Montadoras celebram antecipação do imposto de 35% para elétricos CKD
Decisão da Camex atende parcialmente à pressão da Anfavea e de montadoras como Toyota, GM, VW e Stellantis
As montadoras instaladas no Brasil, representadas pela Anfavea, comemoraram a decisão do governo federal de antecipar para janeiro de 2027 a cobrança da alíquota máxima de 35% de imposto de importação sobre veículos elétricos e híbridos importados em regime CKD (completamente desmontado). A medida foi aprovada pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) nesta quarta-feira (31), como noticiado pelo InsideEVs.
A nova regra atende parcialmente ao pleito das montadoras tradicionais, como Toyota, General Motors, Volkswagen e Stellantis, que vinham pressionando o governo por uma transição mais rápida, sob argumento de proteger os investimentos locais e a indústria de autopeças.
Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, a decisão representa o “limite aceitável” sem colocar em risco os planos de expansão do setor no país. “Esperamos que essa discussão esteja definitivamente encerrada, sem qualquer possibilidade de renovação”, afirmou em comunicado.
Já a montadora chinesa, que está em fase final de construção de sua fábrica em Camaçari (BA), defendia um tratamento diferenciado para veículos CKD, argumentando que a taxação igual à dos veículos montados inviabilizaria sua transição industrial.
Anteriormente, a BYD acusou as rivais de tentarem manter o mercado fechado para concorrência:
“Agora, chega uma empresa chinesa que acelera fábrica, baixa preço e coloca carro elétrico na garagem da classe média, e os dinossauros surtam”, afirmou a companhia.
Cotas de isenção temporária
Apesar da antecipação do imposto, a Camex autorizou uma cota temporária de isenção fiscal para CKD e SKD, válida por seis meses, com teto de US$ 463 milhões (R$ 1,4 bilhão). A medida busca amenizar o impacto da transição tributária para empresas que estão em fase de nacionalização de produção.
Segundo o governo, a decisão visa incentivar a instalação de fábricas no Brasil e adensar a cadeia automotiva nacional. Exemplo disso são os investimentos da GWM em Iracemápolis (SP) e da própria BYD na Bahia.
Até 2023, os veículos eletrificados importados não pagavam imposto de importação, ao contrário dos modelos a combustão, que sempre tiveram alíquota de 35%. Em dezembro do mesmo ano, o governo definiu uma escada de transição até 2028 para os elétricos, agora revista para acelerar o processo diante da pressão do setor.
A disputa escancarou a polarização entre montadoras já instaladas e novas entrantes, especialmente marcas chinesas que vêm ganhando espaço rapidamente com veículos eletrificados de menor custo e mais tecnologia embarcada.
Fonte: Agência Brasil
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