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Novo Peugeot E-208 GTi vira foguete elétrico de 281 cv; já dirigimos!

Primeiro GTi elétrico da francesa resgata espírito do 205, diverte nas curvas, mas preço e recarga tornam ele um brinquedo (muito) caro

Peugeot E-208 GTi 2026, primeiro teste
Foto de: Peugeot

De Edimburgo, na Escócia - Por décadas, a Peugeot foi uma entre várias marcas europeias que usou a sigla GTi para transformar pequenos hatches em verdadeiros foguetes de bolso, tendo no 205 e no 206 GTi os integrantes mais famosos dessa linhagem. Mas, como já dizia Elton John em O Rei Leão, tudo faz parte de um “ciclo sem fim” e, cedo ou tarde, um velho rei precisa dar lugar ao seu sucessor, mesmo quando isso significa abandonar algumas das características que ajudaram a construir sua fama.

Mais de 40 anos depois, chegou a vez de um novo leão tentar assumir esse trono. O Peugeot E-208 GTi é o primeiro esportivo 100% elétrico da marca francesa e leva para a nova tecnologia justamente o lado mais emocional da fabricante, combinando nada menos que 281 cv, tração dianteira, suspensão rebaixada, pneus esportivos e uma série de referências ao passado para provar que um GTi - apesar do nome - não precisa necessariamente de gasolina, escapamento ou troca de marchas para continuar divertido.

É o GTi mais potente da história

A parte mecânica não é completamente inédita dentro da Stellantis, já que o E-208 GTi usa uma evolução do mesmo conjunto encontrado em modelos como Opel Corsa GSE, Mokka GSE, Abarth 600e e Alfa Romeo Junior Elettrica Veloce, mas a Peugeot trabalhou no acerto para dar ao seu esportivo uma personalidade própria.

O motor elétrico síncrono de ímãs permanentes fica no eixo dianteiro e entrega 281 cv e 35,2 kgfm, números suficientes para levar o hatch de 0 a 100 km/h em 5,5 segundos e até os 180 km/h de velocidade máxima.

Avaliação do Peugeot E-208 GTi (2026)
Foto de: Peugeot

Com isso, o E-208 GTi se torna também o integrante mais potente de toda a linhagem, assumindo ao menos nos números o posto de novo rei entre os pequenos esportivos da Peugeot.

A energia vem de uma bateria de íons de lítio com 54 kWh de capacidade bruta e 51 kWh úteis, suficiente para uma autonomia oficial de 374 km pelo ciclo WLTP, embora esse número comece a diminuir rapidamente quando os 281 cv são usados como manda a proposta do carro.

Peugeot E-208 GTi 2026, primeiro teste
Foto de: Peugeot

Durante nosso percurso de aproximadamente duas horas e meia por estradas sinuosas e úmidas da Escócia, alternando trechos conduzidos com mais vontade e outros em ritmo mais tranquilo, o computador marcou consumo médio de 20,04 kWh/100 km, valor consideravelmente acima dos 16 a 17,2 kWh/100 km divulgados oficialmente. Mantida essa média, a autonomia ficaria mais próxima dos 250 km, algo perfeitamente administrável no uso diário, mas que começa a exigir algum planejamento em viagens mais longas.

A situação também não é ajudada pela potência máxima de recarga de 100 kW, que permite levar a bateria de 20% a 80% em 27 minutos e já não impressiona diante de elétricos mais recentes. Para um carro pensado prioritariamente para diversão em estradas e trajetos menores, isso talvez não seja um problema tão grave, mas quem pretende viajar bastante precisará incluir algumas paradas a mais no roteiro.

Peugeot E-208 GTi (2026) im Test

Peugeot E-208 GTi (2026) im Test

Peugeot E-208 GTi (2026) im Test

Peugeot E-208 GTi (2026) im Test

Peugeot E-208 GTi (2026) im Test

Peugeot E-208 GTi (2026) im Test

Fotos de: Peugeot
Bilder von: Peugeot

Peugeot mexeu muito além do motor

Transformar o E-208 em GTi exigiu bem mais do que simplesmente instalar o motor mais potente disponível na prateleira da Stellantis, começando pela suspensão, que deixa a carroceria 25 mm mais próxima do chão, enquanto as bitolas aumentaram expressivos 56 mm na dianteira e 28 mm na traseira. O resultado é um perfil visivelmente mais larga e plantado no chão, reforçada pelas rodas de 18" com pneus Michelin Pilot Sport 4S na medida 215/40 R18.

