Novo Mercedes-Benz Classe C elétrico une 489 cv e 760 km de autonomia
Sedã elétrico estreia com 760 km de autonomia, tela de 39,1” e conforto de sobra, mas excesso de tecnologia cobra seu preço
O novo Mercedes-Benz Classe C ainda não tem previsão de chegada ao Brasil, mas a redação do Motor1 e do Insideevs Itália já teve o primeiro gostinho da geração que transforma completamente um dos sedãs mais tradicionais da marca. Apresentado inicialmente como elétrico, o modelo estreia plataforma dedicada, arquitetura de 800 volts e números dignos de esportivo.
O primeiro contato aconteceu com o C 400 4Matic Electric, versão que abre a gama europeia com dois motores, tração integral e 489 cv. Apesar da aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 4,1 segundos, foram o conforto, o silêncio a bordo e a eficiência em viagens que mais chamaram atenção.
Maior, mais digital e com jeito de cupê
A mudança começa pelas proporções. O novo Classe C mede 4,88 metros de comprimento, cerca de 13 cm a mais que o sedã atual, enquanto a distância entre-eixos cresceu 97 mm e passou a 2.962 mm. Segundo a Mercedes-Benz, o ganho resultou em 12 mm adicionais para os joelhos dos passageiros traseiros. Pode parecer pouco no papel, mas ajuda a tornar a segunda fileira mais confortável, especialmente em viagens mais longas.
Visualmente, o Classe C também se distancia das gerações anteriores. Em vez do desenho clássico de sedã de três volumes, a Mercedes-Benz apostou em uma silhueta mais próxima à de um cupê de quatro portas, com vidro traseiro inclinado, balanços curtos e linhas mais suaves em direção à traseira.
Mercedes Classe C EQ (2026), un dettaglio della coda
Na frente, a enorme grade iluminada é formada por 1.050 pontos luminosos e, de acordo com a fabricante, busca inspiração no clássico Mercedes-Benz W111. Os faróis e as lanternas também adotam assinaturas em formato de estrela, reforçando a nova identidade visual da marca.
O conjunto não serve apenas para chamar atenção. As maçanetas retráteis, o assoalho carenado e os ajustes feitos na carroceria ajudaram a alcançar um coeficiente aerodinâmico de 0,22 Cx, importante tanto para a autonomia quanto para a redução dos ruídos em velocidades mais elevadas.
Mercedes Classe C EQ (2026), la plancia
Interior troca quase todos os botões por telas
Por dentro, a transformação é ainda mais radical. O principal destaque é o MBUX Hyperscreen opcional de 39,1", formado por três telas instaladas sob uma única superfície de vidro que ocupa praticamente toda a largura do painel.
O conjunto reúne o quadro de instrumentos, a central multimídia e uma terceira tela exclusiva para o passageiro dianteiro. Tudo funciona por meio do sistema operacional MB.OS, que integra o assistente virtual da Mercedes-Benz a ferramentas como ChatGPT-4o, Microsoft Bing e Google Gemini.
A qualidade das imagens e a velocidade das respostas impressionam, assim como a capacidade do sistema de compreender comandos mais naturais e manter o contexto de uma conversa. O fato é que a Mercedes-Benz concentrou quase todas as funções na interface digital, inclusive os controles de climatização.
Essa escolha deixa a cabine visualmente mais limpa e futurista, mas exige maior atenção para executar tarefas que antes dependiam de um simples botão físico. É um ponto que deverá dividir opiniões entre os consumidores mais ligados à tecnologia e aqueles que ainda preferem comandos tradicionais.
Mercedes Classe C EQ (2026), il bagagliaio
Outro recurso chamativo é o teto panorâmico eletrocrômico, que permite controlar a entrada de luz na cabine. Dependendo da configuração, ele também recebe 162 pequenos pontos iluminados em formato de estrelas, acompanhando a cor escolhida para a iluminação ambiente.
O acabamento mantém o padrão esperado de um alemão deste nível, com materiais refinados, encaixes precisos e ótima percepção de qualidade. O porta-malas traseiro comporta 470 litros, volume apenas razoável para um carro com quase 4,90 metros de comprimento.
