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Novo Dacia Spring abandona base do Kwid e mira BYD Dolphin Mini

Hatch adotará base do Twingo, ganhará eficiência e ainda não tem volta ao Brasil definida

Dacia Evader (2026), a renderização do Motor1.com
Foto de: Motor1.com

Conhecido por aqui como o primo europeu do Renault Kwid E-Tech, o Dacia Spring mudará completamente de conceito em sua próxima geração. O compacto deixará para trás a arquitetura derivada de um carro a combustão para compartilhar a plataforma do novo Renault Twingo, desenvolvida desde o início para veículos 100% elétricos. Com isso, também muda de missão: tornar-se um modelo de volume capaz de enfrentar o BYD Dolphin Mini na Europa.

A Dacia já confirmou que manterá o nome Spring e divulgou uma primeira imagem do modelo, ainda parcialmente escondido. Agora, uma projeção feita pelo InsideEVs.com Alemanha antecipa como poderá ser o visual do compacto, que deve estrear nos próximos meses.

Embora compartilhe boa parte da estrutura com o novo Twingo, o Spring terá identidade própria. A projeção mostra uma dianteira mais reta, com faróis quadrados, para-choque robusto e molduras plásticas ao redor das caixas de roda, mantendo o apelo mais aventureiro que o hatch atual sempre teve.

Na traseira, o desenho também aposta em linhas mais retas, lanternas quadradas e vidro pouco inclinado. O conjunto segue a linguagem sugerida pelo teaser oficial divulgado pela Dacia e ajuda a diferenciar o modelo do visual retrô adotado pelo Twingo.

Dacia Evader (2026), a renderização do Motor1.com
Foto de: Motor1.com

Agora um elétrico de verdade

A principal transformação, porém, estará escondida sob a carroceria. O Spring atual nasceu como Renault City K-ZE, uma versão adaptada do Kwid para rodar com baterias, produzida inicialmente para o mercado chinês. Mesmo após a recente reestilização, ele continua utilizando uma arquitetura originalmente criada para carros com motor a combustão. Isso mudará completamente na nova geração.

O compacto deverá utilizar a plataforma modular AmpR Small, a mesma do Twingo E-Tech e desenvolvida especificamente para carros elétricos. A arquitetura permite melhor aproveitamento do espaço interno e acomoda baterias maiores sem comprometer a cabine.

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Nova geração do Twingo, agora 100% elétrica, será base do próximo Spring 

Foto de: Renault

Em tamanho, inclusive, ele deverá crescer bastante. Considerando que o novo Twingo mede 3.789 mm de comprimento, 1.720 mm de largura, 1.491 mm de altura e tem 2.493 mm de entre-eixos, não será surpresa se o hatch ficar bem próximo do francês.

O Spring atual, por sua vez, possui 3.701 mm de comprimento, 1.583 mm de largura, 1.489 mm de altura e 2.423 mm entre os eixos. Com isso, a expectativa é que sua nova geração cresça em comprimento, largura e entre-eixos, embora continue ocupando a posição de modelo mais acessível da dupla.

Se o Twingo aposta em design retrô, maior nível de personalização e acabamento mais elaborado, o Spring seguirá um caminho diferente. A ideia é transformá-lo em um carro de volume para enfrentar modelos como o BYD Dolphin Mini, vendido na Europa como Dolphin Surf e hoje um dos principais responsáveis por acirrar a disputa entre os elétricos de entrada no Velho Mundo.

Mais potência e autonomia

A mecânica ainda não foi confirmada pela Dacia, mas tudo indica que o Spring herdará boa parte do conjunto utilizado pelo Twingo. Isso significa um motor elétrico dianteiro de 60 kW (82 cv) e 175 Nm (17,8 kgfm), alimentado por uma bateria LFP de 27,5 kWh.

No Twingo, esse conjunto entrega até 263 km de autonomia no ciclo WLTP. Caso seja mantido no Spring, o compacto ficará mais potente e também ganhará alcance em relação ao modelo atual, que oferece até 70 cv, 13,9 kgfm, bateria de 24,3 kWh e autonomia de 226 km.

De todo modo, a Dacia deverá limitar alguns equipamentos para preservar a distância em relação ao Twingo. Pense, aqui, na diferença que existe entre um Sandero e um Clio, que, mesmo construídos sobre a mesma base, têm níveis diferentes de tecnologia a bordo, bem como de itens de segurança ativa e passiva.

Mais barato que o Twingo

O objetivo, é claro, será manter o Spring como um dos carros elétricos mais baratos da Europa. Segundo executivos da marca, a nova geração deverá custar menos de 18 mil euros, ficando abaixo dos cerca de 20 mil euros pedidos pelo Twingo.

O fato é que essa estratégia cria um desafio para a própria Dacia. Se o novo Spring realmente chegar mais potente, com maior autonomia e ainda mais barato, será difícil justificar a permanência do modelo atual nas concessionárias.

Mesmo assim, informações de bastidores apontam que as duas gerações poderão conviver durante algum tempo, aos moldes do que a Fiat faz com o novo Grande Panda e o Pandina. Vale lembrar que o Spring/Kwid E-Tech atual recebeu recentemente uma nova arquitetura eletrônica e uma bateria atualizada, indicando que a marca ainda pretende aproveitar o investimento realizado no projeto.

Dacia Spring Cargo
Foto de: Dacia

Produção deixa a China

Outra mudança importante será o local de fabricação. O Spring deixará de ser produzido na China e passará a sair da mesma fábrica do Twingo, em Novo Mesto, na Eslovênia. A decisão foi tomada como forma de evitar as tarifas impostas pela União Europeia aos carros elétricos fabricados no país asiático. A produção compartilhada também permitirá ao Grupo Renault diluir os custos da nova plataforma.

Por fim, a apresentação oficial é esperada para outubro, durante o Salão do Automóvel de Paris. Até lá, detalhes como motorização, bateria e autonomia seguem como projeções baseadas no novo Twingo. O que já está confirmado é que o Spring continuará existindo, manterá seu nome e passará a representar uma ruptura completa em relação ao modelo atual.

Novo Renault Kwid E-Tech 2026
Foto de: Renault
Geely EX2 (BR)
Foto de: Geely

E por aqui?

Fica a dúvida sobre o retorno do Spring/Kwid E-Tech ao país. No início do ano, a Renault paralisou a importação do subcompacto elétrico apenas alguns meses após o lançamento do facelift externo e interno. Na ocasião, ele era o EV mais barato do país, tabelado em R$ 99.990.

O que você pensa sobre isso?

Ainda que não tenha deixado isso explícito, a saída do Kwid elétrico pode ter um culpado: o Geely EX2. Com a formação da parceria Renault-Geely no Brasil, o hatch da marca chinesa acabou ganhando espaço no mercado, ocupando hoje o segundo lugar entre os elétricos mais vendidos do país e também disputando em condições semelhantes com rivais a combustão da mesma faixa de preço.

O sucesso foi tanto que a marca mudou seus planos iniciais e passará a fabricá-lo no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), ainda em 2026. Com isso, diminuem as chances de vermos um Renault eletrificado mais barato disputando o mesmo espaço que ele.

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