Novo BMW iX3 encara 800 km para colocar sua autonomia à prova
SUV enfrentou montanhas, modo Sport e trechos a 140 km/h sem obrigar o motorista a dirigir pensando na bateria
Parte da nova fase vivida pela alemã BMW, o SUV iX3 já está em pré-venda no mercado brasileiro e com uma grande responsabilidade: ele é, hoje, o carro com a maior autonomia homologada pelo PBEV do Inmetro, com nada menos que 570 km. Mas como esse número se traduz no uso real?
A convite da divisão romena da fabricante, o InsideEVs.com encarou cerca de 800 km pelas estradas do país, saindo de Bucareste e passando por rodovias, vias rurais e pelas montanhas da famosa Transfăgărășan. O objetivo não era simplesmente descobrir se o iX3 conseguiria completar o percurso, mas entender se faria tudo isso sem exigir que o motorista reduzisse o ritmo ou organizasse a viagem inteira em função da bateria.
O roteiro tinha exatamente os ingredientes que costumavam alimentar a chamada ansiedade de autonomia nos primeiros carros elétricos: longas distâncias, poucas passagens urbanas, subidas acentuadas e trechos em velocidades de autoestrada. No segundo dia, ainda haveria espaço para explorar o desempenho do SUV em uma das estradas de montanha mais conhecidas da Europa.
E não houve tentativa de transformar o percurso em uma prova de hipermiling. O iX3 foi dirigido como seria um carro a combustão, sem buscar constantemente a melhor eficiência e sem abrir mão de climatização, acelerações mais fortes ou velocidades mais altas quando as condições permitiam.
O ponto de partida no primeiro dia.
Primeiro dia termina com 40% de bateria
O carro utilizado foi um BMW iX3 xDrive50, equipado com bateria de 108,7 kWh. A viagem começou em Bucareste com 97% de carga e uma estimativa relativamente conservadora de 568 km de autonomia no computador de bordo.
É um número curioso quando comparado às homologações. Na Europa, o SUV alcança até 805 km pelo ciclo WLTP. No Brasil, onde o procedimento do Inmetro é mais severo, são os já mencionados 570 km, ainda suficientes para colocá-lo acima de qualquer outro elétrico homologado atualmente no país.
Os primeiros quilômetros foram feitos principalmente em estradas a cerca de 100 km/h, com uma pequena passagem por autoestrada. Depois de 180,4 km, o computador indicava consumo médio de 18,8 kWh/100 km.
Dirigindo por estradas rurais da Romênia.
Estradas rurais mais estreitas e de menor velocidade ajudaram a reduzir ainda mais o gasto. Ao chegar ao destino do primeiro dia, o iX3 havia percorrido 350,1 km, registrava média de 17,6 kWh/100 km e, mais importante, ainda conservava 40% da bateria.
O computador estimava outros 279 km disponíveis. Havia carga suficiente até para considerar uma volta sem recarregar durante a noite, embora isso provavelmente exigisse justamente aquilo que queríamos evitar: velocidades mais baixas, acelerações suaves e maior preocupação com eficiência. Em vez disso, o carro foi carregado. Na manhã seguinte, voltou com 98% e, depois do bom consumo registrado no primeiro dia, passou a projetar 703 km de autonomia.
Um pouco de off-road para chegar às 'pirâmides' de Șona.
Montanha faz consumo disparar, mas sobra bateria
O segundo dia seria muito mais exigente. Saindo de Sibiu em direção à Transfăgărășan, o iX3 começou surpreendentemente econômico. Em velocidades mais baixas antes do início das curvas, o consumo chegou a ficar na faixa de 14 kWh/100 km.
É um valor especialmente interessante considerando o tamanho do carro. Estamos falando de um SUV elétrico de mais de 2,3 toneladas, com dois motores, bateria de 108,7 kWh e, na configuração europeia avaliada, 463 cv. Mas a busca pela eficiência durou pouco.