Em compensação, há um compartimento dianteiro de 101 litros, suficiente para guardar cabos de carregamento, mochilas ou objetos menores. O acesso é feito pelo lado de fora do veículo, pressionando o emblema da Mercedes-Benz na dianteira.
Mercedes Classe C EQ (2026), la prova di Motor1.com
Quase 490 cv e torque de caminhão
O C 400 4Matic Electric utiliza dois motores elétricos síncronos de ímã permanente, um em cada eixo. Juntos, eles entregam 360 kW, equivalentes a 489 cv, além de 81,6 kgfm de torque. Com esse conjunto, o sedã acelera de 0 a 100 km/h em 4,1 segundos. A tração integral atua de maneira inteligente e consegue desconectar o motor dianteiro quando sua participação não é necessária, reduzindo o consumo em trechos de velocidade constante.
Uma das soluções mais incomuns está no eixo traseiro. O novo Classe C adota uma transmissão de duas marchas, recurso ainda raro entre os carros elétricos. A primeira relação, de 11:1, favorece as arrancadas e acelerações mais fortes, enquanto a segunda, de 5:1, reduz o esforço do motor em rodovias.
Mercedes Classe C EQ (2026), la prova di Motor1.com
A bateria de íons de lítio tem 94,5 kWh de capacidade útil, ou 100 kWh brutos, e utiliza células de níquel, manganês e cobalto. Segundo a Mercedes-Benz, a autonomia pode chegar a 760 km pelo ciclo europeu WLTP.
A arquitetura elétrica de 800 volts permite recargas rápidas em corrente contínua de até 330 kW. Em condições ideais e encontrando um eletroposto compatível, a fabricante afirma que é possível recuperar aproximadamente 320 km de alcance em apenas dez minutos.
Em corrente alternada, o carregador de bordo aceita 11 kW de série. Um sistema de 22 kW estará disponível como opcional, reduzindo consideravelmente o tempo de carregamento em um wallbox adequado.
Confortável como um Classe C deve ser
Ainda que rompa muitas tradições de seus antepassados, o novo Classe C honra, desde os primeiros quilômetros, o legado de confiança ao volante típico dos sedãs da Mercedes-Benz. A direção responde rapidamente aos comandos, enquanto a suspensão pneumática Airmatic consegue filtrar bem as irregularidades sem deixar a carroceria solta quando o ritmo aumenta.
A suspensão também pode ajustar automaticamente a altura do veículo utilizando informações dos mapas e dados compartilhados por meio do sistema Car-to-X. Com isso, o carro consegue se preparar antecipadamente para determinadas condições da via.
O eixo traseiro direcional esterça as rodas em até 4,5 graus. Em velocidades mais baixas, elas viram no sentido contrário às dianteiras para diminuir o raio de giro e facilitar as manobras. Quando o ritmo aumenta, acompanham o movimento da direção para melhorar a estabilidade.
Como acontece com muitos elétricos, o novo sedã está longe de ser leve. São 2.460 kg, consequência principalmente da grande bateria e dos dois motores elétricos. Esse peso aparece nas mudanças mais rápidas de direção, mas o acerto do chassi e a atuação dos sistemas eletrônicos fazem com que o carro seja bem mais fácil de conduzir do que o número sugere.
No modo Sport, os 489 cv aparecem com força e garantem acelerações bastante vigorosas. Nos modos Normal e Eco, porém, a resposta fica mais progressiva, característica que combina melhor com a proposta do modelo. Já o modo Individual permite ajustar separadamente parâmetros como acelerador, direção e suspensão.
O isolamento acústico está entre os principais méritos. Os vidros duplos, a boa aerodinâmica e a ausência de um motor a combustão deixam a cabine extremamente silenciosa, inclusive em velocidades de rodovia. É justamente nesse tipo de uso que o Classe C elétrico mostra sua principal qualidade: continua sendo, antes de tudo, um carro pensado para viajar com muito conforto.
