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Leapmotor B05 surpreende ao dirigir, mas exagera na assistência eletrônica

Desenvolvido com influência da Stellantis, elétrico entrega boa dinâmica, porém peca em calibração eletrônica

Teste do Leapmotor B05 (2026)
Foto de: InsideEVs

Mesmo com o avanço dos SUVs nos últimos anos, os hatchs médios ainda preservam espaço importante na Europa, especialmente entre consumidores que buscam um elétrico compacto sem abrir mão de desempenho e praticidade. É nesse cenário que a Leapmotor posiciona o novo B05 no disputado segmento C.

O modelo chega para enfrentar nomes já consolidados entre os elétricos compactos, como o Volkswagen ID.3 e o Cupra Born, dois rivais reconhecidos pelo bom comportamento dinâmico. Tradicionalmente, esse nunca foi exatamente o ponto forte de muitos carros chineses. No caso do B05, porém, a história muda.

Com tração traseira e distribuição de peso próxima de 50:50 entre os eixos, o hatch foi claramente desenvolvido com foco em dirigibilidade. O motor elétrico entrega 160 kW (218 cv) e 240 Nm de torque, suficientes para levar o modelo de 0 a 100 km/h em 6,7 segundos. Há até launch control, algo incomum nessa faixa.

Leapmotor B05 (2026) em teste
Leapmotor B05 (2026) em teste
Leapmotor B05 (2026) em teste
Fotos de: Leapmotor
Fotos de: Leapmotor

A bateria pode ser de 56,2 kWh ou 67,1 kWh. Na versão maior, a autonomia declarada chega a 482 km pelo ciclo WLTP, com consumo de 15,9 kWh/100 km. Em recarga rápida, a Leapmotor fala em potência máxima de 168 kW, suficiente para levar a carga de 30% a 80% em 17 minutos.

O dado, porém, chama atenção pelo recorte. Em vez do tradicional intervalo de 10% a 80%, a marca opta por divulgar a janela entre 30% e 80%, o que naturalmente levanta dúvidas sobre o comportamento da curva de carregamento abaixo disso.

Design com inspiração alemã

Visualmente, o B05 tem proporções que lembram bastante um cupê compacto tradicional. Há semelhanças evidentes com o antigo Volkswagen Scirocco, principalmente na dianteira.

A faixa preta horizontal, os faróis afilados e o desenho frontal remetem ao esportivo da Volkswagen. A lateral segue caminho parecido, com cintura alta, balanços curtos e postura levemente inclinada para frente.

Leapmotor B05 (2026) em teste
Foto de: Leapmotor

Com 4,43 metros de comprimento e entre-eixos de 2,735 m, o B05 transmite uma proposta visual mais esportiva do que a de muitos rivais chineses. As maçanetas embutidas ajudam na aerodinâmica e reforçam a aparência moderna. Na traseira, a barra de LED entre as lanternas adiciona um toque atual, embora o conjunto ainda não tenha grande identidade própria.

Interior funcional, mas sem apelo

O interior aposta em uma abordagem minimalista, dominada por telas, superfícies plásticas e poucos elementos visuais marcantes. Tirando a iluminação ambiente ao redor das saídas de ar, falta personalidade ao conjunto.

A percepção de qualidade também oscila bastante conforme a área tocada. Alguns materiais parecem robustos, mas sem refinamento. O volante compensa com boa pegada e dimensões agradáveis.

Leapmotor B05 (2026) em teste
Leapmotor B05 (2026) em teste
Leapmotor B05 (2026) em teste
Fotos de: Leapmotor
Fotos de: Leapmotor

O console central elevado aumenta a sensação de aperto na dianteira, embora o espaço para cabeça e pernas seja adequado. Os bancos oferecem ajustes relativamente simples, mas pessoas com biotipos fora do padrão podem ter mais dificuldade para encontrar uma posição ideal.

Atrás, sobra espaço para as pernas, mas o assoalho alto,  típico de EVs com bateria sob o piso, deixa os joelhos mais elevados que o ideal.

O porta-malas decepciona. São apenas 295 litros, número muito baixo para o segmento. Para comparação, tanto o ID.3 quanto o Born passam de 380 litros mesmo sendo menores em comprimento. Com os bancos rebatidos, o volume sobe para 1.205 litros, ainda abaixo de parte da concorrência.

