Nissan revoluciona seus híbridos com motor que não move as rodas
Mesmo nos modelos não plug-in, o sistema híbrido não tem conexão direta entre o motor e as rodas
A Nissan está expandindo sua aposta nos veículos elétricos de autonomia estendida (EREVs) – ou, dependendo do ponto de vista, já faz isso desde 2016.
O sistema híbrido "e-Power" da marca não possui conexão física entre o motor a combustão e as rodas, transferindo toda a potência por meio do trem de força elétrico. Agora, essa tecnologia será finalmente lançada nos Estados Unidos, conforme confirmado por executivos da Nissan durante um evento no Japão, com a presença do InsideEVs.
A terceira geração do sistema e-Power estreará no SUV compacto Nissan Rogue 2026, enquanto a segunda geração já equipa o Qashqai, um grande sucesso na Europa.
Duas versões do Rogue híbrido nos EUA
De forma um pouco confusa, a Nissan lançará ainda este ano uma versão híbrida plug-in do Rogue atual. No entanto, esse modelo usará um sistema híbrido "paralelo" tradicional, semelhante ao do Mitsubishi Outlander PHEV.
Nos sistemas híbridos paralelos, tanto o motor a combustão quanto o motor elétrico enviam potência para as rodas, exigindo um gerenciamento mais complexo para equilibrar o funcionamento dos dois propulsores. Já nos modelos equipados com o sistema e-Power, a tração é exclusivamente elétrica, com o motor a combustão servindo apenas como gerador de eletricidade.
As montadoras vêm classificando esses veículos como EREVs, embora o sistema da Nissan tenha diferenças em relação a modelos como o Ram 1500 Ramcharger e o Scout Terra Harvester.
Enquanto esses outros EREVs contam com baterias de grande capacidade e autonomia elétrica superior a 160 km, funcionando como uma ponte entre híbridos plug-in e elétricos puros, o sistema da Nissan não exige uma bateria tão grande. Ele já está presente em diversos modelos híbridos sem recarga externa, e a versão plug-in chegará apenas com o Rogue 2026.
Menos bateria, mais eficiência
Muitas montadoras estão apostando em baterias maiores para os EREVs, pois acreditam que isso será necessário para alimentar motores elétricos mais potentes. A Nissan, no entanto, adota uma abordagem diferente: no Qashqai e-Power, o motor 1.5 turbo pode enviar energia diretamente ao motor elétrico através do inversor, sem passar pela bateria.
Essa característica tem um ponto negativo: embora as gerações mais recentes do e-Power sejam refinadas, o sistema não proporciona exatamente a mesma experiência de condução de um elétrico puro.
Nos modelos equipados com a segunda geração do e-Power, a potência chega em duas etapas distintas. Primeiro, o sistema entrega a energia disponível na bateria, que representa apenas uma fração da potência total, de até 187 cv. Para atingir esse número, o motor a combustão precisa entrar em ação e gerar eletricidade adicional.
Embora a ausência de marchas e o uso de um único motor de tração tornem o Qashqai mais suave do que a maioria dos híbridos convencionais, ele não oferece a aceleração contínua e instantânea de um EV puro.
Galeria: Nissan e-Power test
Já a terceira geração do sistema, que será adotada no Rogue 2026, promete uma entrega de torque mais linear e previsível. Ainda pode haver algum atraso na resposta do acelerador em situações de alta demanda de potência, mas em condução normal, a experiência será mais suave e progressiva.
Com isso, a Nissan se aproxima dos líderes do segmento, como Honda e Toyota, após quase uma década de aprimoramentos no sistema e-Power.
Autonomia estendida e mais competitividade
A versão híbrida plug-in do Rogue 2026 usará um sistema e-Power com bateria de maior capacidade, embora não chegue ao nível de modelos como o Ramcharger. Espera-se uma autonomia elétrica semelhante à do Toyota RAV4 Plug-In Hybrid, em torno de 68 km, o suficiente para deslocamentos urbanos diários, enquanto o motor a combustão entra em ação em viagens mais longas.
Uma vantagem desse sistema é que, como o motor a combustão não está conectado diretamente às rodas, ele pode operar sempre na faixa de maior eficiência. Por isso, a Nissan desenvolveu uma nova versão do motor 1.5 turbo para a terceira geração do e-Power, otimizado para um ciclo de combustão mais eficiente.
Chegada em um momento crucial para a Nissan
A novidade não poderia vir em melhor hora. A Nissan enfrenta desafios no mercado dos EUA, com muitos modelos encalhados nas concessionárias e descontos sendo necessários para impulsionar as vendas. O Rogue é um dos pilares da marca no país, com um pico de mais de 400.000 unidades vendidas em 2018. No entanto, no ano passado, esse número caiu para menos de 250.000 unidades, refletindo a queda na demanda e a idade avançada do modelo atual.
O redesign de 2026 será um momento de virada para a Nissan. Enquanto o Honda CR-V e o Toyota RAV4 híbridos continuam vendendo muito bem, o Rogue e-Power pode chegar no momento certo para recolocar a Nissan na disputa.
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