Consumo surpreende em ritmo de estrada
O desempenho chama atenção, mas a eficiência energética talvez seja o número mais impressionante deste primeiro contato. Em um percurso de aproximadamente 100 km, feito principalmente por estradas secundárias e rodovias com velocidades entre 100 e 120 km/h, o computador de bordo indicou média de 15,6 kWh/100 km.
Considerando a capacidade útil de 94,5 kWh da bateria, o resultado permitiria superar os 600 km longe da tomada. É um número expressivo para um sedã de 489 cv, tração integral e quase 2,5 toneladas, ainda que fique abaixo dos 760 km anunciados pela Mercedes-Benz no ciclo WLTP.
De todo modo, vale lembrar que esse foi apenas um primeiro contato, realizado em condições específicas. Temperatura, relevo, velocidade e estilo de condução podem alterar significativamente a autonomia de qualquer carro elétrico.
Nem tudo é perfeito
Alguns pontos, é claro, ainda podem dividir opiniões. O mais evidente é o peso elevado, um problema comum em modelos elétricos com baterias de grande porte e que aparece quando o Classe C é conduzido em ritmo mais forte, mesmo que o chassi consiga escondê-lo bem durante a maior parte do tempo.
A dependência das telas também exige adaptação. O enorme painel até impressiona visualmente e reúne muitos recursos, mas a falta de comandos físicos para funções básicas acaba obrigando o motorista a desviar mais a atenção da estrada do que deveria.
O formato mais acupezado da carroceria acabou gerando um sacrifício na hora de carregar as malas, com o porta-malas traseiro levando apenas 470 litros, pouco para um sedã deste porte. O compartimento dianteiro ajuda a compensar a limitação, mas não substitui completamente um bagageiro traseiro mais amplo e de fácil acesso.
Por fim, toda a tecnologia embarcada deverá se refletir no preço e no custo de eventuais reparos. Trata-se de um conjunto extremamente sofisticado, mas também mais complexo do que o encontrado nas gerações anteriores.
Mudou tudo, menos o conforto
Na Itália, o Mercedes-Benz C 400 4Matic Electric parte de 70.269 euros, cerca de R$ 415.992 em conversão direta, na configuração Avantgarde. A gama também oferece os acabamentos AMG Line e AMG Line Plus, com preços que podem chegar a 89.240 euros, aproximadamente R$ 528.301, conforme os equipamentos e pacotes escolhidos.
Por enquanto, essa é a única configuração disponível. A Mercedes-Benz deverá ampliar a gama posteriormente com versões menos potentes e mais eficientes, incluindo opções com apenas um motor elétrico e tração traseira.
O fato é que, mesmo rompendo com boa parte da fórmula tradicional do Classe C, a Mercedes-Benz conseguiu preservar aquilo que sempre definiu o sedã: conforto, silêncio e confiança ao volante. A diferença é que, agora, tudo isso vem acompanhado de desempenho de esportivo, autonomia suficiente para viagens longas e uma cabine que talvez seja tecnológica até demais.
Ainda não há confirmação sobre o lançamento do novo Classe C elétrico no Brasil, mas a estreia por aqui não deve demorar, especialmente porque sua arquirrival BMW já começou a preparar a chegada da família Neue Klasse ao país, com o SUV iX3 como primeiro modelo da nova geração.
De todo modo, caso venha, o elétrico deverá conviver com as configurações a combustão e híbridas, que ganharão sobrevida tanto no Brasil quanto no Velho Continente. Elas adotarão visual e tecnologias mais próximos da versão movida a bateria, mas manterão a plataforma atual.
RECOMENDADO PARA VOCÊ
Teste Volvo EX30 Cross Country: substância além da forma
Tesla decepciona em estudo sobre durabilidade das baterias; entenda
Avaliação Geely EX2 Max: a pedrinha no sapato do BYD Dolphin?
Elétricos chineses vão perder vantagem? China começará a taxar baterias
Avaliação: GWM Ora 03 BEV 58 acerta o ponto entre eficiência e conforto
Bateria de carro elétrico envelhece como a de celular? Estudo responde
Já dirigimos: novo Toyota Prius 2025 é o melhor PHEV, mas vale a pena?