Impressões MG4 Urban: MG acertou a receita, agora falta o preço
Espaço, eficiência e boa dirigibilidade, mas preço será decisivo para enfrentar Dolphin, EX2 e Aion UT
Até pouco tempo, falar em hatch elétrico no Brasil era, basicamente, falar de um único carro. Esse cenário mudou rápido. O segmento cresceu, ganhou concorrentes e virou um dos campos mais promissores da eletrificação. É nesse ambiente que a MG Motor prepara a chegada do MG4 Urban, modelo que deve liderar a ofensiva da marca no país. Tivemos um primeiro contato ao volante para entender o que ele agrega nessa disputa cada vez mais acirrada.
Nos últimos meses, o segmento de hatches elétricos finalmente começou a ganhar tração no Brasil. O que, na prática, nasceu com o BYD Dolphin em 2023 deixou de ser um mercado de um carro só e passou a atrair concorrentes com propostas cada vez mais distintas.
MG4 Urban - pré-lançamento
O GWM Ora 03 foi o primeiro a tentar desafiar o Dolphin e chegou a chamar atenção, embora tenha perdido força nos últimos meses. Depois veio o Geely EX2, que rapidamente se firmou entre os modelos mais vendidos, enquanto o próprio Dolphin foi reestilizado e a GAC estreou com o bem-recebido GAC Aion UT. Agora é a vez da MG Motor entrar nessa disputa com o novo MG4 Urban, sua aposta para o segmento que mais cresce no mercado de elétricos.
O que é?
Na bagagem, a proposta de um elétrico chinês mais acessível respaldada pela gigante SAIC com uma estratégia que alia tecnologia da China com projeto e design britânicos. E a marca faz questão de deixar isso bem claro o tempo todo.
No primeiro olhar, gostei do visual e das proporções: bem melhor ao vivo. A MG, aliás, destaca que o design teve muita inspiração no roadster Cyberster, o que ajuda a subir o sarrafo do elétrico mais acessível da marca, hoje uma “sino-britânica”.
Bem espaçoso, o Urban promete resolver o problema de famílias pequenas que não precisam (ou não querem se "render ao SUV"). Com 4,39 m de comprimento e generosos 2,75 m de entre-eixos, os bancos dianteiros acomodam bem, há bastante espaço para pernas no banco traseiro e o porta-malas figura entre os maiores do segmento. A MG fala em 477 litros, número que supera a marca de alguns SUVs médios, em que pese a ausência do estepe convencional.
O visual interno não chega a ser muito inovador, é o que vemos em compactos e médios elétricos chineses. Ainda assim, o desenho interno, as formas do painel, painéis de portas e bancos agradam e se valem de bons materiais. No topo do painel o revestimento é de plástico rígido, mas que no conjunto da obra não compromete o acabamento final.
As duas telas, uma para o quadro de instrumentos e outra para a central multimídia, também não fogem ao padrão, mas o Urban se sai muito bem em usabilidade, porque tem botões convencionais para os retrovisores elétricos, para o volume e comandos do ar-condicionado e desembaçador. A MG ainda consegue resistir a centralizar tudo na tela multimídia, e isso é muito bom.
Dependendo da versão, o Urban também traz um pacote bastante completo de assistentes de condução (ADAS), incluindo controle de cruzeiro adaptativo, assistente de permanência em faixa e câmera 360°.
MG4 Urban - pré-lançamento
Como anda?
Nosso primeiro contato com o MG4 Urban teve um test drive em rodovia, saindo da capital em trajeto de cerca de 100 km rumo ao interior. Não deu pra avaliar muito como ele se comporta nas ruas normais da cidade, mas ao menos na estrada se saiu bem.
Com 160 cv de potência e 25,5 kgfm de torque, não chega a “sobrar” em desempenho, mas foi muito bem pela entrega equilibrada de potência, sem apresentar falta de força em nenhuma situação, sobretudo em rodovia com limite de 120 km/h.
O interessante é que, mesmo rodando boa parte do tempo entre 110 km/h e 120 km/h, o consumo não foi castigado. Ao fim do percurso de 107,2 km, o computador de bordo registrava 14,5 kWh/100 km, equivalente a 6,9 km/kWh.
Considerando a bateria de 53,9 kWh da versão avaliada, esse resultado projeta uma autonomia teórica de 370 km, número muito próximo dos 358 km homologados pelo Inmetro, mesmo em um uso predominantemente rodoviário e sem preocupação em economizar. Em ambiente urbano, onde a regeneração de energia tende a favorecer a eficiência, a expectativa é de resultados ainda melhores.
Galeria: MG4 Urban - pré-lançamento
Falando do tempo de carregamento, pelos dados oficiais a recarga rápida em corrente contínua pode chegar a 150 kW, permitindo recuperar de 10% a 80% da bateria em cerca de meia hora.
Esse equilíbrio entre potência e eficiência vem acompanhado de um comportamento dinâmico bem previsível. Aqui, aparenta um cuidado maior na calibração de suspensão se compararmos com modelos como Dolphin GS ou Geely EX2, por exemplo. Naturalmente, ele não tem o refinamento de condução do irmão mais velho MG4 global, mas ainda assim está em um nível excelente para um elétrico de entrada. Se há um ponto a refinar, talvez seja a calibração dos pedais, principalmente do acelerador, que me pareceu muito sensível, mesmo no modo normal de condução.
Quanto custa?
A MG ainda não definiu os preços e versões do MG4 Urban, mas deixou pistas sobre o posicionamento, tendo como alvo o intervalo Geely EX2 e BYD Dolphin SE, entre R$ 123.800 e R$ 136.800 do Geely EX2 e os R$ 159.990 do Dolphin SE. Se o objetivo for entrar mais forte nessa briga dos hatches, algo entre R$ 130 mil e R$ 150 mil seria plausível. Acima disso, pode começar a sofrer com um público que se dispersa para as muitas opções que surgem nessa faixa de preço.
Independentemente do preço, o MG4 Urban é um elétrico com projeto moderno, que carrega bons atributos herdados do irmão mais velho, como espaço, boa dirigibilidade, um pacote completo, além de eficiência e autonomia entre as melhores do segmento. Se a MG ampliar a rede, aplicar a etiqueta certa de preço e avançar com a produção nacional, a chance de sucesso é grande.
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