Leapmotor B05 (2026) em teste
Foto de: Leapmotor

A central multimídia também exige paciência. Os menus parecem excessivamente segmentados e menos intuitivos do que a média da categoria. A dependência da tela para funções básicas incomoda. Há poucos comandos físicos no carro, e até o ajuste dos retrovisores exige navegar pela central. Também cansa a exigência recorrente de autenticação por PIN para ligar o veículo. Isoladamente parece um detalhe pequeno; na rotina, vira incômodo.

Dinâmica é o ponto alto

Na estrada, o B05 mostra por que a parceria com a Stellantis pode fazer diferença. O acerto de suspensão foi claramente calibrado para o gosto europeu. Não há aquela sensação de carro excessivamente macio, com movimentos de carroceria demorados ou direção anestesiada. O hatch responde rápido, mantém a carroceria sob controle e transmite mais precisão do que se espera de um modelo chinês nessa faixa.

A direção acompanha esse comportamento, com respostas rápidas e feedback convincente. Em trechos sinuosos, o carro muda de direção com agilidade e passa sensação de confiança.

O conjunto motriz também agrada. A aceleração é forte, mas sem aquele tranco inicial exagerado que alguns elétricos entregam para impressionar nos primeiros metros.

Leapmotor B05 (2026) em teste
Foto de: Leapmotor

A Leapmotor, porém, deixou escapar alguns detalhes importantes de usabilidade. A regulagem da regeneração, por exemplo, poderia ser mais prática. Não há paddle shifters atrás do volante para ajustes rápidos. Sempre que o motorista quer mudar a intensidade da regeneração, precisa entrar nos menus da central.

Assistentes passam do ponto

Os assistentes eletrônicos comprometem uma parte importante da experiência ao volante. O assistente de permanência em faixa atua de forma agressiva demais. Em vias estreitas, o sistema corrige a trajetória constantemente, muitas vezes com força excessiva.

Em alguns casos, o carro interpreta remendos no asfalto, desgaste da pista ou simples diferenças de tonalidade como marcações de faixa. O resultado são correções indevidas, resistência no volante e alertas sonoros quase contínuos. Em vez de transmitir segurança, o sistema gera tensão.

Leapmotor B05 (2026) em teste
Foto de: Leapmotor

A situação piora porque desligar esses assistentes não é simples durante a condução. Muitas configurações só podem ser alteradas com o carro parado ou por meio de perfis previamente salvos.

Quando sistemas de assistência começam a interferir de forma errática, deixam de ser conveniência e passam a representar um problema de segurança. Esse é, hoje, o principal ponto que a Leapmotor precisa recalibrar.

Outro detalhe: o B05 também não oferece capacidade declarada para reboque nem carga vertical no engate, limitando usos como transporte de bicicletas em suportes traseiros.

Preço competitivo

Na Europa, o Leapmotor B05 parte de 27.900 euros (cerca de R$ 164 mil na cotação atual de R$ 5,88) na versão Pro Life com bateria de 56,2 kWh.

A versão avaliada, ProMax Design, com bateria de 67,1 kWh, custa 31.900 euros (aproximadamente R$ 188 mil).

O pacote de equipamentos é generoso, com praticamente tudo de série. Os opcionais ficam restritas basicamente às cores da carroceria.

Entre os rivais, o ID.3 parte de 33.995 euros, enquanto o Born começa em 39.990 euros. Outros concorrentes incluem o Opel Astra Electric, o Peugeot E-308, o Kia EV4 e o BYD Dolphin.

Galeria: Teste - Leapmotor B05 (2026) na Alemanha

Veredicto

O Leapmotor B05 entrega uma combinação que talvez surpreenda quem ainda associa carros chineses a acertos dinâmicos conservadores. O hatch acelera bem, contorna curvas com competência e mostra um nível de refinamento ao volante acima do esperado.

Isso, porém, não elimina suas limitações. O porta-malas pequeno, a ergonomia discutível e a interface pouco intuitiva reduzem parte do apelo no uso diário.

O que você pensa sobre isso?

O maior problema está na calibração dos assistentes eletrônicos. Hoje, eles interferem demais e acabam tornando a experiência mais estressante do que deveria. Se a Leapmotor corrigir isso por software, o B05 tem potencial real para incomodar rivais tradicionais na Europa. 

Ainda não sabemos das possibilidades reais de vinda do B05 ao Brasil. Porém, o lançamento na Europa e o avanço da operação local podem trazer novidades, a depender da boa aceitação do modelo. 

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