Fórmula E pode ser o ponto de largada para aumento de elétricos no Japão
Apesar de ser um maiores produtores de automóveis do mundo, o Japão tem um ritmo lento de adoção de veículos de energia limpa
A Fórmula E faz sua estreia em Tóquio neste sábado, em um circuito montado no Centro Internacional de Exposições de Tóquio, o maior espaço de eventos do Japão, popularmente conhecido como Tokyo Big Sight. Localizado a poucos minutos do centro de Tóquio, esse evento representa um marco significativo para a cidade. No entanto, essa introdução levanta a questão: o que exatamente o Japão tem feito em relação aos carros elétricos e as energias de fontes renováveis?
Apesar de o setor automotivo representar mais de 89% do PIB do Japão e o país ser o terceiro maior fabricante de veículos do mundo, sua adoção de veículos de emissão zero tem sido lenta.
Atualmente, o mercado japonês abrange uma variedade de veículos de energia limpa: desde os totalmente elétricos (BEV), passando pelos elétricos híbridos (HEVs) e híbridos plug-in (PHEVs), até os veículos com célula de combustível de hidrogênio (FCEVs), além dos veículos a gás natural (GNV), a biocombustíveis (BVs) e até mesmo os movidos a energia solar (SVs).
O governo japonês tem priorizado veículos equipados com células de combustível de hidrogênio e híbridos para a eletrificação automotiva. No entanto, essa abordagem tem resultado em uma resposta mais lenta em comparação com a tendência global dos veículos elétricos (EVs). Isso se deve, em parte, à desconfiança em relação aos veículos de zero emissão.
Apesar desses desafios, o Japão recentemente assumiu o compromisso de reduzir suas emissões líquidas até 2050 e alcançar uma redução de 46% das emissões até 2030. Estudos indicam que, entre 2023 e 2032, as vendas de veículos totalmente elétricos devem aumentar e atingir uma participação de mercado de 37,8% em termos de receita.
Pesquisadores da Universidade de Kyushu, no Japão, recentemente divulgaram os resultados de uma pesquisa que propõe uma mudança significativa no setor automotivo até 2035. A proposta visa eliminar gradualmente a venda de veículos movidos a combustíveis fósseis, como os de gasolina, em favor dos veículos elétricos (EV), híbridos (HV) e aqueles equipados com células de combustível (FCV).
Essa transição é direcionada para reduzir as emissões de CO2. Além disso, sugere-se que o país implemente políticas públicas voltadas para prolongar a vida útil dos veículos, bem como para a adoção de fontes de energia renovável no setor energético e para a descarbonização do processo de fabricação dos veículos.
Shigemi Kagawa, professor da Faculdade de Economia da Universidade de Kyushu, enfatizou em um artigo publicado no Journal of Cleaner Production que a construção de um carro, mesmo sendo um veículo elétrico, consome considerável quantidade de energia. Isso se deve ao processo complexo de extração, processamento, transporte e montagem de todos os materiais envolvidos na fabricação.
Cada etapa desse processo gera emissões de CO2 significativas. Ele ressaltou que a produção de um veículo elétrico pode gerar de 1,5 a 2 vezes mais emissões em comparação com um carro a gasolina. Portanto, é crucial que os fabricantes de automóveis não apenas aumentem a produção de veículos elétricos, mas também descarbonizem toda a cadeia de abastecimento para garantir uma redução eficaz das emissões.
Atualmente, a proporção estimada para o mix energético em 2030 inclui 50% de combustíveis fósseis e apenas 28% de energia proveniente de fontes renováveis. Essa distribuição não será suficiente para reduzir de maneira adequada as emissões de CO2.
Segundo as projeções, a política de veículos elétricos a partir de 2035 poderá contribuir para uma redução de 10% ou 2,9 milhões de toneladas de CO2 nas emissões de veículos até 2050. No entanto, ainda estará longe de alcançar a meta de neutralidade de carbono estabelecida globalmente.
Com a chegada da Fórmula E ao Japão pela primeira vez, surge a expectativa de um progresso significativo no cenário dos carros elétricos, bem como na adoção e conscientização sobre as fontes de energia renovável.
Agora, é uma questão de aguardar e observar como esse evento pode impulsionar ainda mais a transição para uma mobilidade sustentável e uma matriz energética mais limpa.
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