Atrás delas aparecem freios dianteiros com pinças fixas de quatro pistões e discos de 355 mm, enquanto detalhes vermelhos espalhados pela carroceria ajudam a diferenciar o GTi das demais versões do 208.

A homenagem mais direta ao passado aparece na coluna C, onde o logotipo 208 GTi remete ao usado no lendário 205, uma referência que continua dentro da cabine com os chamativos carpetes vermelhos.

Dados rápidos Peugeot E-208 GTi 2026
Motor Elétrico síncrono de ímãs permanentes
Tração Dianteira
Potência 281 cv
Torque 35,2 kgfm
0 a 100 km/h 5,5 segundos
Velocidade máxima 180 km/h
Consumo WLTP 16 a 17,2 kWh/100 km
Autonomia WLTP 374 km
Bateria 51 kWh úteis
Recarga DC Até 100 kW
Recarga de 20% a 80% 27 minutos
Preço na Alemanha € 44.900, cerca de R$ 264 mil

Todo esse trabalho aparece de forma clara quando a estrada começa a exigir mais do carro, já que, mesmo com o piso molhado durante nosso teste, o Peugeot mostrou muita aderência e entrou nas curvas com bastante precisão, beneficiado pela carroceria mais baixa, pelas bitolas maiores e pelo conjunto de pneus. A direção também transmite bastante informação ao motorista sem se tornar cansativa durante o uso normal, criando aquela sensação de controle que se espera de um esportivo desse tipo.

O E-208 GTi aceita ser provocado bastante antes de começar a reclamar e permanece previsível quando levado mais perto de seus limites, algo especialmente importante em um carro dianteiro com quase 300 cv.

Ainda assim, a Peugeot não sacrificou completamente o conforto para chegar lá, mantendo alguma capacidade de absorver irregularidades e deixando o hatch até um pouco mais confortável que o Mokka GSE, por exemplo, combinação que ajuda bastante no uso cotidiano.

Peugeot E-208 GTi (2026) im Test

Peugeot E-208 GTi (2026) im Test

Peugeot E-208 GTi (2026) im Test

Peugeot E-208 GTi (2026) im Test

Peugeot E-208 GTi (2026) im Test

Peugeot E-208 GTi (2026) im Test

Fotos de: Peugeot
Bilder von: Peugeot

Interior olha diretamente para o 205 GTi

Se por fora as referências ao passado são relativamente discretas, dentro da cabine a Peugeot resolveu deixar a nostalgia bem mais evidente, espalhando vermelho pelos carpetes, instrumentos, painel, soleiras, cintos de segurança, volante e bancos. Estes últimos têm abas laterais bastante pronunciadas para segurar motorista e passageiro durante as curvas, embora o formato estreito possa não acomodar todos os tipos físicos com a mesma facilidade e ainda torne a entrada e saída um pouco mais trabalhosas.

A conhecida ergonomia da francesa continua exigindo alguma adaptação, principalmente por causa do pequeno volante, que pode encobrir parte do quadro de instrumentos dependendo da posição escolhida pelo motorista, enquanto baixá-lo demais compromete espaço para as pernas e postura.

Peugeot E-208 GTi (2026) im Test

Peugeot E-208 GTi (2026) im Test

Fotos de: Peugeot
Peugeot E-208 GTi (2026) im Test

Peugeot E-208 GTi (2026) im Test

Bilder von: Peugeot

O botão dos modos de condução também não ficou no lugar mais feliz da cabine, exigindo certo contorcionismo para quem quiser mudar rapidamente para o modo Sport durante uma ultrapassagem ou antes de uma sequência de curvas.

