Brasil só fica atrás de Alemanha, Reino Unido e França em carros elétricos
BEVs já respondem por quase 10% das vendas de leves e o país supera a maioria dos mercados europeus
O mercado brasileiro de carros 100% elétricos (BEVs) atingiu um novo marco em junho de 2026. Com 21.612 unidades emplacadas, o país registrou um dos maiores volumes mensais de sua história e passou a ocupar uma posição de destaque quando comparado aos principais mercados da Europa.
Quando comparado com o mercado europeu, em volume absoluto de vendas, o Brasil ficou atrás apenas de Alemanha (84.057 unidades), Reino Unido (63.950) e França (55.831). O resultado coloca o mercado brasileiro à frente de países com tradição na eletromobilidade, como Noruega, Dinamarca, Itália, Espanha, Bélgica, Portugal, Suécia e Países Baixos.
A comparação mostra a velocidade com que o mercado brasileiro vem crescendo. Há poucos anos, os carros elétricos representavam um nicho de vendas no país. Hoje, os volumes mensais já rivalizam com mercados europeus consolidados.
Volume não é o mesmo que participação
Apesar do desempenho expressivo em números absolutos, a comparação muda quando o indicador passa a ser a participação dos elétricos nas vendas totais de veículos.
Enquanto a Noruega já registra um market share de aproximadamente 96,5% para os BEVs e a Dinamarca supera 80%, mercados como Alemanha, França e Reino Unido já se aproximam de 30%. No Brasil, os carros 100% elétricos representam atualmente cerca de 10% das vendas de veículos leves, percentual semelhante ao observado em Itália e Espanha.
Essa diferença é explicada principalmente pelo tamanho do mercado brasileiro. O país vende muito mais veículos que diversos mercados europeus, permitindo alcançar volumes elevados de elétricos mesmo com uma participação ainda inferior à dos países mais avançados na eletrificação.
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Ano |
Brasil: participação dos BEVs nas vendas de leves |
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2021 |
~0,2% |
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2022 |
~0,5% |
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2023 |
~1,5% |
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2024 |
~3,0% |
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2025 |
~6,0% |
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2026* |
~10% |
*Participação aproximada dos veículos elétricos a bateria (BEVs) nas vendas de automóveis e comerciais leves
Uma curva de crescimento acelerada
Se a comparação internacional mostra que o Brasil já ganhou escala, a evolução do próprio mercado nacional demonstra a velocidade da transformação.
Os carros 100% elétricos respondiam por cerca de 0,2% das vendas de veículos leves em 2021. Em 2022, essa participação passou para aproximadamente 0,5%. No ano seguinte, chegou a 1,5%, antes de dobrar para cerca de 3% em 2024 e atingir aproximadamente 6% em 2025.
Em 2026, impulsionados por sucessivos recordes de emplacamentos mensais, os BEVs já representam aproximadamente 10% das vendas de veículos leves no Brasil.
A trajetória mostra uma aceleração consistente da eletrificação em um intervalo relativamente curto, refletindo mudanças profundas tanto na oferta de produtos quanto na estratégia das montadoras para o mercado brasileiro.
Da popularização dos hatches à chegada dos SUVs
O avanço do market share acompanha a própria evolução da oferta de veículos elétricos. A partir de 2023, os BEVs deixaram de estar concentrados em modelos de nicho e passaram a disputar segmentos de maior volume. A primeira onda foi liderada pelos hatches compactos, com destaque para o BYD Dolphin e, posteriormente, o Dolphin Mini, que ampliaram o acesso à tecnologia e ajudaram a popularizar os carros elétricos no país.
Na sequência, a eletrificação avançou para um dos segmentos mais importantes do mercado brasileiro: os SUVs compactos e médios. Modelos como BYD Yuan Pro, Geely EX5, GAC Aion V, GAC Aion Y, MG S5 e Chevrolet Captiva EV ampliaram significativamente a oferta para consumidores que buscavam veículos familiares e de maior porte.
Ao mesmo tempo, uma nova disputa começa a ganhar força entre os elétricos compactos. A chegada de modelos como Geely EX2, GAC Aion UT e MG4 Urban tende a ampliar a concorrência entre os hatches compactos, aumentando a diversidade de opções e pressionando o mercado por preços mais competitivos.
Galeria: Chevrolet Captiva EV Premier (BR)
Investimentos refletem nova fase do mercado
Nos últimos anos, montadoras anunciaram a instalação de fábricas, produção nacional de veículos elétricos e ampliação de suas operações no país. Ao mesmo tempo, novas marcas passaram a atuar oficialmente no mercado brasileiro, ampliando a concorrência em praticamente todos os segmentos de eletrificação.
Esse movimento cria uma dinâmica diferente da observada nos primeiros anos dos BEVs no Brasil, quando havia poucas opções de modelos e volumes reduzidos de vendas. Hoje, a concorrência ocorre em diferentes faixas de preço, dos hatches urbanos aos SUVs médios, enquanto a produção local e a expansão da infraestrutura de recarga começam a dar suporte ao crescimento do mercado.
Mercado ainda tem espaço para avançar
Os números de junho mostram que o Brasil já figura entre os maiores mercados de carros elétricos em volume quando comparado aos principais países europeus. Ao mesmo tempo, a evolução do market share indica que a eletrificação ainda está longe de atingir seu potencial.
A combinação entre maior oferta de modelos, chegada de novas marcas, investimentos industriais, produção nacional e expansão da infraestrutura cria um ambiente favorável para que a participação dos veículos 100% elétricos continue crescendo nos próximos anos. Se há poucos anos os BEVs representavam uma parcela quase irrelevante das vendas, hoje já ocupam um espaço importante no mercado brasileiro e passam a disputar consumidores em praticamente todos os principais segmentos da indústria automotiva.
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