Novo BYD elétrico custa R$ 69 mil e é menor que o Dolphin Mini
Feito para o mercado japonês, Racco usa bateria Blade e chega a 320 km de autonomia
A BYD acaba de lançar no Japão um elétrico ainda menor que o Dolphin Mini. Batizado de Racco, o pequeno hatch tem apenas 3,39 metros de comprimento e foi desenvolvido exclusivamente para atender às regras dos kei cars, categoria tradicional do mercado japonês.
Além do tamanho reduzido, o modelo chama atenção pelo preço. O Racco parte de 2,145 milhões de ienes, equivalentes a cerca de R$ 69 mil em conversão direta, enquanto a versão equipada com a bateria maior chega a 320 km de autonomia pelo ciclo japonês WLTC.
Menor que Dolphin Mini e feito para o Japão
Fruto da estratégia de desenvolver carros pensados especificamente para determinados mercados, o Racco não nasceu como um produto chinês posteriormente adaptado. A fabricante desenvolveu o modelo desde o começo para o Japão e levou ao limite as dimensões permitidas para a categoria dos kei cars.
São 3.395 mm de comprimento (contra 3.780 mm do Mini) e apenas 1.475 mm de largura, exatamente dentro dos limites estabelecidos pela regulamentação japonesa. A altura, por outro lado, alcança expressivos 1.800 mm, medida digna de SUVs bem maiores e superior à de muitos utilitários da própria BYD. Visualmente, ele segue a receita típica dos kei cars mais populares do país, que usam carrocerias estreitas e altas para aproveitar melhor o espaço interno, e não foge do visual quadradinho comum a esses modelos.
Hoje um dos menores EVs do Brasil, Dolphin Mini tem 385 milimetros a mais do que o Racco
É justamente essa combinação que deixa o Racco com proporções bastante diferentes das encontradas nos elétricos compactos vendidos no Brasil. O desenho é praticamente de uma pequena caixa sobre rodas, com laterais quase verticais e cabine alta para privilegiar o aproveitamento interno.
O motor elétrico, por sua vez, é diferente do usado no Dolphin Mini. Ele fica instalado no eixo dianteiro e desenvolve 47 kW, equivalentes a 63 cv, além de 16,3 kgfm de torque, consideravelmente menos do que o atual menor hatch da marca vendido por aqui.
A bateria pode ter 22,4 kWh na versão de entrada, suficiente para 210 km de autonomia pelo ciclo japonês WLTC, ou 35,84 kWh nas configurações superiores, que chegam aos 320 km. A recarga rápida em corrente contínua varia de 35,8 kW no Racco 200 a 49,7 kW nas versões equipadas com a bateria maior.
Porta de correr e até porta-copos aquecido
Não se engane pelo tamanho. Mesmo com posicionamento de entrada, o Racco está longe de ser um carro simples. Dependendo da configuração, o hatch pode ter porta lateral corrediça elétrica com abertura por movimento dos pés, chave digital por NFC e sistema de pré-aquecimento da bateria.
Há ainda central multimídia de 10,1", bancos dianteiros e volante aquecidos, seis airbags, monitoramento da pressão dos pneus e banco do motorista com ajuste elétrico em seis posições. Entre as soluções mais curiosas está até um porta-copos com aquecimento.
O pequeno BYD também conta com função V2L, permitindo utilizar a bateria do carro para alimentar equipamentos externos. São quatro lugares e um porta-malas de 280 litros, enquanto o rebatimento dos bancos traseiros amplia a capacidade de carga para até 1.372 litros.
2026 Honda N-One e: (Japão)
Mas por que um kei car?
O esforço para desenvolver um modelo exclusivo fica mais fácil de entender quando se olha para o tamanho do mercado japonês de kei cars. A categoria é uma das mais importantes do país e historicamente dominada por fabricantes locais como Honda, Suzuki, Nissan e Daihatsu.
Os kei cars da Honda, por exemplo, foram a linha de automóveis mais vendidos do Japão no primeiro trimestre de 2026, com mais de 56 mil unidades comercializadas no período. A BYD entra, portanto, diretamente em uma das áreas mais protegidas e competitivas da indústria japonesa.
A preparação também foi além do carro. Antes do lançamento, a fabricante chinesa chegou a contratar um ex-executivo da Nissan especializado em kei cars para auxiliar no desenvolvimento do projeto, enquanto rivais locais já demonstravam atenção à chegada da nova concorrente.
E nem mesmo as antigas rixas entre japoneses e chineses parecem ter atrapalhado seu começo. Em um mercado historicamente difícil para fabricantes estrangeiras - e ainda mais para as chinesas -, o pequeno Racco já soma 1.002 pedidos apenas duas semanas depois do lançamento, segundo dados do Nikkei repercutidos pelo CarNewsChina. A meta da BYD é chegar a 10 mil reservas até o fim de 2026.
Mais curioso é que o preço de entrada não parece ser o principal responsável pela procura. Nada menos que 80% dos pedidos foram pelo Racco 300 Premium, versão mais cara da gama, enquanto o 300 Plus respondeu por 14% e o básico 200 ficou com apenas 6%.
Entre os compradores consultados, 35,7% adquiriram o Racco como um carro adicional para a família e outros 35,7% estavam substituindo um veículo que já possuíam. Quem comprou seu primeiro automóvel representou 26,8% do total.
O resultado chama ainda mais atenção considerando o tamanho atual da BYD no Japão. Em julho, a fabricante entregou apenas 383 carros no país, número que ajuda a dimensionar o desafio de uma marca chinesa que agora tenta entrar justamente em um dos segmentos mais tradicionais da indústria local.
Tem chance no Brasil?
Por enquanto, não há qualquer indicação nesse sentido. O Racco foi desenvolvido especificamente para se enquadrar na regulamentação japonesa de kei cars e a BYD não anunciou planos de comercializá-lo em outros países.
Mas, como a marca é rápida e não tem receio de investir em segmentos diferentes, não é totalmente improvável que vejamos algo compacto por aqui mais próximo do gosto brasileiro. A própria marca já fala, no médio prazo, no lançamento do Dolphin G, versão híbrida recém-mostrada na Europa.
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