Com nova bateria de 32,3 kWh, autonomia de 260 km e preço abaixo de 7 mil euros, hatch tem bom papel de entrada na Europa

Após começar por modelos mais caros, com SUVs e sedãs, finalmente o processo de eletrificação começa a ficar mais democrático, chegando a modelos mais acessíveis. Com o e-up!, versão elétrica do subcompacto, a Volkswagen tem uma opção que não só funciona bem na proposta de mobilidade urbana, por ser mais eficiente do que o anterior, como também economicamente acessível, graças ao posicionamento de preços e os incentivos na Europa.

Galeria: Volkswagen e-up! 2020

Como é?

Notar as diferenças do Volkswagen e-Up! para a versão normal pode não é fácil para quem não acompanha o mundo automotivo. São poucos elementos no exterior além da ausência do escapamento e da tampa do tanque de combustível. Tanto que tem os mesmos 3,60 metros de comprimento – o Up! europeu é menor que o brasileiro, esticado para 3,68 m.

Volkswagen e-up! 2019

As mudanças são sutis mas estão lá. Além dos emblemas nas portas, recebe faixas azuis na grade frontal e na tampa do porta-malas. Outra novidade, feita em todos os modelos elétricos da Volkswagen, é a adoção de luzes diurnas em LED em forma de C no para-choque. Neste caso, posicionadas bem próximas das rodas, no contorno da peça que forma duas pequenas grades.

Por dentro

Se as alterações visuais são pequenas do lado de fora, é ainda mais sutil do lado de dentro. Basicamente, a única mudança está no painel de instrumentos, trocando o indicador do nível de combustível por um que mostra o estado de carga da bateria. O conta-giros e odômetro são praticamente iguais, apenas com um indicador da quantidade de energia recuperada nas desacelerações e frenagens aparecendo no computador de bordo.

Volkswagen e-up! 2019

Fora isso, continua com o acabamento visto no subcompacto, combinando plástico com alguns painéis soft-touch e partes metálicas. Do lado de dentro, há espaço o suficiente para quatro pessoas (cinco se alguém quiser passar aperto). Seu porta-malas tem capacidade de 251 litros, o mesmo valor que ele tinha na versão a combustão – o Up! nacional, mais comprido, tem 285 litros.

A Volkswagen conseguiu posicionar as baterias do e-Up! de forma a não atrapalhar o espaço interno e nem do porta-malas. O conjunto de 36,8 kWh é quase o dobro dos 18,7 kWh do modelo anterior, embora apenas 32,3 kWh possam ser usados. Também tem um tempo de recarga equiparável com os demais carros elétricos, precisando de uma hora para recuperar 80% da energia em um posto de recarga rápida de 40 kW. Se usar um wallbox de 7,2 kW, o tempo sobe para 5h30.

Como anda?

O e-Up! para o medidor da balança em 1.160 kg, um peso relativamente baixo para um veículo elétrico. Junte isso ao fato de ter 83 cv entre 2.800 e 12.000 rpm e, principalmente, um torque de 21,6 kgfm entregues de forma instantânea e verá que o menor carro elétrico da Volkswagen pode impressionar na aceleração. A fabricante diz que ele chega a 100 km/h em 11,9 segundos, enquanto a velocidade máxima é limitada a 130 km/h.

Volkswagen e-up! 2019

O que realmente mostra o quanto o e-Up é gostoso de dirigir são as curvas. Graças ao baixo peso e o centro de gravidade bem baixo por conta do conjunto de baterias estar abaixo do assoalho, ele se mantém estável a todo momento. Nem mesmo mudanças bruscas de direção parecem assustar o subcompacto, que é preciso e seguro.

A nova versão do e-Up! promete uma autonomia de até 260 km. Para garantir este valor, o pequeno carro tem quatro níveis de recuperação de energia, além do modo normal. Com a alavanca na posição D, é possível escolher quatro modos de recuperação ao parar de pisar no acelerador, enquanto a posição “B” do câmbio garante que ele fará o máximo possível para gerar energia de volta para a bateria, quase parando o carro completamente se o motorista tirar o pé do acelerador.

Volkswagen e-up! 2019

Como todo EV de respeito, o silêncio a bordo do up! elétrico é impressionante. Por isso a Volkswagen desenvolveu o e-sound, um gerador que amplifica o leve ruído feito pelo motor elétrico ao girar as rodas enquanto anda em velocidades baixas (até 50 km/h). Isso foi feito para a segurança dos pedestres, indicando que tem um carro vindo e evitando um possível atropelamento de alguém que atravesse a rua sem prestar a atenção.

No geral, o conforto dentro do e-up! é bom. A suspensão é calibrada para permitir que o carro passar por buracos e lombadas com absoluta tranquilidade. O único problema é o espaço a bordo, por conta do tamanho total do carro. Ele é o suficiente para alguns adultos de estatura mediana, mas pode ser apertado para os mais altos. E quem viajar atrás pode se sentir um pouco claustrofóbico.

Volkswagen e-up! 2019

Quanto custa?

Para os europeus, o Volkswagen e-Up! será bem acessível. Ele está em pré-venda, com entregas previstas para fevereiro deste ano. Na Itália, ele é vendido por 23.350 euros (cerca de R$ 105,8 mil) na versão Style, enquanto a mais barata custará 20.900 euros (R$ 94,7 mil). Isso sem contar os benefícios do governo local, já que ele varia bastante. Por exemplo, a região italiana de Lombardia tem incentivos o suficiente para que o subcompacto seja vendido por apenas 6.900 euros (R$ 31,2 mil).

E no Brasil?

Até o momento, a Volkswagen não tem planos de vender o e-Up! no Brasil. Durante o Salão de Frankfurt (Alemanha), o presidente da VW América Latina, Pablo Di Si, não escondeu o interesse em trazer esta versão ao nosso mercado. "Adorei esse Up! elétrico. Me reuni com meu time e disse: "olha, precisamos deste carro no Brasil, mas precisamos levantar ele", disse o executivo, sinalizando que o carro precisa ficar mais alto para não correr o risco de raspar as baterias.

Apesar de mostrar interesse, Di Si comentou apenas sobre seu interesse, desconversando se ele viria importado ou se há chances do Volkswagen e-Up! ser produzido em Taubaté (SP), onde a marca já faz o subcompacto. Segundo ele, primeiro precisa ver com a engenharia se é possível deixá-lo mais alto, para depois fazer contas e bater o martelo. E, pelo que vimos do carro lá fora, seria uma opção interessante, apesar que deve chegar aqui acima dos R$ 100 mil se não tiver produção local.