Dimensões Peugeot E-208 GTi 2026
Comprimento 4,10 m
Largura 1,77 m
Altura 1,41 m
Entre-eixos 2,56 m
Peso 1.535 kg
Capacidade de carga 452 kg
Porta-malas 309 a 1.118 litros

Em compensação, o sistema multimídia ganhou uma tela específica para o GTi capaz de mostrar temperatura da bateria, potência, tensão, torque e até tempos de volta, aproximando o hatch do universo das pistas sem transformar toda a cabine em um videogame. Ainda existem botões físicos para funções importantes e, embora o sistema pudesse responder um pouco mais rápido, a operação continua relativamente simples para o uso diário.

O lado prático também não desapareceu completamente, com porta-malas de 309 litros que pode chegar a 1.118 litros com os bancos traseiros rebatidos. O E-208 GTi mede 4,10 metros de comprimento, 1,77 m de largura, 1,41 m de altura e 2,56 m de entre-eixos, além de pesar 1.535 kg, números que ajudam a manter aquela sensação de hatch compacto mesmo com a bateria instalada sob o assoalho.

Peugeot E-208 GTi 2026, primeiro teste
Foto de: Peugeot

O problema é quanto custa

Toda essa tentativa de levar a velha escola para a era elétrica cobra caro, já que o Peugeot E-208 GTi parte de € 44.900 na Alemanha, aproximadamente R$ 264 mil em conversão direta pela cotação atual. É bastante para um hatch compacto até para os padrões europeus.

Na mesma faixa aparecem alternativas como Cupra Raval VZ e Alpine A290, enquanto o futuro Volkswagen ID. Polo GTI também deverá ficar abaixo dos € 40 mil. Já quem prefere algo com posição de dirigir mais alta encontra opções como Opel Mokka GSE, Abarth 600e e Alfa Romeo Junior Elettrica Veloce, embora nesses casos os preços já se aproximem dos € 50 mil, algo perto de R$ 294 mil.

Peugeot E-208 GTi 2026, primeiro teste
Foto de: Peugeot

A Peugeot tenta compensar parte da diferença com uma lista de equipamentos bastante completa e poucas opções cobradas à parte, mas o preço continua sendo um dos pontos mais difíceis de ignorar, especialmente porque bateria, autonomia e recarga não acompanham o mesmo nível de evolução encontrado no chassi. O E-208 GTi é rápido e divertido, mas não é exatamente o melhor negócio da categoria quando a análise sai das curvas e vai para a calculadora.

Avaliação do Peugeot E-208 GTi (2026)
Foto de: Peugeot

Um novo rei para a era elétrica?

Depois de algumas horas ao volante, talvez essa seja a pergunta mais interessante deixada pelo E-208 GTi, porque a Peugeot não tentou imitar artificialmente aquilo que perdeu ao abandonar o motor a combustão, preferindo aproveitar as respostas imediatas do propulsor elétrico e combiná-las com suspensão, direção, freios e pneus realmente desenvolvidos para quem gosta de dirigir.

Há limitações, especialmente na ergonomia peculiar, nos bancos que podem ser apertados para alguns motoristas, no consumo quando conduzido com vontade e na recarga de apenas 100 kW, mas nada disso impede que o E-208 GTi consiga transmitir uma personalidade própria, evitando aquela sensação de ser simplesmente um 208 elétrico com potência aumentada por software.

   

Prós

  • Divertido e muito rápido
  • Nostálgico na medida certa
  • Acerto de suspensão esportivo sem sacrificar demais o uso diário
   

Contras

  • Ergonomia continua complicada
  • Consumo alto e recarga apenas mediana
  • Preço caro até para um hot hatch
O que você pensa sobre isso?

Talvez ainda seja cedo para chamá-lo de rei dos hot hatches elétricos, principalmente porque a concorrência cresce rapidamente e alguns rivais carregam mais rápido ou custam menos, mas o primeiro GTi elétrico da Peugeot mostra que aquele “ciclo sem fim” iniciado décadas atrás pode continuar mesmo depois que a gasolina sair de cena. 

Seu grande desafio, no entanto, não é o lado emocional, mas na matemática. Caro até para os padrões europeus, o esportivo fica quase inviável em outros mercados, e possivelmente ficará só a passeio, como a marca francesa fez durante o Salão do Automóvel de São Paulo, no ano passado. Uma pena.

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