Com o modo Sport ativado, a segunda parte da viagem virou também uma oportunidade para explorar o chassi da Neue Klasse. E o iX3 consegue esconder boa parte de sua massa. A bateria montada rente ao assoalho mantém o centro de gravidade baixo, enquanto o SUV se mostrou neutro nas curvas e resistente à tendência de sair de frente.
BMW iX3 na Transfăgrășan.
Mais surpreendente é que o tamanho e o peso do novo BMW não tiram completamente a diversão. Nas curvas fechadas da Transfăgărășan, o iX3 mostrou comportamento suficientemente ágil para parecer mais disposto do que se esperaria de um SUV familiar tão pesado.
Uma única passagem pela montanha não foi suficiente. Depois de chegar a Bâlea, o carro desceu até Cârțișoara e voltou pelo mesmo caminho, enfrentando pela segunda vez um ganho de aproximadamente 1.580 metros de altitude. Após cerca de 160 km naquele dia, mesmo com duas subidas e condução mais forte, ainda havia 57% de bateria.
Naturalmente, o consumo já não lembrava os números do começo da manhã. O computador chegou a mostrar 37,8 kWh/100 km e depois estabilizou em 29,6 kWh/100 km, considerando o percurso desde Sibiu, as duas subidas e a regeneração de energia durante as descidas.
Breve parada em um ponto panorâmico perto do cume.
400 km e ainda 16% de carga
Depois das montanhas, restava voltar a Bucareste. E o trecho final também não foi exatamente pensado para favorecer um elétrico em uma prova de consumo. Foram cerca de 150 km de autoestrada a 140 km/h, além de todo o esforço anterior nas montanhas. Mesmo assim, não houve necessidade de parar para recarregar antes de chegar ao destino.
Ao final do segundo dia, depois de aproximadamente 400 km, o iX3 estacionou novamente em Bucareste com 16% de bateria restante. Talvez esse seja o dado mais importante de toda a experiência.
O SUV não chegou raspando nos últimos quilômetros projetados pelo computador, tampouco precisou reduzir a velocidade ou desligar o ar-condicionado para garantir que alcançaria o destino. Mesmo depois de duas passagens por uma estrada de montanha, uso do modo Sport e velocidades elevadas em autoestrada, ainda havia uma reserva confortável de energia.
Ansiedade de autonomia já é passado?
A bateria de 108,7 kWh obviamente tem papel fundamental nessa tranquilidade, mas tamanho sozinho não explica o resultado. O iX3 também mostrou boa eficiência em condições normais, regeneração capaz de recuperar parte importante da energia em descidas e, principalmente, uma estimativa de autonomia que não obrigou o motorista a desconfiar constantemente do computador de bordo.
É justamente essa combinação que muda a experiência de viajar em um elétrico. Durante muito tempo, uma viagem longa significava adaptar o motorista ao carro: diminuir a velocidade, calcular margens generosas de segurança e planejar cada parada para recarga.
No iX3, a sensação foi quase a inversa. Foi possível usar o desempenho, atacar uma estrada de montanha, manter o ar-condicionado funcionando e viajar em ritmo normal sem passar o tempo inteiro pensando em quantos quilômetros ainda restavam.
Isso não significa que a ansiedade de autonomia tenha desaparecido completamente. Em regiões onde a infraestrutura de recarga ainda é limitada, saber onde será possível recuperar energia continua sendo parte importante do planejamento. E os cerca de 800 km desta experiência, relembramos, foram divididos em dois dias com recarga durante a noite entre eles.
De qualquer forma, a experiência serviu para mostrar que os velhos receios de autonomia baixa comuns aos elétricos feitos até o começo dessa década já não fazem tanto sentido assim. Para uma maioria esmagadora de motoristas, o iX3 roda tranquilamente em sua rotina diária e em uma viagem planejada. A grande questão hoje, é claro, fica para a infraestrutura, mas aí já não é mais um problema dos carros em si.
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