecoo, Leapmotor e Zeekr. Em comum, todas utilizam o país como uma das principais portas de entrada para a América Latina.

Além das importações, algumas fabricantes já iniciaram uma nova etapa dessa estratégia. A BYD prepara o início da produção nacional em Camaçari (BA), enquanto outras empresas estudam ampliar sua presença industrial ou firmar parcerias locais.

O resultado é um mercado que, até poucos anos atrás, tinha participação limitada de veículos chineses e que hoje se tornou um dos principais destinos da expansão global dessas empresas.

Ariel Montenegro, Presidente da Renault Geely do Brasil, no E-Days 2026

Ariel Montenegro, Presidente da Renault Geely do Brasil, no E-Days 2026

Foto de: Motor1 Brasil

Tema também esteve em debate no E-Days

A estratégia de internacionalização das montadoras chinesas foi um dos assuntos recorrentes durante o E-Days 2026, evento promovido por InsideEVs Brasil e Motor1 Brasil.

Nos painéis, executivos destacaram que a expansão global das fabricantes chinesas deixou de depender apenas de preços competitivos e passou a combinar escala industrial, domínio da cadeia de baterias, desenvolvimento tecnológico e presença local nos principais mercados.

Alexandre Aquino, Diretor de Produto e Treinamento da BYD - E-Days 2026

Alexandre Aquino, Diretor de Produto e Treinamento da BYD - E-Days 2026

Foto de: Motor1 Brasil

Alexandre Aquino, vice-presidente da BYD Brasil, ressaltou a importância da produção nacional como parte da estratégia de longo prazo da empresa no país. Já Ariel Montenegro, da Renault Geely, explicou como a atuação global do grupo permite compartilhar plataformas, tecnologias e desenvolvimento entre diferentes regiões.

O que você pensa sobre isso?

Durante o evento, Oswaldo Ramos também observou que a indústria automotiva vive uma reorganização estrutural, em que eletrificação, software e capacidade industrial passam a definir a competitividade das fabricantes.

Os números divulgados agora pela CAAM confirmam o movimento. Se, no primeiro semestre, os eletrificados já representaram 46,2% das exportações chinesas, o recorde registrado em junho indica que essa participação deve continuar crescendo ao longo dos próximos meses, consolidando os veículos de nova energia como protagonistas da expansão internacional da indústria automotiva da China.

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